Duelo de Campeões: Melhor retratação do futebol no cinema completa 10 anos

Longa fala sobre a vitória dos Estados Unidos contra a Inglaterra na Copa de 1950

12/06/2015 18h16

Quem acompanha futebol e gosta de Copa do Mundo certamente já ouviu falar do Milagre de Belo Horizonte, jogo entre Estados Unidos e Inglaterra, que terminou com uma vitória inesperada do fraco time dos americanos contra os então poderosos europeus, por 1 a 0, pela Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil.

Para se ter ideia, essa partida tem um valor histórico muito grande, já que até hoje é considerada uma das maiores zebras do esporte. Sabendo disso, David Anspaugh dirigiu Duelo De Campeões, filme com Patrick Stewart e Gerard Butler, que completa 10 anos do seu lançamento e é até hoje uma das melhores retratações de futebol do cinema.

O Filme

Baseado no livro de Geoffrey Douglas, o longa exibe a narrativa de um repórter (Stewart), sobre a trajetória dos Estados Unidos até a famosa vitória contra os ingleses, mostrando desde o momento da seletiva dos jogadores até o apito final do juiz.

Duelo de Campeões

 

Com apenas indivíduos que apenas viam o soccer (maneira que a modalidade é chamada nos EUA) como uma diversão, o país resolveu fazer diversas seletivas para ver quem se mostrava apto para o jogo e interessado em largar seus empregos e famílias para realizar uma longa viagem até o Brasil. Quem se destaca nesses testes é o goleiro Frank Borghi (Butler) e os jogadores de linha Walter Bahr (Wes Bentley), Gino Pariani (Louis Mandylor) e o haitiano naturalizado americano Joe Gaetjens (Jimmy Jean-Louis).

A partir daí, cabe aos líderes do grupo, Borghi e Bahr, junto com o treinador Bill Jeffrey (John Rhys-Davis), convencer a todos que o país pode impressionar o mundo na tradicional competição.

O fato é que o longa, além retratar de maneira convincente o duelo que aconteceu no estádio Independência, também consegue ir fundo na hora de captar a verdadeira essência do futebol, que é justamente o elemento surpresa, que pouco acontece, mas que encanta os torcedores. Falo justamente do fato de um time de amador, sem habilidade técnica, conseguir vencer um rival bem mais qualificado e com o triplo do talento.

Além disso, Anspaugh não se demonstra tão obsessivo na hora de recriar os lances captais da partida. E isso é bom, pois deixa a trama mais emotiva, o que permite o espectador se envolver mais com a história e perceber o tamanho da grandeza do feito que é abordado.

Futebol x Cinema

Mas, afinal de contas, porque é tão difícil retratar o futebol no cinema. Verdade seja dita: esse é um esporte difícil de se retratar, pois lida com muitos detalhes e jogadas complexas. É muito difícil reproduzir um lance exatamente da mesma do original. No documentário Pelé Eterno, por exemplo, há uma tentativa de reproduzir em um vídeo de computação gráfica o famoso gol que o camisa 10 do Santos marcou no estádio da Rua Javari, em São Paulo, em 1959, contra o Juventus, onde ele chapelou três jogadores e mais o goleiro.

Por mais que a tecnologia seja avançada, ela não consegue ser 100% fiel a dinâmica do lance original, além de não repetir com exatidão o movimento do atleta. E para quem é apaixonado pelo jogo, isso é um fator importante, já que está na memória do torcedor a maneira exata que tal jogador bateu na bola e o lugar exato do chute no campo. Prova disso foi a chuva de crítica negativa das testemunhas que alegam ter visto esse lance do craque ao vivo. Vale lembrar que em 59 as partidas não eram transmitidas pela TV.

Boleiros

 

Alguns diretores até conseguiram driblar essa dificuldade, como Hugo Giorgetti no ótimo Boleiros - Era Uma Vez O Futebol. Mesmo sem mostrar muitas cenas de jogo, o cineasta abordou de maneira leve e divertida fatos que as pessoas nem imaginam que acontecem nos bastidores do futebol. Outro bom exemplo é O Casamento De Romeu & Julieta, de 2005, que prefere focar em um corintiano (Marco Ricca) que finge ser palmeirense para agradar o sogro (Luiz Gustavo), um palestrino fanático que até tem certa influencia no clube.

Pena que os bons exemplos acabam por aí. Há grandes filmes sobre basquete, beisebol e até hockey, mas, infelizmente, não podemos dizer o mesmo do futebol. E isso é ruim, já que se trata de uma grande paixão em vários lugares do mundo. Tomara que Duelo de Campeões ajude para que esse cenário mude.

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