Documentário defende atualidade de Gerson King Combo, o James Brown brasileiro

09/01/2010 10h03

Na música soul brasileira, existe um personagem que estourou nas rádios dos anos 70 e foi ficando de lado das paradas de sucesso com o declínio do estilo musical. Com seus gritos de “brother”, dança ousada, muito groove e um estilo que mais falava que cantava, influenciou de Alcione a Fernanda Abreu, de Zezé Motta a DJ Marlboro.

Finalmente, Gerson King Combo, o gênio da música soul, do balanço e da empolgação, ganha seu retrato cinematográfico. Viva Black Music conta a vida em Madureira (zona norte do Rio), o início como dançarino, a criação da banda Black Rio, o primeiro álbum (1977), a alcunha de “James Brown brasileiro”, as influências, a queda de popularidade, o redescobrimento e seus shows ao lado da banda Supergroove.


“Eu queria ressaltar que ele está na ativa”, afirma o diretor David Obadia, por telefone, ao Cineclick. O jornalista, publicitário e agora cineasta repete que Gerson King Combo não é um nome do passado, apenas a ser relembrado com nostalgia. É um músico do presente, um acontecimento pelas rodas por onde passa.

“Estava em um churrasco na casa do [ator e cantor] Serjão Loroza e o King Combo estava lá. Não fazia a menor ideia de quem ele era, só vi que ele chegou e roubou a cena”. Nos últimos seis anos, Obadia acompanhou shows, entrevistou dezenas de pessoas e tentou entender por que o personagem de seu filme era referência quando se fala de música soul e do orgulho negro, tão característico dos anos 70.

King Combo, hit na periferia e subúrbios cariocas, fez parte de um momento musical que incluía Tim Maia, Jorge Ben Jor, Hyldon, Wilson Simonal, Cassiano, Tony Tornado. Ajudam a reconstruir essa trajetória musical os depoimentos de Elza Soares, Marcelo D2, Jairzinho, Mr. Catra, Max de Castro, Leci Brandão, entre outros artistas. “Só não tem muita imagem de arquivo. Fotos, são muitas. Agora, vídeo... encontramos apenas duas fitas do programa do Carlos Imperial”. Mas nada que prejudique o visual colorido do longa e de seu personagem.

Por ser seu primeiro filme, David Obadia, claro, tem o sonho de assistir a Viva Black Music nos cinemas. Porém, sabe das dificuldades de conseguir retorno financeiro com documentários no Brasil. “Estou perto de conseguir um patrocínio para terminar a edição e penso em colocar o filme no YouTube. Quero que ele seja visto”. O filme não foi inscrito em leis de incentivo fiscal.

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