Divertida Mente: Alegria foi a emoção mais difícil de ser composta, diz Pete Docter

O Cineclick bateu um papo com premiado diretor e com o produtor Jonas Rivera

22/06/2015 17h23

Por Iara Vasconcelos

Se existe alguém que é "o cara" na Pixar ele é Pete Docter. Conhecido por dirigir um dos maiores sucessos do estúdio, o premiado Up - Altas Aventuras, além de estar envolvido nos sucessos Toy Story, Wall-e e Monstros S.A., o americano tem tanta moral que ganhou a alcunha de Docter Pixar.

Depois de fazer uma casa voar com a ajuda de balões, enquanto emocionava a todos com a amizade entre um velho ranzinza e um garotinho, ele volta às telonas com outra ideia mirabolante: Personificar emoções. Em Divertida Mente, a menina Riley se muda para São Francisco e encontra dificuldades para se adaptar à nova escola e ao início da adolescência. A medida que somos apresentados à vida da garota, conhecemos a torre de controle localizada em sua mente e comandada por cinco emoções: Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho.

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Além de ser uma máquina de boas idéias, Docter tem um jeito peculiar de ser que combina completamente com a Pixar, seu jeitão de "caricatura" e a forma super animada de falar são a prova viva disso. O Cineclick bateu um papo com ele e com o produtor Jonas Rivera, dupla que já trabalhou junta em Up!. Ambos falaram sobre o processo de criação dos personagens e a experiência positiva no Festival de Cannes, onde Divertida Mente foi aplaudido de pé.

De cara, Jonas revela: "Fiquei com medo. Nossa maior preocupação era que as pessoas não gostassem do filme, mas ele foi muito bem recebido".

O receio pode ter lá suas razões. A trama de Divertida Mente parece, a princípio, longe da realidade, mas sua inspiração veio de um membro muito próximo da família de um de seus realizadores: A filha de Pete Docter, Ellie.

"Eu comecei a perceber que, conforme a adolescência avançava, ela ficava cada vez mais introspectiva. Então comecei a me questionar: 'o que será que há em sua mente? Sobre o que ela está pensando? '", diz o diretor.

A infância de Pete também foi combustível para a trama: " Quando eu estava no quinto ano da escola, minha família se mudou para a Dinamarca, então eu fiquei perdido em meio a uma escola pública onde pessoas falavam uma língua que eu não entendia. Isso foi crucial na decisão de criar essa história", revela.

No longa, a Alegria é a emoção que comanda todas as outras, sempre tomando os devidos cuidados para que nada estrague os dias de Riley. Por ser tão importante na história, não é surpresa que ela tenha sido a personagem mais difícil de ser composta: "A Alegria é muito para cima, está sempre se movimentando por todos os cantos. Também tem aquele 'brilho' em volta dela, então tivemos que estruturar bem seu visual", afirma Pete.

E por falar em visual, as formas que compõem os personagens de Divertida Mente tem suas inspirações advindas de diversos lugares. Pete conta que tentou associá-las as características de sua personalidade: "A Tristeza é azul para remeter à expressão 'Feeling blue' (se sentir triste, em inglês). A Nojinho é verde e sua forma lembra o brócolis, um dos alimentos que a Riley odeia. Já o medo é meio nerd, alto e esguio, enquanto o raiva lembra mais um tijolo".

Divertida Mente

O time de dubladores da versão americana, composto por Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black, Phyllis Smith e Mindy Kaling, foi outro ponto elogiado pela crítica especializada. Mas na visão de Pete, o trabalho de Hader, que deu voz à tristeza, foi a chave para o bom desenvolvimento da trama.

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"Phyllis Smith foi primordial para a Tristeza. No início, nós pensamos que seria divertido ter um personagem extremamente exagerado, sempre chorando, mas isso não funciona bem. Mas Phyllis soube trabalhar bem esse jeito inseguro. A Tristeza é a emoção mais desenvolvida das cinco. Ela entende que a Riley precisa agir de forma diferente e a Phyllis soube expressar isso de forma magnífica", explica Docter.

Rivera contou um pouco do processo de escolha do elenco e revelou que Bill Hader, o Medo, foi o primeiro escolhido por eles: "Consideramos muita gente boa, mas claro que tínhamos uma lista de pessoas que erámos fãs. O Bill estava nessa lista e foi engraçado porque em um belo dia ele simplesmente apareceu lá na Pixar. Ele queria conhecer o local e disse ser muito fã do estúdio. Foi muita coincidência. Ele é um ótimo ator".

Visivelmente empolgados com o projeto, os dois esperam o melhor para o futuro de Divertida Mente e se depender das boas críticas, podemos estar diante de uma nova franquia da Pixar, mas ainda é cedo demais para dizer

Assista ao trailer:

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