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Fazer cinema é correr maratona, diz Vânia Catani, produtora de O Palhaço, candidato brasileiro ao Oscar

Em 10 de janeiro Academia divulga os indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
02/12/2012 16h27
por Roberto Guerra
Foto: Divulgação

Vânia Catani: "Vamos seguir fazendo escolhas pelos projetos que indiquem bons filmes."

Se no dia 10 de janeiro o filme O Palhaço for escolhido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a mineira Vânia Catani estará em Los Angeles dia 24 de fevereiro e poderá entrar para a história como produtora do primeiro filme nacional a faturar a tão sonhada estatueta. Sócia da Bananeira Filmes, Vânia faz parte da geração de profissionais que tem mudado o cenário da produção cinematográfica brasileira desde a Retomada.

Primeiros a investir tempo e dinheiro num projeto de cinema, produtores como Vânia têm se tornado personagens imprescindíveis desde o advento da Lei do Audiovisual, nos anos 90. Antes de O Palhaço amealhar prêmios e reconhecimento, foi ela que seguiu os diversos e burocráticos caminhos que levam um filme a ser realizado. Nesta entrevista, concedida com exclusividade ao Cineclick, a produtora fala do mercado brasileiro, dos desafios futuros e da profissão que ama e a levou a realizar um sonho de menina: conhecer o mundo.


Depois da chamada Retomada do cinema brasileiro o papel do produtor passou a ser cada vez mais importante no cinematográfico nacional. Quais a características que acredita serem essenciais a um bom produtor?

Amor a seu ofício, prazer na convivência com as pessoas e muita paciência com os tempos. Fazer cinema é correr maratona. Quem gosta de 100 metros rasos é melhor procurar outro caminho.

Coproduções são o caminho para a tão desejada independência financeira do cinema nacional? Há outra alternativa?
Não creio que esta deva ser a motivação pra gente coproduzir. Independência financeira não é fácil e há um tipo de cinema que não vai, não pode e não deve ser independente financeiramente nunca. Mas há caminhos, sobretudo com nossa atual situação econômica e o real interesse internacional por nós. Se nosso mercado interno começar a consumir o cinema nacional pra valer, podemos chegar a esta tão sonhada independência financeira. Mas repito: há um tipo de cinema essencial em qualquer país e em qualquer tempo que deve ser sim sempre subsidiado pelo Estado. 

Até onde é possível para um produtor antecipar o sucesso comercial de um filme? O Palhaço, por exemplo, não é um filme que poderíamos classificar como “comercial”, mas fez enorme sucesso de público. Como faz para equacionar isso?
Creio que mesmo os que se dedicam a esta quimera de adivinhar o que vai ser sucesso não acertam todas. No meu caso, não arrisco, mas adorei o sucesso de público do nosso O Palhaço. Na real, acredito mesmo que uma boa distribuição poderia levar muitos filmes como o nosso ao sucesso comercial. Não tenho a menor dúvida disso.

Foto: Divulgação

Ao lado de Selton Mello, nos bastidores de O Palhaço 

Com base em seu conhecimento em legislação cinematográfica aqui e fora do país, você diria que o Brasil está entre os países onde fazer cinema é mais fácil ou mais difícil?
Não é fácil porque dá trabalho, e muito trabalho. Mas não podemos nos queixar de um país que tem uma política audiovisual como a nossa. Quando falo fora quanto o FSA [Fundo Setorial do Audiovisua] da Ancine tem pra investir por ano no setor, todo mundo acha que errei a cifra. São valores impressionantes em qualquer lugar do mundo. Agora, tem a burocracia que, por vezes, enlouquece a gente. Mas por outro lado, não creio que seja boa ideia colocar US$ 500 milhões em nenhum lugar sem ver como ele está sendo aplicado. Te juro, a coisa que mais queria era resolver essa equação e sugerir à ANCINE uma alternativa entre o controle do dinheiro e a burocracia. 

O patrimônio de uma produtora é a cartela de filmes produzidos por ela. Como a Bananeira Filmes se posiciona no mercado em relação aos filmes que produz?
A Bananeira tem pouco mais de 10 anos e uns 12 filmes produzidos e coproduzidos. Nossa motivação sempre foi fazer bons filmes. Acredito que isso tenha valor. O Palhaço provou que dá para fazer sucesso comercial e filme bom ao mesmo tempo. Mas há outras maneiras de se aferir o sucesso. Alguns filmes são para sempre e o público deles também. Vamos seguir fazendo escolhas pelos projetos que indiquem bons filmes. É nesse caminho que pretendemos ampliar nossa cartela. E vamos começar a desenvolver projetos de TV também em 2013. Creio que nela também haja espaço para projetos de qualidade artística e técnica e alguém tem de fazê-los.

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