Elenco e diretor falam sobre O Maior Amor do Mundo

30/08/2006 16h40

Cacá Diegues é um dos poucos diretores brasileiros que seguem ativos na produção cinematográfica há mais de 40 anos. Seu primeiro filme, Ganga Zumba, é de 1964. O Maior Amor do Mundo é seu 16º longa-metragem e marca não somente mais de quatro décadas de carreira, mas a volta de parcerias antigas, que marcaram o cinema do diretor, como José Wilker, que faz parte do elenco de um filme do cineasta alagoano pela quarta vez. Sobre esta produção, o ator, diretor, parte do elenco e produtores do filme reuniram-se com a imprensa paulistana na segunda-feira (28).

Em O Maior Amor do Mundo, Wilker vive Antonio, astrofísico brasileiro que fez a carreira nos EUA e volta à sua terra natal para ser condecorado pelo governo. Mas esse não é o único motivo da viagem: com um tumor no cérebro, ele tem pouco tempo de vida. Ele decide, então, fazer as pazes com a infância nebulosa ao procurar o paradeiro de sua mãe biológica.

"É um filme instantâneo sobre a valorização dos instantes", define Cacá Diegues. O cineasta conta que a idéia inicial deste projeto surgiu ainda durante a produção de seu longa-metragem anterior, Deus É Brasileiro (2003). "A lógica do personagem é a mesma do que está morrendo em Deus É Brasileiro e sua construção foi pensada depois que o Wilker topou fazer o filme", conta. O processo todo durou dois anos, sendo que as filmagens aconteceram durante sete semanas, em 60 locações diferentes, no Rio de Janeiro. "Não filmamos mais do que quatro dias numa mesma locação", revela o diretor. "A filmagem foi dura, em locações difíceis. Por isso, tivemos um complexo trabalho de preparação e ensaio para que nada desse errado", continua. Em Orfeu (1999), outro filme dirigido por Diegues com locações na favela, foi construído todo um cenário para abrigar as filmagens. O mesmo não aconteceu em O Maior Amor do Mundo: a produção trabalhou dentro das próprias favelas cariocas. Inclusive, parte do elenco e produção é oriundo de projetos sociais que acontecem nas comunidades, como o Nós do Morro, CUFA (central Única das Favelas) e AfroReggae.

Esta é uma das poucas ocasiões na carreira de Diegues na qual escreveu o roteiro de um filme sozinho. Isso porque, apesar de não ser um filme autobiográfico, há muitas intenções pessoais nesta produção. "Eu não conseguia explicar a história a ninguém, então foi uma escrita instintiva", explica. "Nunca fiz um filme que não fosse pessoal, já que a própria escolha do tema já dá um aspecto confessional, mas, como se trata de um personagem da minha geração, coloquei um pouco de minha memória histórica no roteiro", conta Diegues.

O 16º filme do cineasta também marca a volta de algumas parcerias. O próprio Wilker define o tipo de relação que tem com Diegues: "Sinto-me seguro com o Cacá, sei que posso dar um salto mortal que ele vai me segurar." E completa: "Uma relação é boa quando as duas pessoas podem ficar em silêncio ao lado uma da outra, sem que os momentos de conversa sejam evitados, e é assim que funciona conosco." Além de ensaios e leituras coletivas do roteiro, ao lado dos outros atores do elenco, Wilker revela que precisou entrar em contato com profissionais de outras áreas que dessem um auxílio em relação à construção de seu personagem. "Para compor Antonio, tive dois encontros fundamentais: com o Drauzio Varella e o astrofísico Marcelo Gleiser", explica o ator. "Os dois me deram a visão do que é ser um astrofísico que tem a doença que Antonio carrega. A partir da informação que ambos me passaram, passei a enxergar o mundo como o personagem enxergaria."

O Maior Amor do Mundo tem nome de filme romântico, mas seu protagonista está à beira da morte (o que, para a maioria, é considerado um drama). Então, afinal, qual é o gênero desta produção? "Sem dúvida, é um filme triste, mas é otimista por encarar os pequenos instantes", explica Cacá Diegues. "Ele desperta tristeza e alegria, mas, no fundo, fala sobre a destinação à felicidade", continua Wilker. "De repente, o cara tem cinco dias para achar a felicidade de uma vida toda", conclui o ator.

A produção de O Maior Amor do Mundo custou R$ 7,5 milhões e estréia em mais de 100 salas de cinema no Brasil todo no dia 7 de setembro.

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