Dira Paes fala da personagem em E aí... Comeu? e diz como consegue conciliar cinema e TV

Atriz está na comédia E aí... Comeu? e em Febre do Rato, novo longa de Cláudio Assis.

18/06/2012 11h30

Foto: Marcelo Marques

Dira Paes: "Gosto de subverter as regras e isso sempre vai me levar a papéis desafiadores"

Uma das mais talentosas atrizes de sua geração, Dira Paes nunca se dispôs a conduzir a carreira respeitando a faixa de pedestres. Começou em 1985 no longa americano A Floresta das Esmeraldas, de John Boorman, e, dois anos depois, fez seu debut no cinema nacional em Ele, O Boto, de Walter Lima Jr. Daí em diante foi essencialmente cinematográfica, estrelando dezenas de filmes e chamando a atenção da crítica e do público com suas atuações sempre diversas e consistentes. Viveu de cinema quando muitos atores fugiam da tela grande e seguiu adiante atravessando a chamada "retomada" sempre em papéis que ajudaram a transformá-la num dos grandes nomes do cinema brasileiro.  Há oito anos começou a flertar com a TV e o sucesso se repetiu. Hoje, consegue a façanha de participar de novelas, séries e, paralelamente, estrelar quatro filmes num ano. Esta é a paraense de Abeatetuba Dira Paes, que volta às telas brasileiras esta semana em duas produções tão diversas quanto sua carreira: Febre do Rato, de Claudio Assis, e a comédia E aí... Comeu?, de Felipe Joffily. A atriz conversou com a reportagem do Cineclick em São Paulo em tarde de estrevistas para o lançamento de E aí... Comeu?

Estamos acostumados a vê-la fazer papéis fortes e desafiadores no cinema. A cosmopolita e comum Leila de E aí... Comeu? dá a impressão de ser um papel fácil para você.
A Leila realmente parece um papel simples diante de personagens mais complexos que fiz. Mas, na verdade, dá trabalho e exige atenção justamente porque é um lugar que eu não domino. E tudo que você não domina tem de estar mais atento. Eu procuro sempre buscar locais onde não estou confortável ainda. E acho que cheguei a uma Leila bem próxima do que eu imagino que seja uma mulher contemporânea.

Você acabou de estrelar a novela Fina Estampa, vai estar em Salve Jorge, de Glória Perez, na série As Brasileiras e nos filmes À Beira do Caminho, de Breno Silveira, e Sudoeste, de Eduardo Nunes, no segundo semestre. Como consegue conciliar cinema e TV?
A televisão é uma novidade pra mim e estou muito feliz em estar fazendo. Ela imprime um outro ritmo de interpretação. Eu no momento vivo um casamento perfeito. A TV não atrapalha minha carreira no cinema e estou conseguindo fazer as duas coisas. Você estar em filmes como À Beira do Caminho e Sudoeste, que são bem diferentes, e ao mesmo tempo ainda conseguir estrelar uma novela das oito é água e óleo, não se misturam. Mas esses trabalhos se complementam em minha carreira.

Os fãs da Dira Paes do cinema podem continuar esperando papéis desafiadores e densos com a Bela de O Baixio das Bestas?
Eu falo que sou uma 'jovem velha atriz' ou uma 'velha jovem atriz'. Tem muita coisa que eu ainda quero fazer no cinema. Eu comecei aos 15 anos, daqui a pouco vou poder até me aposentar. A insatisfação, a busca por desafios acaba sendo a mola-motora que te leva a buscar coisas novas. Esse período que estou vivendo é complicado para as atrizes porque restringe muito o número de papéis. Então você tem correr atrás do que quer fazer. Tenho uma facilidade muito grande de voar, mas mantenho um pé no chão que me deixa ancorada, no bom sentido. Eu não tenho medo de desafios, sou atirada, mas penso nos riscos, naturalmente, por causa do filho. Eu gosto de nadar contra a corrente, gosto de subverter as regras e isso sempre vai me levar a papéis desafiadores na telona. Essa geração que me assiste no cinema pode ficar tranquila.  

Foto: Divulgação

Atriz ao lado de Marcos Palmeira em cena da comédia E aí... Comeu?

Em que momento de sua carreira você sentiu que tinha conquistado o que almejou quando começou 27 anos atrás?
Relembrando tudo que já fiz eu não sei se teria fôlego para fazer tudo de novo.Eu vivi e vivo do cinema brasileiro desde o início de minha carreira. Na época de Dois Filhos de Francisco eu me senti muito plena, pois o público estava indo ao cinema ver o filme e, ao mesmo tempo, eu fazia sucesso com a Solineuza de A Diarista, que eram dois personagens totalmente diferentes. Isso me deixou realizada. É um privilégio como atriz viver essa diversificação, mas ao mesmo tempo a cobrança é maior. Tenho de estar atenta à qualidade dos papéis que escolho fazer para não decepcionar o público, seja do cinema ou da TV. A popularidade do ator reverbera muito de acordo com a qualidade do trabalho.

Você, uma apaixonada pelo cinema brasileiro, o que sente quando vê um bom filme nacional não conseguir conquistar o público?
Eu sinto muita pena que as pessoas não tenham ido ao cinema assistir a Xingu, que não tenham ido ao cinema ver Heleno, por exemplo. Eu sinto pena pelas pessoas, que não tiveram a oportunidade de ver bons filmes, e também de quem investe neste cinema, que é um risco. É algo muito estranho um país dessas proporções com uma evasão de seu próprio cinema tão grande.


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