Conheça a dupla revolucionária dos filmes de ação

Chad Stahelski e David Leitch começaram suas carreiras como dublês

23/07/2019 15h18

Por Gui Pereira

Em meio a inúmeras franquias presente no cenário atual do cinema de Hollywood, uma dupla de cineastas veem chamando a atenção por criarem as mais loucas coreografias do cinema moderno: Chad Stahelski e David Leitch. Ambos começaram suas carreiras como dublês e conseguiram dar um salto para ocupar a cadeira de diretor.

Após anos trabalhando como dublês, Chad e David abriram a sua própria companhia, e coordenaram os maiores filmes de ação das últimas décadas, como: Jogos Vorazes, Rambo IV, Os Mercenários, Tron - O Legado e a trilogia Matrix. Stahelski, por sinal, era duble de Keanu Reeves. A dupla de diretores foi responsável por trazer ao mundo o universo de John Wick, que surgiu despretensiosamente nos cinemas em 2014.

Ao ler o roteiro do primeiro filme, Keanu Reeves logo pensou na dupla para elaborar as cenas de ação, e mal sabia que a dupla iria topar participar como diretores. O longa jamais foi pensado em virar uma franquia, mas acabou chamando a atenção pelo uso orgânico das cenas de ação e luta. O inesperado sucesso fez com que os produtores encomendassem uma sequência. Dessa vez, apenas Chad Stahelski sentou-se na cadeira de diretor, enquanto David Leitch também se aventurou sozinho atrás das câmeras no filme Atômica.

A cada filme lançado (que também inclui Deadpool 2), críticos e fãs ficam cada vez mais perplexos com as elaboradas cenas criadas nas tramas de seus projetos. Stahelski comandou John Wick 3 - Parabellum que já teve seu quarto capítulo confirmado pelos produtores. David Leitch, por outro lado, comanda o spin-off de Velozes E FuriososHobbs E Shaw, com previsão de estreia em agosto.

Apesar de advogarem a favor de efeitos práticos, a dupla acaba incorporando uma porção de CGI (Imagens Geradas por Computador) em suas produções – claro, consequência dos tempos em que vivemos. E, mesmo com a utilização de computação gráfica nas cenas de ação, os cineastas conseguem criar sequencias de tirar o fôlego, tudo devido a ampla experiência como coordenadores de dublês.

A migração de dublês para a cadeira de direção é algo muito raro, mas não inédito. Na década de 70, o experiente dublê Hal Needham se aventurou pela primeira vez como diretor no cult clássico 'Smokey and the Bandit '(lançado originalmente no Brasil com o nome Agarre-me se Puderes). Tudo começou quando Needham decidiu escrever um filme B de orçamento barato estrelando o cantor country e amigo Jerry Reed, e Burt Reynolds, maior estrela do cinema da época, leu uma versão do roteiro.

Mesmo achando o roteiro ruim, Reynolds topou participar do projeto para apoiar o amigo. Assim como Chad Stahelski era dublê de Keanu Reeves, Hal Needham era dublê de Burt Reynolds. Com a maior estrela do cinema a bordo do projeto, a Universal Pictures se interessou em bancar o filme em 5 milhões de dólares, um valor expressivo para a época. No decorrer da produção, a Universal acabou reduzindo o investimento inicial por duvidar das habilidades de Needham como diretor. Needham, por outro lado, não se abalou com a baixa, já que sua intenção inicial era trabalhar com um orçamento bem mais enxuto.

A história do filme é simples: um milionário contrata Bandit (Burt Reynolds) para transportar uma carga contrabandeada de cerveja Coors para uma festa na Geórgia. Durante os anos 70, alguns estados do Sul dos EUA não permitiam o transporte e a consumação da bebida, que estava se popularizando por não conter conservantes na sua fabricação. Justamente por isso, o transporte deveria ser o mais rápido possível, já que poderia estragar no trajeto. Bandit e seu parceiro Snowman embarcam então em uma jornada em alta velocidade pelas estradas americanas, só que pelo caminho eles são perseguidos pelo insistente xerife Smokey, interpretado por Jackie Gleason em seu papel mais icônico.

O diretor dizia que nunca se sentiu intimidado com a pressão do estúdio ou com a pressão de dirigir a maior estrela de cinema da década. Needham declarou por várias vezes que tinha confiança em seu trabalho e que, no mínimo, entregaria um filme divertido e empolgante. E foi o que ele fez, mesmo tendo uma quantidade limitada de carros para as mais elaboradas manobras de perseguição - Burt Reynolds destruiu mais de 12 Pontiac Trans Am durante as gravações.

As primeiras reações que o filme teve em Nova Iorque foram extremamente negativas e desentusiasmadas. Mas, após estrear nos cinemas, o filme se tornou um sucesso estrondoso, ficando somente atrás de 'Star Wars' nas bilheterias em 1977. Todo o "mid'west" e sul dos Estados Unidos abraçou a comedia de um jeito jamais visto até então nos cinemas. As críticas começaram a ficar mais amenas e ele acabou caindo nas graças do públcio, sendo até indicado para o Oscar de melhor edição. Curiosamente, Alfred Hitchcock afirmou que esse era seu filme favorito, fato que foi confirmado por sua filha em diversas entrevistas.

Hal Needham teve uma prolífica carreira como diretor de cinema durante o final dos anos 70 e toda a década de 80. Nos anos 90, o cineasta ficou encarregado de diversas produções para a TV que se passavam no mesmo universo de 'Smokey & the Bandit. Mesmo sem repetir o estrondoso sucesso de seu primeiro filme, o diretor sempre empolgou o público com sua mistura perfeita de comédia e ação. Needham ganhou dois Oscars: em 1987 um Oscar técnico por ter criado um carro com uma grua, utilizado até hoje, para criar cenas de ação; e em 2013 um Oscar honorário pelo conjunto da obra. Ele faleceu em 2013, aos 82 anos de idade.

Ainda nesse univeso, a dinâmica entre uma estrela de ação e seu dublê poderá ser vistas em breve no novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez Em... Hollywood. Brad Pitt e Leonardo DiCaprio interpretam um dublê e uma estrela de cinema, personagens que, de acordo com Tarantino, são levemente inspirados na dupla Reynolds-Needham. Burt Reynolds teria uma ponta no projeto, mas faleceu antes de gravá-la.

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