"É bem intenso", diz Alexandre Aja sobre Predadores Assassinos

Batemos um papo com o diretor do longa que estreia no dia 26 de setembro

16/09/2019 20h10

Por Thamires Viana

Predadores Assassinos, terror estrelado por Kaya Scodelario e Barry Pepper, chega aos cinemas na próxima semana e já vem sendo descrito como um filme tenso e muito imersivo!

A tenebrosa história acompanha Haley, uma jovem corajosa que decide procurar por seu pai desaparecido durante um furacão na Flórida, mas ao encontrá-lo gravemente ferido, os dois ficam presos na inundação. Enquanto o tempo passa, ela e seu pai descobrem que o aumento do nível da água é o menor dos seus problemas.

Para saber mais sobre as filmagens, o clima do set e o que esperar do longa, conversamos com o diretor Alexandre Aja. Ele nos contou alguns detalhes importantes sobra produção, além de uma história curiosa sobre como foram filmadas as cenas com os animais que apavoram pai e filha no terror. 

Confira o bate-papo exclusivo:

CINECLICK: Como o filme foi apresentado para você?

ALEXANDRE: Procurava por uma história que me permitisse voltar para algo bastante assustador. Queria retornar para Viagem Maldita, um filme de alta tensão. Fiz algumas comédias, como Piranha 3D, mas queria fazer algo que realmente assustasse o público, que os deixasse impressionados, que criasse uma experiência imersiva para as pessoas. E estava lendo roteiros e livros e tudo mais, e recebi o roteiro de Predadores Assassinos. E com o roteiro veio a história desta jovem mulher que tem que salvar seu pai durante um furacão de categoria 5 na Flórida em uma área alagada, infestada por jacarés. Isso era exatamente o que eu precisava. Eu tive apenas que assinar e dizer: "Ei, vou fazer esse filme". Foi exatamente a combinação perfeita de elementos de sobrevivência e medo.

CINECLICK: Como foi o processo de gravação? Foi fácil?

ALEXANDRE: Nossa, foi muito fácil (risos). Estávamos dentro d'água todos os dias, com roupas de mergulho, vento e chuva. Você tem que perguntar aos atores! Olha, isso foi muito, muito difícil. Quando você faz um filme de sobrevivência você acaba fazendo um filme de sobrevivência dentro do próprio filme. E este foi exatamente o caso deste filme. Portanto, foi muito difícil e muito trabalhoso. Definitivamente aprendi muito com meus filmes anteriores, os quais tinham todos esses elementos: a água e a filmagem neste tipo de condição. Eu havia esquecido o quanto era difícil, então isso me levou a pensar: "Nossa, no que eu estava pensando quando escrevi aquela cena no meio da noite em meu lugar quentinho e confortável" (risos). E depois você acaba gostando tanto que tenho certeza que voltará a acontecer.

CINECLICK: E a preparação para as gravações?

ALEXANDRE: Todo filme precisa de muita preparação, ou seja, fazer um filme custa muito dinheiro, então você não tem tempo para refazer, experimentar e olhar. Você precisa saber exatamente o que está fazendo. Eu trabalho bastante no roteiro. O roteiro é a coisa mais importante do projeto. Também tem alguns esboços sequênciais, algumas listas de tomadas. Eu faço listas de tomadas para cada sequência. Realmente quero saber exatamente como vou fazer.

Cena do terror Predadores Assassinos

CINECLICK: Como é trabalhar com os atores em situações difíceis de gravação?

ALEXANDRE: É de extrema importância o trabalho com os atores nos bloqueios e na forma como eles vão ocupar o espaço. E especificamente quando uma parte do filme é em um espaço confinado ou em um local inundado onde eles estarão interagindo um com o outro, isso acaba sendo a chave para a cena ser acreditável ou não. Tudo o que eles (atores) disseram, eles sabiam, pois estava escrito no roteiro. Eu não poderia ter feito tal filme sem Kaya Scodelario e Barry Pepper. Eles eram absolutamente batalhadores. Quando eu perguntava: "Kaya, tem certeza sobre o trabalho? Você sabe o que vai acontecer?", ela dizia: "Sim, quero fazer esse filme para mostrar ao meu filho o quanto posso ser durona". E ela foi definitivamente durona.

CINECLICK: Como colocaram jacarés no set?

ALEXANDRE: Vocês verão quando o filme for lançado em vídeo, que tem uma excelente sequência de bastidores que mostra tudo, mas que são todos atores. Não havia nenhum jacaré de verdade no set. Eram apenas dublês vestidos em roupas de spandex verde, se arrastando na direção dos atores. Aquilo foi realmente assustador, de fato, mas não eram jacarés. Eram dublês segurando uma vara com uma cabeça de espuma, somente para interagir, e é por isso que foi incrível. Porque eles confiam em mim. Eles acreditaram que faríamos um filme que o resultado seria muito bom, onde os jacarés pareceriam tão reais, que todo mundo vai achar que eles eram jacarés verdadeiros no porão daquela casa, em volta da casa, dentro da casa... Todos eles interpretaram e seguiram em frente com o pensamento: "OK, vou fingir que esse mergulhador com sua nadadeira é um jacaré". E funcionou!

CINECLICK: Como foi trabalhar com cachorro no set?

ALEXANDRE: Seu nome verdadeiro é Cho Cho, e ela veio de Budapeste, e foi espetacular. Encontrar um cão treinado, que ficasse à vontade na água, fora da água e com turbina de vento é difícil. E foi muito bom trabalhar com ela, sabe? Você acha que geralmente é muito difícil trabalhar com animais, mas eu faria qualquer filme com esse cão. Ela era mágica.

CINECLICK: E o processo de criar tensão durante as gravações? Como funcionou?

ALEXANDRE: Eu queria que o filme fosse intenso. Queria que fosse tão intenso a ponto de você não conseguir pegar sua pipoca nem sua bebida de tão impressionado. Queria aquele tipo de filme que quando você vai assistir, você sente a temperatura subir dentro do cinema porque as pessoas estão realmente nervosas. E tudo isso pois faço parte do público antes de eu ser um cineasta, e o que mais gosto em um cinema é aquela experiência onde todos esquecemos que estamos juntos naquele local e apenas atravessamos a tela e estamos do outro lado, vivenciando a história. Então quando você faz esse filme, é como se você tivesse desenhando o esquema de um passeio, você sabe quando tem que descer, você sabe quando tem que dar um pouco de tempo para respirar, e quando você não tem que dar um tempo para respirar. E não acho que esse filme deixe muito tempo para respirar. Ele é bem intenso.

Cena de Predadores Assassinos

CINECLICK: O que o público pode esperar e como ele deve se preparar para assistir ao filme?

ALEXANDRE: Acho que eles terão que vir com seu equipamento completo de chuva para enfrentarem a tempestade (risos). Não, brincadeira! Mas é uma experiência cinematográfica bem divertida e assustadora. Há um motivo para filmes como esse fazerem tanto sucesso mesmo quando o cenário está repleto de Vingadores e Star Wars e outros grandes filmes. O motivo é que um filme como Predadores Assassinos lhe dá a sensação de uma experiência imersiva. Você estará naquela tempestade. Você estará naquele porão. Você tentará chegar ao telhado com a água subindo à sua volta e com o tempo passando e os jacarés sentindo-se cada vez mais à vontade e vindo na sua direção. O filme será assustador e você irá se divertir muito porque talvez você sobreviva.

CINECLICK: Como foi voltar a fazer um filme 100% terror?

ALEXANDRE: Foi muito legal retornar e fazer um filme de terror verdadeiro e direto. Realmente sinto e percebo que esse é o meu DNA. Tive o mesmo prazer em fazer esse filme quanto esperar atrás de uma porta e assustar alguém. Então, tudo é só diversão.

Predadores Assassinos chega aos cinemas no dia 26 de setembro.

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