Crítica: The Umbrella Academy, da Netflix, mostra potencial

Série estreia em 15 de fevereiro

06/02/2019 17h03 (Atualizado em 11/02/2019 17h04)

Por Daniel Reininger

A nova aposta da Netflix é The Umbrella Academy, criado pelo vocalista da banda My Chemical Romance, Gerard Way, e pelo brasileiro Gabriel Bá. É a história dos órfãos Hargreeves, um grupo de crianças superpoderosas nascidas misteriosamente ao mesmo tempo em diferentes partes do mundo e treinadas por Sir Reginald Hargreeves, seu manipulador pai adotivo, que pretende usá-las para salvar o mundo.

Apesar do ótimo material original, visual incrível e bom elenco, a verdade é que a história parece difícil demais de ser adaptada, a ponto da série não atingir seu verdadeiro potencial.

O seriado até tenta capturar toda estranheza da história em quadrinhos e ainda expande algumas tramas que não chegam a ser exploradas nas HQs, mas infelizmente a nova série da Netflix enfrenta dificuldades na hora de nos manter interessados até o final. A narrativa nunca encontra seu ritmo e eventualmente se torna tediosa, especialmente quando exagera nos diálogos expositivos.

A trama acompanha uma famosa equipe de super-heróis composta por Luther, Diego, Allison, Klaus, Número Cinco, Ben e Vanya, todos membros da mesma família, que lentamente começa a cair em decadência. Um irmão morre durante uma missão, Número Cinco viaja para o futuro contra os desejos de seu pai e nunca mais é visto e o resto faz as malas e deixa a Academia para sempre.

Quando a série começa, os irmãos adotivos deixaram de ser uma equipe há 12 anos. Quando Sir Reginald morre de repente, seus filhos são forçados a uma reunião familiar que os leva a velhos hábitos e, obviamente, as coisas não correm bem.

The Umbrella Academy não é um programa de TV repleto de ação e prefere focar nos dramas familiares. É claro que isso não é novidade para quem conhece a série, uma desconstrução de equipes icônicas de super-heróis, como o Quarteto Fantástico, X-Men e Patrulha do Destino. Enquanto a série da Netflix faz um trabalho admirável para tentar cativar seu público com essa família disfuncional, o ritmo lento consegue exatamente o oposto, atrapalhando a narrativa, que é incrivelmente lenta.

O maior problema é tentar traduzir o primeiro volume da série de quadrinhos para um seriado de 10 episódios de 50 minutos, explorando apenas um pouco do segundo arco. Ou seja, logo fica claro que falta material suficiente para manter as coisas interessantes até o fim. Apesar de novas histórias serem criadas e outras melhores exploradas, são subtramas que raramente funcionam e acabam sendo prejudiciais para a construção dos personagens.

Fica bem óbvio que todos os envolvidos nesse programa têm um amor verdadeiro pelos quadrinhos originais. A maneira como a série recria com precisão os figurinos da Umbrella Academy, utiliza com cuidado os ângulos de câmera, trabalha bem a fotografia, deixa claro o enorme cuidado em todos os aspectos técnicos.

Sem falar que a série conta com Ellen Page no elenco, uma atriz incrível que sempre faz o melhor em cada cena e é impossível não amar.

No fim, fica claro que The Umbrella Academy funciona melhor quando se compromete com os elementos bizarros de seu mundo. E se perde exatamente quando cria história desinteressantes ou tenta forçar relações que poderiam simplesmente ser ignoradas. É óbvio o potencial aqui e alguns episódios são, de fato, cativantes, mas o show ainda precisa achar seu caminho, antes de se tornar algo realmente impactante como os quadrinhos.

The Umbrella Academy chega à Netflix em 15 de fevereiro. Veja o trailer:

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