Flores Raras: Glória Pires e Bruno Barreto falam sobre o filme

Saiba mais sobre longa que mostra a relação entre poetisa americana e arquiteta brasileira

06/08/2013 15h34

Flores Raras não poderia chegar em um momento mais oportuno: essa foi a conclusão das atrizes Glória Pires, Miranda Otto e do diretor Bruno Barreto na coletiva de imprensa realizada ontem em São Paulo. Em meio à discussão fervorosa sobre o respeito à homossexualidade no Brasil, a obra traz uma história de amor entre duas mulheres com visão bem humanista, fugindo de estereótipos.

"O filme veio em um momento importante e desmistifica o universo gay ao mostrar um relacionamento comum", destacou a atriz Glória Pires, que interpreta a arquiteta Lota de Macedo.

A ideia de levar às telas a relação entre a poetisa americana Elisabeth Bishop e a brasileira foi de Lucy Barreto, mãe do diretor e produtora do longa, que comprou os direitos autorais do livro Flores Raras e Banalíssimas em 1995. Barreto e Hector Babenco não se interessaram em filmar na época.

Quando a atriz Amy Irving, ex-mulher do diretor, fez o monólogo Um Porto para Elisabeth Bishop, a história finalmente lhe chamou a atenção. "Vi Amy interpretando e comecei a me interessar. Fui ler o livro, as poesias. Tentei encontrar o ângulo da história, os motivos para contá-la". Para Barreto, o eixo da trama é a perda. A história de amor se desenvolve em torno da questão. "A vencedora vai ficando cada vez mais fraca e a alcoólatra mais forte por saber lidar com as situações", ressalta.

Bishop não é muito conhecida pelo grande público. E, para Miranda Otto, o filme foi feliz ao mostrar o processo de criação poética de uma maneira interessante e acessível por meio de uma personagem histórica tão envolvente.

"Foi uma experiência intensa. Não sabia muito sobre ela. Quando li o roteiro, escrevi para o Bruno dizendo que tinha amado essa mulher, essa trama, principalmente por ter papéis femininos fortes", destacou a atriz australiana, cuja última atuação foi no longa Guerra dos Mundos.

Flores Raras é todo falado em inglês. E Barreto acredita que Glória Pires se superou com a interpretação no idioma. "Antonio Banderas e Penélope Cruz, por exemplo, não deram certo em inglês. Até Marcello Mastroianni me disse que filmou uma vez e nunca mais o faria por não ter domínio da língua".

A reconstituição de época do Rio de Janeiro das décadas de 50 e 60 ganhou esmero da produção, assim como as cenas da construção do Parque do Flamengo, filmadas em um descampado da Barra da Tijuca e finalizadas por meio de computação gráfica.

Sobre a possível (e distante) comparação com seu clássico Dona Flor e seus Dois Maridos – em Flores Raras, a dançarina Mary Morse fecha um triângulo amoroso com as protagonistas -, o diretor levantou a questão fundamental: "Quem seria o Vadinho?"

O longa tem estreia prevista para 16 de agosto.

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