Dia Internacional da Mulher: O protagonismo no audiovisual

A Roteiraria, escola de roteiristas, divulgou dados interessantes sobre a presença de mulheres no mercado cinematográfico

08/03/2019 16h22

Por Thamires Viana

Os lançamentos de 2019 no cinema e na TV dão um motivo especial para celebrar esse Dia Internacional das Mulheres. O protagonismo feminino em produções audiovisuais de gêneros majoritariamente masculinos, como os filmes de ação, são notáveis e mostra que a luta por mais presença e representatividade tem surtido efeito.

A estreia de Capitã Marvel, primeira heroína da Marvel, na semana da celebração da data não é por acaso. E se pensamos em outras produções ainda podemos citar a série animada Carmen Sandiego na Netflix, X-Men: Fênix Negra que chega aos cinemas estrelado por Sophie Turner, e que ainda contará com mais mulheres fortes como a Mística de Jennifer Lawrence e a misteriosa vilã Lilandra, personagem vivida por Jessica Chastain. O empoderamento do filme é algo claro desde as primeiras cenas apresentadas, a começar pelo discuso de Mística dizendo que "São as mulheres que sempre salvam os homens nas missões. A equipe deveria se chamar X-Women". 

Em breve teremos também uma série original da Batwoman estrelada pela atriz Ruby Rose, uma segunda temporada confirmada da produção nacional Aruanas que traz quatro protagonistas fortes interpretadas pelas atrizes Camila Pitanga, Leandra Leal, Débora Falabella e Taís AraújoMulher-maravilha 1984 com Gal Gadot novamente no papel da heroína, a já lançada adaptação do anime Alita: Anjo De Combate, a personagem Agente M vivida por Tessa Thompson em Mib: Homens De Preto - Internacional, Sarah Connor, a poderosa personagem de Linda Hamilton que será foco na sexta história de O Exterminador Do Futuro, além de o reboot de As Panteras e a volta da jedi Rey (Daisy Ridley) para o Star Wars: Episódio IX.

A Roteiraria, escola que habilita roteiristas para cinema, novela, séries de TV e storytelling na publicidade, também destaca o protagonismo em seus projetos. Do total de 13 deles em desenvolvimento, 11 têm mulheres no papel principal, sendo 10 séries e 1 filme. Além disso, as salas de aula têm o público com predominância do público feminino: 50,3% dos alunos são mulheres e 49,7% são homens.

Na vida real, protagonistas atuam individualmente ou em grupo, como é o caso do coletivo criado pela produtora Conspiração – o Hysteria, o nome vem de "Hystera" ou "Hysteros", útero em grego e reúne conteúdos que não são, necessariamente, criados para e sobre mulheres, mas por elas. No Brasil, em 2018 o Ministério da Cultura (MinC) anunciou o primeiro conjunto de editais do programa #AudiovisualGeraFuturo, que tem entre seus objetivos "ampliar a participação no mercado de novos talentos e de realizadores negros, mulheres e indígenas".

As cotas de gênero e raça foram adotadas após divulgação do estudo feito pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) com base nos 142 longas-metragens brasileiros lançados nas salas do País em 2016. Segundo o estudo, apenas 19,7% desse montante foram dirigidos por mulheres brancas. Na questão racial, o cenário segue profundamente desigual: homens negros assumiram 2,1% da produção executiva enquanto mulheres negras não assinaram nenhuma produção sozinhas, participando apenas de equipes mistas. Nas obras incentivadas com recursos federais, apenas 21% tinham mulheres na direção e 28% no roteiro.

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