EXCLUSIVO: Quatro vezes indicado ao Oscar, Desplat comenta trilha de Harry Potter e A Árvore da Vida

Um dos mais procurados do cinema dos EUA e da Europa, músico francês está no Brasil para reger Orquestra Jazz Sinfônica

30/11/2011 06h30




Por quatro vezes o compositor francês Alexandre Desplat passou perto de abocanhar uma estatueta do Oscar como compositor. Em 2008, seu trabalho em A Rainha perdeu para Gustavo Santaloalla em Babel. Em 2009, foi um dos 13 indicados de O Curioso Caso de Benjamin Button a sair de mãos abanando – perdeu para A.R. Rahman, de Quem Quer Ser um Milionário?.

Em 2010, suas músicas para O Fantástico Sr. Raposo perderam para o carisma de Up – Altas Aventuras. Em 2011, nem a vitória de O Discurso do Rei nas quatro principais categorias ajudou a Desplat levar a sua também.

Para a edição de 2012 do Oscar, os trabalhos em A Árvore da Vida, de Terrence Malick, Harry Potter e as Relíquias da Morte, de David Yates, e Extremely Loud and Incredibily Close, de Stephen Daldry, colocam o músico de 50 anos como provável indicado à premiação da Academia. “Nunca se sabe, pois o Oscar pode ser um ser um senhor cheio de humores”, brincou em entrevista ao Cineclick. Desplat está no Brasil para apresentar alguns de seus trabalhos para o cinema como regente da Jazz Sinfônica. O evento acontece no Sesc Pinheiros, em São Paulo, às 21h [veja detalhes no fim da matéria].


Ouça uma das composições de Desplat em Benjamin Button, indicado ao Oscar

Desplat começou compondo para curtas-metragens há 26 anos, passou a ser comentado fora do meio musical a partir da primeira parceria com Jacques Audiard em Regarde les hommes tomber (1994), mas é apenas quando George Clooney o convida para Syriana – A Indústria do Petróleo que Desplat deixa de ser um homem das sombras para o público de cinema.

No caminho, criou parcerias com Roman Polanski, Audiard, Stephen Frears e o próprio Clooney. “Sempre espero que uma relação de trabalho dure, pois é com o tempo que se cria a intimidade com o diretor, o que torna o processo criativo ainda mais desafiador”, avalia para, na sequência, desmistificar. “Mas eu aprendi a não esperar muito e ficar apenas satisfeito com uma única colaboração”.


Após quatro indicações, Desplat finalmente ganhou o Bafta por O Discurso do Rei

Substituir John Williams em Harry Potter 7

Desde que se tornou provavelmente o compositor de cinema mais requisitado na Europa e nos Estados Unidos na atualidade, Alexandre Desplat costuma trabalhar em três registros de filmes diferentes: dramas históricos/filmes de época (O Discurso do Rei, Cheri, Desejo e Perigo), histórias contemporâneas (O Profeta, Tudo Pelo Poder) e fantasias (Benjamin Button, A Saga Crepúsculo: Lua Nova).

“Busco compor para filmes diferentes de diversos diretores, o que mantém meu desejo e inspiração intactas”. Um marco da carreira recente de Desplat foi entrar em Harry Potter e as Relíquias da Morte. O músico parisiense pegou o bastão de ninguém mesmo que John Williams, autor das trilhas da franquia, criador dos temas de Star Wars e Superman - O Filme, colaborador de Spielberg desde E.T. – O Extraterrestre.

“Ele é um gênio que admiro desde a primeira vez que escutei as músicas de Star Wars. Ele é o último de sua linha de compositores, com uma destreza e inspiração com a qual ninguém pode competir”.

Além dos dois capítulos finais de Harry Potter e as Relíquias da Morte, Desplat também flertou com outro blockbuster adolescente, A Saga Crepúsculo: Lua Nova. Cutucado pela reportagem se as limitações narrativas do filme dos vampiros seria uma interferença na hora de desenvolver o andamento de sua trilha, Desplat discordou.

“A chave tanto dos projetos grandes quanto dos pequenos é O DIRETOR. É ele quem guia a mim e aos outros colaboradores. Se você tiver uma conexão forte com ele como eu tive com David Fincher em Benjamin Button e com Chris Weitz em Lua Nova, tudo fica mais fácil”.


Ouça a um preview do trabalho de Alexandre Desplat em A Árvore da Vida, premiado em Cannes

De todas as composições citadas ao longo do texto – muitas ficaram de fora, já que Desplat acumula 129 trabalhos para cinema (longas e curtas) e televisão –, faltou comentar uma: a escrita para a obra-prima A Árvore da Vida, que possivelmente vai esbarrar no que a Academia entende por “uso de composições históricas”, justificativa que eliminou Cartel Burwell, de Bravura Indômita, ou Clint Mansell, de Cisne Negro.

Sobre a parceria com Malick, o compositor comenta. “Terrence tem um conhecimento muito amplo de música e já no começo já mencionara o desejo de utilizar músicas do repertório clássico, como Bed?ich Smetana, Bach ou Mahler. Meu trabalho era criar uma série de peças que fluíssem pela narrativa como um rio'”.

No Brasil, o próximo trabalho a estrear contando com composições de Alexandre Desplat é Tudo Pelo Poder, dirigido por George Clooney, que entra em cartaz em 23 de dezembro.

Serviço

Alexandre Desplat rege Orquestra Jazz Sinfônica
Quarta-feira (30/11), às 21, no Sesc Pinheiros
Ingressos a R$ 16
Serão apresentadas as suítes dos filmes Harry Potter e as Relíquias da Morte, O Escritor Fantasma, Um Herói Muito Discreto, Moça com um Brinco de Pérolas, entre ouras

Conversando com Alexandre Desplat
Quinta-feira (1º de dezembro), às 20h30, no Sesc Pinheiros
O compositor vai palestrar comentando passagens de alguns de seus filmes

*Colaborou para a reportagem Paulo Gadioli.


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