Depois da Chuva agrada público em Tiradentes com seu viés político

Rodado em Salvador, filme foge dos estereótipos relacionados à capital baiana

26/01/2014 20h07

Mostra Tiradentes

Cine-Tenda com lotação máxima na exibição de Depois da Chuva

Foto: Leo Lama/Universo Produção

Depois da Chuva desembarcou em Tiradentes (MG) depois de faturar os prêmios de melhor roteiro, trilha e ator no Festival de Brasília de 2013. Foi exibido na noite deste sábado (25) na 17ª edição da Mostra Tiradentes de Cinema e ganhou o público com sua trama ambientada em uma Bahia longe dos estereótipos comumente associados ao Estado.

O filme se passa em Salvador na década de 80, quando o país vivenciava a efervescência política e social do movimento pelas eleições diretas para presidente. "Eu era um adolescente na década de 80 e vivi meu despertar político e amoroso nessa época de transição politica e social no Brasil. O filme é de inspiração autobiográfica, mas não é minha história", diz o cineasta Cláudio Marques - que divide a direção com Marília Hughues - à reportagem do Cineclick.

O protagonista do longa chama-se Caio (Pedro Maia), adolescente rebelde e inconformado com a política nacional no período da campanha das Diretas. O filme é crítico em relação à época e, por meio de Caio e seus amigos anarquistas, classifica o que surgiu desse momento como uma democracia doente, a "demencracia".

A rebeldia não está só nos personagens, mas na execução do longa, que foge totalmente de estereótipos visuais e culturais baianos. Nada de carnaval, axé, tambores, pandeiros, tomadas do pelourinho. A trilha em Depois da Chuva é recheada de punk rock e jazz e cartões postais não existem.

"Esses elementos, o axé, a capoeira, o candomblé, são todos muito fortes, poderosos. E a gente não vai negar que isso existe, que é muito interessante. Mas a Bahia não é apenas isso", avalia Marques.

Mesmo que involuntariamente, Depois da Chuva chega em momento oportuno, quando a população está indo às ruas para questionar as instituições e uma democracia que soa injusta para muitos.

Questionamos o diretor se o filme tem uma visão de democracia otimista, pessimista ou resignada. Ele não titubeou: "A questão não é a democracia, mas a 'demencracia', a democracia deturpada onde parte de população não se sente representada".

O 17ª Mostra Tiradentes de Cinema segue até o dia 1º de fevereiro. Informações sobre a programação em www.mostratiradentes.com.br

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus