Divertida Mente: Dublagem é crucial para sucesso das animações, diz equipe

Time estava animado para a grande estreia em uma animação da Disney.Pixar

18/06/2015 19h03

Por Iara Vasconcelos

Divertida Mente, nova animação da Pixar dirigida por Pete Docter, de Monstros S.A. e Up - Altas Aventuras, faz uma viagem pelo consciente humano a fim de entender como funcionam as emoções dentro da nossa cabeça, ou melhor, dentro da cabeça de Riley, garotinha de 11 anos que vê sua vida virar de cabeça para baixo após se mudar com seus pais para São Francisco.

A versão original conta com as vozes de Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black, Phyllis Smith e Mindy Kaling e foi bastante elogiada pela crítica estrangeira. Mas o time de dubladores brasileiros não deixa a desejar. Dani Calabresa (Nojinho), Mía Mello (Alegria), Otaviano Costa (Medo), Léo Jaime (Raiva) e Katiuscia Canoro (Tristeza) foram os responsáveis por "abrasileirar" a trama e proporcionar boas risadas ao público. Pudera, o elenco reúne o maior time de comediantes na dublagem de um filme. É diversão garantida

Durante evento em São Paulo, o Cineclick bateu um papo com o grupo e com o animador brasileiro Léo Santos, que esteve envolvido em projetos da Pixar como Valente e Universidade Monstros e volta novamente como artista de layout em Divertida Mente.

Para o elenco de dubladores, a maior dificuldade foi adaptar o texto aos padrões brasileiros e seguir o timing de cada narração. A comediante Katiuscia relembra: "Você precisa dar voz a um personagem que já existe, já tem uma personalidade definida pelo ator americano e você não pode fugir disso". Já Calabresa revela que o maior alívio é quando a personagem aparece de costas, pois não há necessidade de seguir o movimento dos lábios: "A coisa mais difícil é encaixar a fala na boquinha dela (a Nojinho). Quando tem uma cena em que o personagem está de costas, é uma comemoração geral. Aí a gente tem a liberdade de falar e criar o que quiser sem se preocupar com os movimentos que estão na tela".

Dani Calabresa

Mas o projeto não foi trabalhoso apenas para o time de vozes brasileiro. Léo Santos relembra os maiores desafios que ele e sua equipe enfrentaram durante a produção, principalmente na hora de personificar as emoções.

"Olhamos diversas teses, chegamos a uma que afirmava que os seres humanos possuem quatro emoções base e decidimos mudar para cinco. Todas as emoções são abstratas, então não tínhamos elementos do mundo real para ter como base. Foi um processo muito longo de pesquisa", contou.

E essa pesquisa aprofundada levou o animador a usar muitos elementos da linguagem live-action no filme. Segundo ele, grande parte do seu time tem experiência com longas desse tipo.

"Dentro da mente é como se fosse um musical da década de 1940, com uma câmera de estúdio. Já no mundo real, seria como uma câmera mais moderna, com técnicas de filmagem mais atuais", explicou.

A Experiência

Divertida Mente foi a primeira experiência em dublagem para todos eles, menos para o cantor e ator Léo Jaime que deu voz ao cachorrinho principal de Oliver e sua Turma. Ele relembra que a tentativa não foi tão bem-sucedida: "Fui demitido por ser lento demais. Na época, o diretor disse que eu demorava seis vezes mais que os outros atores".

Jaime também frisou as diferenças entre o processo antigo e o atual: "Antigamente, os filmes vinham em um rolo de fita e quando algum ator errava , era necessário rodar o rolo novamente desde o começo para regravar aquele trecho, não era que nem hoje".

Santos confirma a importância do processo de dublagem e explica que, durante a produção do filme, os personagens foram animados com base em uma dublagem temporária, muitas vezes feitas pelo próprio Peter Docter ou outros membros da equipe. Ele aproveitou para relembrar que a voz da estilista Edna Mode, de Os Incríveis, foi feita por Brad Bird ainda na fase de concepção do projeto e acabou indo para a versão final.

E a empolgação estava estampada no rosto de todos. Participar do projeto de um estúdio do nível da Pixar não é tarefa fácil, mas eles puderam contar com o apoio de pessoas muito especiais. O filho pequeno de Jaime, por exemplo, foi seu maior influenciador e torceu muito para que o pai conseguisse o papel de Raiva na produção.

O mesmo aconteceu com Mía Mello, que ainda recebeu um ultimato da filha: "Vai ter que cantar mais que Let it Go (canção do filme Frozen - Uma Aventura Congelante)", revelou a atriz em meio a risos. Mello também contou que se identificou muito com o papel: "Eu tive um encontro de almas com a minha personagem. Ela é muito parecida comigo, fala alto, rápido, está sempre animada."

Miá Mello

Já no caso de Dani Calabresa, a maior influenciadora foi sua criança interior. Obcecada pela Disney desde menina, dar voz à Nojinho foi um sonho de infância realizado: "Walt Disney é meu maior ídolo. Quando sai do teste liguei para minha mãe e disse 'acende uma vela'".

É claro que tínhamos que perguntar aos dubladores qual emoção seria a "comandante" em suas cabeças, o grupo foi unânime: A alegria. Após assistir Divertida Mente não nos resta nenhuma dúvida sobre isso.

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