Crítica: La Casa de Papel 3 se renova sem perder a essência

Atração retorna à Netflix nesta sexta-feira (19)

18/07/2019 13h28

Por Thamires Viana

Quem acompanhou as duas primeiras partes de La Casa de Papel, série espanhola que se tornou um fenômeno na Netflix, não gostou muito da ideia da plataforma de produzir novos episódios para a atração. Primeiro porque sua trama envolvendo um roubo à Casa da Moeda da Espanha foi levada à televisão espanhola como uma minissérie, sem ganchos para uma "nova temporada". Segundo porque o desfecho criado por Álex Pina, idealizador da série, não poderia ter sido melhor para aquela história.

No entanto, a Netflix seguiu com o plano e traz nesta sexta-feira (19) a estreia de uma terceira parte ainda maior em todos os sentidos! Pelos trailers já sabemos que o grupo de criminosos - Tóquio, Professor, Nairobi, Denver e Helsinki - precisará se reunir para resgatar Rio que foi capturado pela polícia. Agora eles contam com a ajuda de Mónica, uma das reféns do assalto que se apaixonou por Denver, e Raquel, inspetora que investigava o caso mas foi afastada após se envolver com o Professor. Já conhecidos no todo o mundo, eles usarão dessa fama e prestígio para promoverem uma revolução, convocando seus admiradores para seguirem um plano ainda mais palpável do que o primeiro.

Em termos de produção, o investimento feito pela gigante do streaming é evidente desde às primeiras cenas. Os personagens ganharam o mundo, literalmente, e as gravações externas feitas em diversos países trouxeram um ar completamente diferente para esse reencontro com os espectadores. O roteiro, novamente nas mãos do Pina, é ainda mais aprofundado nessa nova leva de episódios. Deixando de seguir uma única linha temporal, o criador insere flashbacks mesclados à atualidade e faz isso de forma simples, mas exigindo que o espectador não desvie o foco para não perder nenhum detalhe importante. Além de trazer a explicação do plano na voz do Professor e ilustrando na prática, ele cria um paralelo com o verdadeiro idealizador da ação, revelando que a ideia é ainda mais brilhante do que a anterior. 

Outro ponto que chama a atenção é o aumento de ação das mulheres do bando. Enquanto já tínhamos a força de Nairobi e Toquio nas duas primeiras partes, agora temos a introdução de Mónica e Raquel como duas mulheres e mães que vão à luta com a mesma intesidade. Pina não reduz o papel de mãe à fragilidade e preocupação extrema como a maioria das produções, e faz com que as personagens saibam lidar com a maternidade e o empoderamento sem delongas ou sentimentalismos. E as discussões sobre o assunto também criam uma crítica singela sobre o machismo presente na sociedade.

La Casa de Papel 3 vem como um verdadeiro presente aos fãs da atração e um grande acerto da Netflix. Para quem ainda tinha dúvidas se esse reencontro funcionaria na prática, a boa notícia é que a essência da série permanece intacta! Ao mesmo tempo, a mente criativa de Pina introduz um novo personagem e as ações para o já conhecido e amado grupo de assaltantes, sem deixar que a nostalgia e as referências às primeiras partes se percam de vista. Então vista seu macacão vermelho, sua máscara de Dalí e se prepare para entrar novamente na adrenalina embalada pelo refrão de Bella Ciao

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