Crítica: Samantha! arranca boas risadas mesmo com falhas perdoáveis

A atração chega à Netflix nesta sexta-feira, dia 06 de julho

04/07/2018 16h00

Por Thamires Viana

As produções brasileiras da Netflix têm chegado como gratas surpresas aos assinantes. Com 3% e O Mecanismo já lançados e rendendo segundas e terceiras temporadas, a plataforma arriscou em trazer a primeira comédia brasileira para seu catálogo. Samantha!, série de sete episódios estrelados por Emanuelle Araújo e Douglas Silva, chega para garantir deliciosas gargalhadas.

A atração criada por Felipe Braga, sócio das irmãs Alice Braga e Rita Moraes na produtora Los Bragas, acompanha Samantha (Emanuelle), uma ex-estrela mirim que viveu seus momentos de glória nos anos 80 e agora encara o que for possível para tentar voltar à fama. Anos após o fim da Turminha Plimplom, da qual ela fazia parte ao lado de Bolota (Maurício Xavier) e Tico (Rodrigo Pandolfo), ela agora é mãe de dois filhos e casada com o ex-jogador de futebol e ex-presidiário Dodói (Douglas), mas claro que está decidida a renascer como estrela.

Com um humor desafiador e muitas vezes sarcástico, a trama faz o espectador ir além das risadas e se sensibilizar com as dificuldades da moça. Em oito episódios, conseguimos sacar quais os verdadeiros motivos que levam Samantha a essa busca incansável pelo retorno da carreira. 

A série também usa o humor para mostrar como a década de 80 era "bizarra" e muito diferente, claro, dos tempos atuais. O mascote que acompanhava a pequena celebridade é Cigarrinho (Ary França), um maço de cigarros que adovara dar conselhos para as crianças. E vimos também que comerciais de cerveja protagonizados por crianças eram coisas comuns na época embalada por colants e polainas. 

Apesar de entregar o que promete e fazer jus ao gênero comédia, a trama passa por alguns deslizes óbvios. A série escorrega no roteiro, principalmente no desenvolvimentos de alguns personagens além da protagonista. Isso faz com a história de alguns deles fique sem profundidade, deixando de lado a oportunidade de explorar melhor características previamente inseridas, focando apenas no egocentrismo de Samantha.

Seus filhos Cindy (Sabrina Nonato) e Brandon (Cauã Gonçalves) possuem personalidades totalmente diferentes da mãe. A menina luta pela preservação da natureza e dos animais, além de se mostrar uma jovem feminista. O contraste de mãe e filha fica ainda mais claro quando ela, no auge de sua adolescência, explica para a mãe o que é o feminismo e a faz enxergar uma saída para uma situação machista. Já o garoto sonha em publicar sua autobiografia e prefere estudar história ao invés de sair para brincar com os amigos. Jogar futebol com o pai então? Nem pensar!

Apesar de conhecermos suas personalidades, os personagens não se encontram em nenhuma outra situação pessoal além daquelas em que estão ao redor da mãe ajudando nas loucuras dela ou tentando corrigir algo de errado que ela tenha feito. O mesmo quase acontece com Dodói, que ao voltar para casa e tentar retomar seu casamento com ela, se torna mais um dos que apoiam Samantha em suas aventuras, mas que acaba um pouco mais determinado em dar um jeito na sua vida com o passar dos episódios.

Tico e Bolota têm suas vidas exploradas quando o reencontro do trio acontece. Tico, totalmente obcecado por Samantha, ainda acredita que há esperanças. Já Bolota, o mais centrado do grupo, mostra que deixou a fama e a ligação dos três para trás. Uma das cenas mais hilárias envolve os personagens embarcando em uma missão e abusa do flashblack para explicar os conflitos que levaram ao final do grupo.

Outros personagens interessantes apresentados na atração são Laila (Lorena Comparato), que traz a série para a atualidade como uma blogueira muito famosa que arranca boas risadas com seus diálogos inteligentes. Já Marcinho (Daniel Furlan) é o típico empresário trambiqueiro que, apesar de tudo, consegue agradar o público com sua simpatia. 

Samantha! é um fonte de grande nostalgia para os nascidos na década de 70 e 80. Apesar de acompanhar a vida adulta da moça, é notável a preocupação em manter a essência daqueles loucos anos como foco na trama, atraindo assim um variado público. Mesmo com as falhas (super perdoáveis), a série não perde o seu objetivo em divertir e entreter. Além disso, seus ganchos no final de cada episódio vão dar aquela vontade de assistir um atrás do outro e rir de forma descompromissada. 

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