História do cinema nacional pelas franquias, astros e conquistas

Quando uma coisa é boa, é inevitável que você queira reviver - imergir em um universo, se apegar e ter a chance de mergulhar novamente naquilo

18/06/2020 16h50

Ir ao cinema é uma das principais atividades culturais não só no Brasil, mas no mundo. Alguém conhece uma pessoa sequer que odeie assistir a um filme nas telonas? No entanto, apesar dessa paixão, o que poucas pessoas sabem é a (grandiosa) história da sétima arte, sobretudo a do cinema nacional. Na 1ª parte do nosso especial - que você pode conferir clicando no link -, fizemos uma viagem histórica através das décadas, movimentos e gêneros que marcaram a cinematografia brasileira.

Agora, dando sequência aos trabalhos, você vai conferir:

- Franquias do cinema nacional

- Das telinhas para as telonas (e vice-versa): astros e produções que migraram da TV para o cinema

- Ganhando o mundo: o cinema nacional no exterior

- No topo do mundo: cinema nacional no Oscar

- Astros brasileiros que fizeram sucesso no exterior

Franquias do cinema nacional

 

Quando uma coisa é boa, é deliciosamente inevitável que você queira reviver. As franquias nos presenteiam com essa experiência, de imergir em um universo, se apegar e ter a chance de mergulhar novamente naquilo. Histórias que contam capítulos diferentes de uma comédia familiar, de um drama sócio-político que se desenrola sob diversas perspectivas, ou de um mundo imaginário que é cada vez mais surpreendente navegar.

No cinema nacional são vários os exemplos de franquias bem-sucedidas. São elas as responsáveis pelas maiores bilheterias e por levarem o maior número de pessoas às salas de cinema, seja por um quesito afetivo, seja pela curiosidade ou pelo hype criado em torno de suas narrativas. Franquia tem tudo a ver com comunidade, sob a perspectiva de quem produz - ao criar para todos os envolvidos uma família -, e sob a perspectiva de quem consome - ao gerar material quase que interminável para discussão sobre esses filmes.

Montamos um top 10 com as maiores franquias nacionais. Descartamos o período pré-Retomada — movimento que recuperou a saúde da sétima arte brasileira. Ela compreende do início dos anos 2000 até o começo de 2019 e o critério de avaliação é o público, com dados fornecidos pelo Filme B.

Confira o top 10:

1 - Minha Mãe É Uma Peça - O Filme


"Minha Mãe é uma Peça: O Filme" (2012) teve um público de 4,6 milhões de pessoas e "Minha Mãe é uma Peça 2" (2016) 9,32 milhões. Somados os dois, um total de 13,92 milhões de pessoas foram assistir aos longas. Lembrando que ainda tem o terceiro filme, lançado após esse estudo.

Na primeira semana de exibição, "Minha Mãe é Uma Peça: O Filme" assumiu a posição de principal bilheteria do ano para uma produção nacional. O filme dirigido por André Pellenz arrecadou um total de R$ 45,8 milhões. A recepção estrondosa garantiu uma sequência, que arrecadou mais ainda: aproximadamente R$ 124 milhões, tendo custado apenas R$ 8 milhões, além de alcançar 1 milhão de telespectadores em seu final de semana de estreia.

Em "Minha Mãe é uma Peça: O Filme", Dona Hermínia (Paulo Gustavo) não larga o pé de seus filhos Marcelina e Juliano (Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo). Um dia, após descobrir que eles a consideram uma mala, resolve sair de casa sem avisar para ninguém, deixando todos, de alguma forma, preocupados com o que teria acontecido.

No segundo longa, Dona Hermínia está de volta, desta vez rica, pois passou a apresentar um bem-sucedido programa de TV. Porém, a personagem superprotetora vai ter que lidar com o ninho vazio, afinal Juliano e Marcelina resolvem criar asas e sair de casa.

2 - Tropa De Elite


"Tropa de Elite" (2007) teve um público de 2,42 milhões de pessoas e "Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro" (2010) 11,2 milhões. Somados os dois, um total de 13,62 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

É o primeiro longa de ficção do diretor José Padilha, que anteriormente dirigiu o documentário Ônibus 174 (2002). Teve grande repercussão antes mesmo de seu lançamento, por ter sido o primeiro filme brasileiro a vazar na Internet. Um dos protagonistas do filme, o ator Caio Junqueira, chegou a declarar que, por mais que achasse a pirataria algo negativo, sabia que havia sido "por causa dela que o trabalho atingiu o público da televisão".

Uma pesquisa feita pelo Ibope chegou a estimar que mais de 11 milhões de pessoas teriam visto o filme pirata. Um fato curioso, mas que não impediu que o filme tenha sido um sucesso nas bilheterias: terminou o ano como sétima maior bilheteria de 2007 no Brasil, com um faturamento total de R$ 20 milhões.

O filme recebeu o prêmio Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim de 2008 e "Tropa de Elite" virou febre, o que garantiu uma sequência em 2010, com números tão expressivos quanto: "Tropa de Elite 2" conseguiu ser o filme nacional mais visto da história do país, quando chegou a marca de 10,7 milhões de espectadores, superando assim o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976). Esse desempenho permitiu que o ano de 2010 fosse o ano mais rentável para os cinemas brasileiros, pois ultrapassaram a marca dos 22 milhões de espectadores, alcançada em 2003.

Em "Tropa de Elite", é retratado o dia-a-dia do grupo de policiais e do capitão do BOPE, Nascimento (Wagner Moura), que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pela honestidade e honra ao realizar suas funções, se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam.

Em "Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro", Nascimento, agora coronel, foi afastado do BOPE por conta de uma mal sucedida operação. Desta forma, ele vai parar na inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Contudo, ele descobre que o sistema que tanto combate é mais podre do que imagina e que o buraco é bem mais embaixo. Seus problemas só aumentam, porque o filho, Rafael (Pedro Van Held), tornou-se adolescente, Rosane (Maria Ribeiro) não é mais sua esposa e seu arqui-inimigo, Fraga (Irandhir Santos), ocupa posição de destaque no seio de sua família.

3 - Até Que A Sorte Nos Separe


"Até que a Sorte nos Separe" (2012) teve um público de 3,43 milhões de pessoas, "Até que a Sorte nos Separe 2" (2013) 3,98 milhões e "Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final" (2015) 3,33 milhões. Somados os três, um total de 10,75 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

O longa é inspirado no best seller Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi. "Até Que a Sorte nos Separe" teve a melhor estreia de um filme brasileiro em 2012, com mais 322 mil ingressos vendidos em seu primeiro fim de semana. Naquele mesmo ano, vide a repercussão gigantesca, a Paris Filmes anunciou prontamente, não só uma, mas duas sequências para o longa. A arrecadação do primeiro filme foi de R$ 34,5 milhões; do segundo R$ 44,8 milhões; e do terceiro R$ 17 milhões.

Em "Até que a Sorte nos Separe", Tino (Leandro Hassum) é um pai de família que vê sua vida virar de ponta a cabeça após ganhar na loteria. Levando uma vida de ostentação ao lado da mulher, Jane (Danielle Winits), ele gasta todo o dinheiro em 15 anos. Tentando evitar que a esposa descubra a nova situação financeira, afinal ela está grávida do terceiro filho e não pode passar por fortes emoções, Tino se envolve em várias confusões para fingir que tudo continua bem. Para isso, conta com ajuda do melhor amigo, Adelson (Aílton Graça), e dos filhos.

No segundo longa, que se passa três anos depois, Tino e Jane estão mais uma vez em dificuldades financeiras. O saldo bancário do casal é salvo graças ao inesperado falecimento de tio Olavinho, que deixou uma herança de R$ 100 milhões a ser dividida igualmente entre Jane e sua mãe, Estela (Arlete Salles). Como o último desejo do tio foi que suas cinzas fossem jogadas no Grand Canyon, Tino aproveita para levar a esposa e dois de seus filhos para conhecer Las Vegas. Entretanto, ele se empolga com a jogatina de um cassino e perde todo o dinheiro ganho na mesa de pôquer. Para piorar a situação, ainda fica devendo US$ 10 milhões a um capanga da máfia mexicana (Charles Paraventi), que deseja receber o dinheiro a todo custo.

No terceiro e último filme, Tino procura um emprego fixo, sem sucesso. Um dia, é atropelado pelo filho do homem mais rico do país. Ao acordar depois de sete meses em coma, se surpreende com a notícia de que sua filha e o rapaz estão apaixonados. Convidado para gerir as finanças da empresa do pai do genro, para gerar dinheiro que usará para bancar o casamento, Tino consegue o inimaginável: falir a empresa, a maior do Brasil - o que gera um colapso na economia nacional.

4 - Se Eu Fosse Você


"Se eu Fosse Você" (2006) teve um público de 3,64 milhões de pessoas e "Se eu Fosse Você 2" (2009) 6,09 milhões. Somados os dois, um total de 9,74 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

A bilheteria foi impressionante para a época: R$ 17 milhões. Com o sucesso do filme, houve uma continuação, "Se Eu Fosse Você 2", que é a segunda parte da história, logo após os eventos ocorridos no primeiro longa. A recepção foi maior ainda: custando apenas R$ 5 milhões, arrecadou durante todo o seu período de exibição R$ 84,4 milhões.

Em "Se eu Fosse Você", Cláudio (Tony Ramos) é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência, e é casado com Helena (Glória Pires), uma professora de música que cuida de um coral infantil. Acostumados com a rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, volta e meia eles têm uma discussão. Em uma delas, algo inexplicável acontece: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam reverter a situação. Porém para tanto eles terão que assumir por completo a vida do outro.

No segundo longa, Cláudio e Helena estão prestes a se separar, o que faz com que ele passe a morar na casa de Nelsinho (Cássio Gabus Mendes). Porém, após a primeira reunião do divórcio, eles discutem em pleno elevador e, repentinamente, trocam de corpos mais uma vez. Isto faz com que ambos tenham que viver a vida do outro, tendo por experiência o que ocorreu anos antes. Paralelamente há a situação de Bia (Isabelle Drummond), filha do casal, que está grávida e não sabe como contar aos pais.

5 - De Pernas Pro Ar 


"De Pernas pro Ar" (2010) teve um público de 3,56 milhões de pessoas, "De Pernas pro Ar 2" (2012) 4,79 milhões e "De Pernas pro Ar 3" (2019) 62 mil. Somados os três, um total de 8,42 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

O primeiro filme teve um custo de apenas R$ 5,5 milhões e arrecadou R$ 35 milhões, o que garantiu uma sequência quase que de imediata. Dois anos depois, chega aos cinemas o segundo longa, também com um custo baixo (R$ 6 milhões) e uma arrecadação maior ainda (R$ 50 milhões). De "Pernas Pro Ar 2" ultrapassou a marca de quatro milhões de espectadores, assim fazendo com que a distribuidora Paris Filmes confirmasse a data de lançamento de uma nova sequência. "De Pernas pro Ar 3" estava agendado para estrear em 2015, entretanto foi adiado para março de 2017. Foi adiado pela segunda vez, para dezembro de 2018. E pela terceira vez, com a data definitiva para abril de 2019. É o filme que menos faturou: R$ 24 milhões.

Em "De Pernas pro Ar", Alice (Ingrid Guimarães) perde o emprego e o marido no mesmo dia. É quando ela passa a contar com a ajuda da vizinha Marcela (Maria Paula), que mostra que é possível ser uma profissional de sucesso sem deixar os prazeres da vida de lado. Para isso, vira sócia da nova amiga em um sex shop falido e descobre os prazeres dos sex toys.

No segundo filme, Alice continua trabalhando muito, mas sem deixar de lado o prazer sexual. Ela está bastante atarefada devido à abertura da primeira filial de sua sex shop em Nova York. Seu grande objetivo é levar para a América um produto erótico inédito, o que faz com que ela fique bastante estressada. Até que, durante a festa de comemoração pela 100ª loja SexDelícia no Brasil, Alice tem um surto devido ao excesso de trabalho. Ela é internada em um spa comandado pela rígida Regina (Alice Borges), onde conhece várias pessoas que buscam controlar suas obsessões e ansiedades.

Por fim, no último capítulo de Alice, a protagonista roda o mundo visitando os mais diversos países em uma correria interminável. Sem tempo para se dedicar à família, quem assume a casa é seu marido João (Bruno Garcia), que cuida dos filhos Paulinho (Eduardo Mello) e Clarinha (Duda Batista), de apenas seis anos. Cansada de tanta agitação, Alice decide se aposentar e entregar o comando dos negócios à sua mãe, Marion (Denise Weinberg). Porém, o surgimento de Leona (Samya Pascotto), uma jovem competidora, faz com que mude seus planos.

6 - Os Homens São De Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou


"Os Homens são de Marte.. E é pra lá que eu vou" (2014) teve um público de 1,8 milhão de pessoas e "Minha Vida em Marte" (2018) 5,33 milhões. Somados os dois, um total de 7,1 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

O primeiro filme, em termos de bilheteria, nem foi tão brilhante assim, mas se pagou: R$ 15 milhões. "Minha Vida em Marte", a sequência, teve a mesma base de custo (R$ 8 milhões), mas reuniu cifras muito mais interessantes: R$ 80 milhões.

No longa de 2014, Fernanda (Mônica Martelli), de 39 anos, trabalha organizando a cerimônia mais importante do imaginário feminino - o casamento -, mas é solteira. Forte devota do amor, a produtora lida com os mais diversos tipos de homem e reserva grande parte do seu tempo à procura do par perfeito.

Na sequência, Fernanda já está casada com Tom (Marcos Palmeira), com quem tem uma filha de cinco anos, Joana (Marianna Santos). O casal está em meio ao desgaste causado pelo convívio de muitos anos, o que gera atritos constantes. Quem a ajuda a superar a crise é seu sócio Aníbal (Paulo Gustavo), parceiro inseparável durante a árdua jornada entre salvar o casamento ou pôr fim a ele.

É interessante a relação dos títulos da franquia com a jornada da protagonista.

7 - Meu Passado Me Condena


"Meu Passado me Condena" (2013) teve um público de 3,17 milhões de pessoas e "Meu Passado me Condena 2" (2015) 2,64 milhões. Somados os dois, um total de 5,82 milhões de pessoas foram assistir aos longas. Lembrando que ainda tem o terceiro filme, lançado após esse estudo.

O filme de 2013 faturou R$ 18 milhões e teve boa aceitação do público, em um momento de explosão da carreira de Fábio Porchat, o que garantiu uma sequência dois anos depois. "Meu Passado me Condena 2" faturou o dobro: R$ 32,7 milhões.

No primeiro longa, Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) se encontram e é amor à primeira vista. Eles se casam um mês depois de se conhecerem e decidem viajar à Europa em um cruzeiro em lua de mel. Só que, durante a viagem, eles encontram seus antigos namorados, Beto (Alejandro Claveaux) e Laura (Juliana Didone), que hoje estão juntos e também passam sua lua de mel.

Já na sequência, a vida de casado apaixonado de Fábio e Miá cai na rotina quando, as diferenças, que não são poucas, precisam ser enfrentadas. Após Fábio esquecer o terceiro aniversário de casamento, Miá decide pedir um tempo. Quando o avô de Fábio, que mora em Portugal, o comunica que ficou viúvo, ele enxerga nesta viagem para o funeral uma oportunidade de salvar seu casamento.

8 - Os Normais - O Filme


"Os Normais - O Filme" (2003) teve um público de 2,99 milhões de pessoas e "Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas" (2009) 2,1 milhões. Somados os dois, um total de 5,18 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

O filme "Os Normais" agradou a crítica especializada em geral, tendo sido descrito como uma "surpresa positiva" daquele ano, além de ter "graça, simpatia e boa direção". O apelo de um dos casais mais famosos das telinhas fez com que uma sequência fosse encomendada, já que o filme nem fora tão bem assim nas bilheterias. O segundo filme seguiu a receita do primeiro - positivo na crítica e mal na arrecadação - e faturou R$ 8,5 milhões.

No primeiro longa, Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) estão prestes a se casar. Ela com Sérgio (Evandro Mesquita), ele com Martha (Marisa Orth). Ambas as cerimônias estão marcadas para a mesma sacristia. É lá que Vani e Rui se conhecem, quando ela lhe pede um pouco de arroz para comemorar o casamento que está para ocorrer.

Na sequência, Rui e Vani já estão completando 13 anos de namoro. Para evitar que o relacionamento deles entre em crise, o casal decide realizar uma grande fantasia. A intenção é apimentar o relacionamento, realizando um ménage à trois. Em busca da parceira ideal, eles sondam uma prima de Vani (Drica Moraes), uma bicampeã de kickboxing (Daniele Suzuki), uma bissexual (Cláudia Raia), uma francesa (Mayana Neiva) e uma garota de programa (Alinne Moraes).

9 - Carrossel, O Filme


"Carrossel: O Filme" (2015) teve um público de 2,5 milhões de pessoas e "Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina" (2016) também 2,5 milhões. Somados os dois, um total de 5,07 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

Baseado na novela homônima, que por sua vez foi inspirada na mexicana "Carrusel" (1989), o primeiro filme de Carrossel teve um custo de R$ 5,7 milhões e arrecadou surpreendentes R$ 27 milhões. O sucesso garantiu uma sequência com o mesmo termômetro, de público e arrecadação: 26,6 milhões.

No primeiro longa, em férias, os alunos da Escola Mundial viajam para o acampamento Panapaná, pertencente ao avô de Alícia. Lá eles participam de uma gincana organizada pelo senhor Campos, que faz o possível para que as crianças se divirtam. Entretanto, a chegada de González (Paulo Miklos) agita o local, já que ele representa uma incorporadora que pretende comprar o terreno do acampamento para transformá-lo em uma fábrica. Para atingir seu objetivo, González e seu fiel parceiro Gonzalito (Oscar Filho) usam de todos os artifícios possíveis, inclusive sabotar o acampamento e difamar Campos.

Na sequência, famosas por conta do sucesso do clipe de PanáPaná na internet, as crianças chamam a atenção de uma estrela da música brasileira, Didi Mel (Miá Mello), que decide convidar toda a galera da Escola Mundial para um de seus shows. No entanto, o que tinha tudo para ser uma ótima excursão ganha ares de filme de terror quando os vilões Gonzales e Gonzalito, recém-saídos da prisão, decidem sequestrar Maria Joaquina (Larissa Manoela).

10 - Xuxa E Os Duendes


"Xuxa e os Duendes" (2001) teve um público de 2,6 milhões de pessoas e "Xuxa e os Duendes 2" (2002) 2,3 milhões. Somados os dois, um total de 4,9 milhões de pessoas foram assistir aos longas.

Como já era comum em outros filmes da artista, "Xuxa e os Duendes" foi recebido negativamente pela crítica, no entanto, todos foram unânimes em dizer que representou um avanço em comparação com os anteriores, principalmente pelo fim do excesso de merchandising. O longa custou pouco (R$ 3,8 milhões - ainda assim, o maior orçamento da carreira da apresentadora) e ganhou bastante para a época (R$ 11,6 milhões), sucesso esse, que aliado à figura emblemática da Xuxa, garantiu uma sequência para o ano seguinte. "Xuxa e os Duendes 2" seguiu o mesmo termômetro, de público e bilheteria; também faturou na casa dos R$ 11 milhões.

No primeiro filme, Kira (Xuxa) é uma botânica que possui poderes mágicos, apesar de não saber a origem deles. Até que Nanda (Debby), uma garota de 10 anos, encontra preso em seu quarto um duende chamado Damiz (Leonardo Cordonis) e pede ajuda a Kira para libertá-lo. Logo elas descobrem que Damiz é o príncipe dos duendes e que foi sequestrado por Gorgon (Guilherme Karam), um ganancioso executivo que deseja comprar a casa da família de Nanda. Para ajudar a combater Gorgon, Kira resolve então entrar no mundo dos duendes.

O segundo capítulo da franquia, Kira precisa combater a poderosa bruxa Algaz (Betty Lago). Para isso, ela tem a ajuda de Epifânia (Deborah Secco), a bruxa do bem, do elfo Dáfnis (Thiago Fragoso) e ainda da Rainha Dara (Vera Fisher), a fada mãe.

Das telinhas para as telonas (e vice-versa): astros e produções que migraram da TV para o cinema


Mesmo no país das novelas, há quem tenha alcançado o auge trabalhando no cinema nacional e internacional. Abaixo, listamos alguns exemplos:

Wagner Moura


Esse é um exemplo clássico. Embora tenha participado de várias novelas, como "A Lua me Disse" (2005) e "Paraíso Tropical" (2007), os grandes trabalhos do ator foram no cinema: além de interpretar o icônico Capitão Nascimento na franquia "Tropa De Elite" (2007 e 2010), também participou de produções de peso como "O Caminho Das Nuvens" (2003), "Deus É Brasileiro" (2003) e "Elysium" (2013).

Rodrigo Santoro


Depois de fazer sucesso na pele de Diogo, na novela "Mulheres Apaixonadas" (2003), Rodrigo Santoro resolveu investir em sua carreira internacional. Em Hollywood, já participou de produções como "300" (2007), "O que se Espera Enquanto se Está à Espera" (2012) e "Simplesmente Amor" (2003). Por aqui, já participou de filmes como "Heleno" (2012), "Carandiru" (2003) e "A Dona Da História" (2004).

Júlia Rabello


A Úrsula, da novela "A Regra do Jogo" (2015), é só uma das dezenas de personagens da atriz Júlia Rabello. Antes de estrelar no romance, ela fez parte de filmes como "Os Homens São De Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou" (2014), "Copa De Elite" (2014) e "A Noite Da Virada" (2014).

Selton Mello


Selton Mello, depois de participar de novelas como "Sinhá Moça" (1986) e "Retrato Falado" (2000), teve participações emblemáticas em longas como "O Palhaço" (2011), "A Mulher Invisível" (2009) e "Meu Nome Não É Johnny" (2008).

Ingrid Guimarães


Ingrid Guimarães, depois de estrelar "Kubanacan" (2003) e "Sob Nova Direção" (2004-07), participou de filmes de sucesso como "De Pernas Pro Ar" (2010, 2012 e 2019) e "Loucas Pra Casar" (2015).

Fernanda Montenegro


Fernanda Montenegro, referenciada como a dama do teatro e figurinha carimbada em inúmeras novelas, tais quais "Sassaricando" (1987) e "Celebridade" (2003), é também uma das mais aclamadas atrizes da história do cinema brasileiro. Em 1999, tornou-se a primeira artista latino-americana e única brasileira, atuando em língua portuguesa, indicada ao Oscar de Melhor Atriz com "Central Do Brasil". Pelo papel, recebeu o Urso de Prata, no Festival de Berlim de 1998. Outro título que carrega é de ser a primeira brasileira a receber o Emmy Internacional de Melhor Atriz por "Doce de Mãe", em 2013.

Xuxa


Conhecida como "Rainha dos Baixinhos", Xuxa construiu o maior império de entretenimento infantojuvenil do Brasil.
Na década de 1980, apresentou na Rede Globo o programa diário "Xou da Xuxa"; e em paralelo, desenvolveu o "Bobeu, Dançou". Na década seguinte, comandou diversos programas, tais quais o "Paradão da Xuxa"; "El Show de Xuxa", na TV Argentina; "Xuxa Park", na Espanha (e no Brasil, nos anos 2000); "Planeta Xuxa"; e posteriormente um homônimo do "Xou da Xuxa", intitulado "Xuxa". No novo milênio, esteve à frente do "Xuxa Hits"; "Xuxa no Mundo da Imaginação"; "TV Xuxa"; e "Xuxa Meneghel", agora de casa nova: a TV Record.

Mas a apresentadora também fez imenso sucesso no cinema, se consagrando nas telonas com sua própria franquia. Ela participou de longas como:

- "Amor Estranho Amor" (1982);
- "Fuscão Preto" (1983);
- "O Trapalhão Na Arca De Noé" (1983);
- "Os Trapalhões E O Mágico De Oroz" (1984);
- "Os Trapalhões No Reino Da Fantasia" (1985);
- "Super Xuxa Contra O Baixo Astral" (1988);
- "A Princesa Xuxa E Os Trapalhões" (1989);
- "Lua De Cristal" (1990);
- "Xuxa Requebra" (1999);
- "Xuxa Pop Star" (2000);
- "Xuxa E Os Duendes 1 e 2" (2001 e 2002);
- "Xuxa Abracadabra" (2003);
- "Xuxa E O Tesouro Da Cidade Perdida" (2004);
- "Xuxinha E Guto Contra Os Monstros Do Espaço" (2005);
- "Xuxa Gêmeas" (2006);
- "Xuxa Em Sonho De Menina" (2007);
- "Xuxa e o Mistério de Feiurinha" (2009);
- "Porta Dos Fundos - Contrato Vitalício" (2016).

Trapalhões


O programa, comandado por Didi Mocó (Renato Aragão), Dedé (Manfried Sant'Anna), Mussum (Antônio Carlos Bernardes Gomes) e Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves) era formulado por várias cenas de alguns minutos, em que tomavam parte situações cômicas dos protagonistas, às vezes com um deles, dois, três ou mesmo com os quatro Trapalhões juntos. Os assuntos das cenas eram, por exemplo, os Trapalhões se opondo a inimigos - ou a si mesmos - em disputas, nas quais Didi e qualquer um dos três Trapalhões que estivessem do lado dele saíam vitoriosos em quase todas as vezes; eles pregando peças em outras pessoas e até em si mesmos; e os quatro cooperando para chegar a um objetivo comum.

Sua estreia na televisão ocorreu em 1966, na TV Excelsior; ainda teve uma rápida passagem em 1972 na TV Record, sob a chancela de Os Insociáveis; mas foi em 1975, que o grupo retomou o nome Os Trapalhões e começou a ser veiculado na Rede Tupi. Ao atravessar problemas financeiros, em 1977 foram parar na Rede Globo, emissora a qual tiveram maior êxito e duração. Um dos maiores fenômenos de popularidade e audiência no Brasil em toda a história, Os Trapalhões entrou para o Livro Guinness de Recordes Mundiais como o programa humorístico de maior duração da televisão, com trinta anos de exibição.

No cinema, o primeiro filme foi realizado em 1966 e contava apenas com a dupla Didi e Dedé. Com a formação clássica (que contava ainda com Mussum e Zacarias) foram realizados vinte e três filmes, entre 1978 e 1990. Sete filmes marcaram gerações e merecem destaque. São eles: "Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão" (1977); "Os Trapalhões Na Guerra Dos Planetas" (1978); "O Cinderelo Trapalhão" (1979); "Os Saltimbancos Trapalhões" (1981); "Os Trapalhões Na Serra Pelada" (1982); "Os Vagabundos Trapalhões" (1982); e "O Casamento Dos Trapalhões" (1988).

Angélica


A apresentadora começou na televisão aos 13 anos, na Rede Manchete, onde comandou os programas "Clube da Criança" (1987) e "Milk Shake" (1988); e participou da minissérie "O Guarani" (1991). O Grupo Manchete foi vendido e Angélica foi parar no SBT, estreando em 1993 o programa "Casa da Angélica"; em 1995, passou a substituir Gugu no "Passa ou Repassa" e na "TV Animal". O sucesso entre o público adolescente à levou para a Rede Globo, a qual apresentou "Angel Mix" (1996) e protagonizou a novela infantil "Caça Talentos". Em 1999, estreou o "Angel Mix Férias" e "Flora Encantada", mas foi nos anos 2000 mesmo que explodiu como âncora da "TV Globinho", "Vídeo Show" e "Estrelas".

No cinema, estreou em 1988 no filme "Heróis Trapalhões, Uma Aventura na Selva"; e no ano seguinte, participou de "Os Trapalhões Na Terra Dos Monstros". Na década de 1990, atuou em "Uma Escola Atrapalhada" (1990); "Simão, O Fantasma Trapalhão" (1998); e "Zoando Na Tv" (1998). No novo milênio, participou de "Xuxa E Os Duendes" (2001); "Um Show De Verão" (2004); e "Xuxa e o Mistério de Feiurinha" (2009).

Agora que passeamos pelos astros, vamos para as produções televisivas que migraram para o cinema? Destacamos:

"Meu Passado Me Condena" era uma série produzida pelo Multishow e que virou uma franquia de filmes em 2013, 2015 e 2019. "A Grande Família", série exibida pela Rede Globo, também ganhou uma versão cinematográfica em 2007. "Os Normais", sucesso televisivo estrelado por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, foi adaptado duas vezes para o cinema, em 2003 e 2009.

"Confissões De Adolescente", série exibida entre 1994 e 1996 pela TV Cultura e posteriormente pela Band, foi um estouro na época e se tornou um filme em 2013, com a mesma direção de Daniel Filho. A Rede Globo, entre 2002 e 2005, exibiu a série "Cidade Dos Homens", que dois anos depois, em 2007, ganhou sua versão cinematográfica.

"A Mulher Invisível" é um caso de contramão: primeiro teve um filme lançado em 2009 e, posteriormente, a Rede Globo lançou uma série que foi ao ar em 2011. "Se Eu Fosse Você" segue o mesmo exemplo: depois do sucesso de seus dois filmes (2006 e 2009), a Fox Brasil adaptou o longa para as telinhas em duas temporadas, transmitidas entre 2013 e 2015.

Por fim, não podemos deixar de citar o programa educativo "Castelo Rá-Tim-Bum", que marcou toda uma geração dos anos 1990 na TV Cultura. Em 1999, foi lançado "Castelo Rá-tim-bum, O Filme", com direção de Cao Hamburger. O longa é vagamente baseado na série de televisão, sem nenhuma continuidade de enredo e com a adição de novos personagens.

Ganhando o mundo: o cinema nacional no exterior


Se você chegou até aqui, já deu para perceber que o cinema nacional teve idas e vindas ao longo de sua trajetória, mas com as lições absorvidas nos momentos de quebra e de retomada, ele aprendeu a produzir excelentes filmes, esses que muitas vezes ultrapassam as nossas fronteiras e atingem o público estrangeiro, angariando indicações e premiações nos eventos mais importantes da indústria. Selecionamos alguns dos longas-metragens brasileiros que mais receberam destaque internacional, dos mais antigos aos mais recentes de nossa história.

O Cangaceiro (1953)


Escrito e dirigido por Lima Barreto, o filme que mostra a história do massacre do Capitão Galdino e o subsequente sequestro da professora Olívia, por quem ele se apaixona, foi uma das primeiras produções brasileiras a conquistar reconhecimento internacional. O longa-metragem ganhou o prêmio de Melhor Filme de Aventura e de Melhor Trilha Sonora no Festival de Cannes.

O Pagador De Promessas (1962)


Baseado na peça homônima de Dias Gomes, o filme de Anselmo Duarte é o único a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Trata-se da história dramática de Zé do Burro (Leonardo Villar), um homem humilde que tenta cumprir a promessa de carregar uma enorme cruz de madeira, mas que enfrenta resistência por parte da igreja local.

Pixote - A Lei Do Mais Fraco (1981)


O drama de Hector Barbenco mostra a realidade das ruas de São Paulo, nas quais crianças entram em contato com a prostituição, crimes e violência. O protagonista Pixote (Fernando Ramos da Silva) é levado para o reformatório juvenil e por lá a história se desenrola, mostrando o abuso dos guardas e do diretor da instituição. A produção foi indicada na categoria melhor filme do Globo de Ouro em 1982 e ganhou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro na premiação da Associação de Críticos de Nova York em 1981.

Cabra Marcado Para Morrer (1984)


O documentário de Eduardo Coutinho mostra a vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês assassinado em 1962. Na época de sua concepção, em 1964, a produção foi interrompida em razão do Golpe Militar, e as filmagens só foram retomadas e finalizadas 20 anos depois, contando com a mesma equipe técnica e personagens. Foi amplamente reconhecido pelo cenário cinematográfico internacional, recebendo prêmios no Festival de Berlim.

O Beijo Da Mulher Aranha (1985)


Mais um sob a direção de Hector Barbenco, a co-produção entre Brasil e EUA com atuação de Sônia Braga recebeu vários prêmios, em especial os direcionados ao ator norte-americano William Hurt. Ele ganhou um Oscar de Melhor Ator e recebeu também as estatuetas pelo mesmo título no Festival de Cannes e no BAFTA, premiação britânica. O filme conta a história de dois prisioneiros que desenvolvem uma improvável amizade.

Eu Sei Que Vou Te Amar (1986)


Estrelado por Fernanda Torres, o filme mostra a história de um jovem casal que resolve começar um jogo da verdade sobre tudo o que já lhes aconteceu, em uma espécie de psicanálise filmada. Ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, com apenas 20 anos de idade. O longa-metragem foi indicado à Palma de Ouro.

Carlota Joaquina - A Princesa Do Brazil (1995)


O longa-metragem protagonizado por Marieta Severo conta parte da história da monarquia portuguesa e a elevação do Brasil de colônia do império português a reino unido com Portugal, além de trazer referências à monarquia da Espanha. O filme foi um grande sucesso, percorrendo diversos festivais de cinema internacionais e acumulando um milhão e meio de espectadores ao redor do mundo.

O Quatrilho (1995)


Baseado no livro homônimo de José Clemente Pozenato, o filme traça a história de uma comunidade rural habitada por imigrantes italianos. A produção ganhou prêmios nas categorias de Melhor Atriz para Glória Pires, Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora no Festival de Havana. Foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O Que É Isso, Companheiro? (1997)


O filme baseado em fatos reais que conta com atuação do vencedor do Oscar Alan Parkin foi indicado na categoria Melhor Filme Estrangeiro do Oscar em 1998. Além disso, venceu o prêmio de melhor filme pelo público no American Film Institute e foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Trata-se da história do sequestro do embaixador dos EUA no Brasil, durante a Ditadura Militar.

Central Do Brasil (1998)


Isso mesmo. Mais uma vez mencionando Central do Brasil. A doce história de uma mulher que busca se reencontrar e a de um menino atrás de suas raízes é um dos melhores filmes nacionais, com exibições em consagrados festivais internacionais como o de Sundance e o de Berlim. São mais de 15 prêmios tanto para o diretor Walter Salles quanto para a protagonista Fernanda Montenegro, além de ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O Auto Da Compadecida (2000)


Ambientado no sertão nordestino e baseado na obra homônima de Ariano Suassuna, o filme que conta a história dos personagens João Grilo e Chicó foi um dos filmes nacionais de maior sucesso no exterior. A produção, dirigida por Guel Arraes, venceu o prêmio do Festival de Filmes Brasileiros em Miami, nos EUA, além de outros troféus de melhor atuação em eventos espanhóis.

Cidade De Deus (2002)


Mais um que voltamos a falar. Com direção de Fernando Meirelles, Cidade de Deus é uma das produções mais marcantes do cinema nacional, com amplo reconhecimento no exterior. Tratando de temas como violência, tráfico de drogas e estigmatização de favelas, o longa foi indicado ao Oscar 2004 nas categorias de melhor direção, melhor roteiro adaptado, melhor edição e fotografia.

Carandiru (2003)


Outra figurinha carimbada. O filme que aborda a então Casa de Detenção e seu massacre ocorrido em 1992, foi indicado a uma série de premiações internacionais. No Festival de Cinema de Havana, o diretor Hector Barbenco recebeu prêmios de voto do público e no Festival de Cartagena o longa recebeu a estatueta de Melhor Filme. A produção foi indicada à Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Cinema, Aspirinas E Urubus (2005)


O primeiro filme do pernambucano Marcelo Gomes foi muito bem recebido pela crítica internacional. Trata-se da história de um alemão no sertão nordestino, que fugiu da Segunda Guerra Mundial para vender aspirinas. A produção fez sucesso no Festival de Cannes e levou o Prêmio do Sistema Educacional Francês, além de passar pelo circuito internacional de diversos eventos importantes da indústria cinematográfica.

Tropa De Elite (2007)


Dirigido por José Padilha, o filme foi amplamente aclamado tanto pela crítica nacional quanto pela internacional. A produção foi premiada como Melhor Filme tanto no Festival de Berlim, quanto no Festival Hola Lisboa.

O Palhaço (2011)


A história do palhaço Benjamin durante os anos 1970 encantou o público. O filme, dirigido e protagonizado por Selton Mello, recebeu premiações no Festival Internacional de Tiburon e no Prêmio de Cinematografia ABC, além de ser indicado a melhor produção no Festival de Chicago.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)


A história de um estudante cego em busca de liberdade e do amor é uma das produções brasileiras de maior reconhecimento internacional. O filme venceu prêmios nos festivais de Berlim, Guadalajara, Nova York e São Francisco.

Que Horas Ela Volta? (2015)


O drama protagonizado por Regina Casé participou da corrida do Oscar representando o Brasil e recebeu premiações nos festivais de Sundance, Berlim e Lima, além de amplo reconhecimento da crítica internacional.

Aquarius (2016)


A produção franco-brasileira, estrelada por Sônia Braga e dirigido por Kleber Mendonça Filho, conta a história de uma mulher que cresceu e passou toda sua vida no complexo residencial Aquarius, que é comprado por uma construtora que planeja demolir e reformar o edifício. Ela se recusa a sair e passa a ser assediada e desrespeitada de diversas formas. O filme recebeu premiações em Cannes, Sydney, Lima, Havana, Cartagena e Mar del Plata, além de ser muito bem avaliado pela crítica nacional e internacional.

O Menino E O Mundo (2016)


O filme de animação brasileiro foi exibido em mais de 80 países e concorreu na categoria de Melhor Animação do Oscar. Trata-se da história de Cuca, um menino que vive em um mundo distante e parte em uma jornada de autodescoberta. Além da indicação da Academia, a produção recebeu três prêmios no Festival de Annecy, na França.

Bacurau (2019)


Os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez com uma aura suspeita. Uma obra-prima de Kleber Mendonça Filho, conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2019.

No topo do mundo: cinema nacional no Oscar


A seção acima é sobre filmes brasileiros que marcaram presença nas mais diversas premiações ao redor do mundo. Essa é focada na maior de todas: o Oscar.

As categorias são bem variadas - você vai se surpreender com a quantidade delas! Confira:

Ary Barroso – Melhor Canção Original (1945)


A nossa estreia no Oscar foi com a música "Rio de Janeiro", de Ary Barroso. A canção era tema do filme norte-americano "Brazil" e disputou a estatueta de Melhor Canção Original. Acabou perdendo para "Swinging on a Star", de Jimmy Van Heusen, tema do filme "O Bom Pastor ".

Orfeu Negro – Melhor Filme Estrangeiro (1960)


"Orfeu Negro", do diretor Marcel Camus e com roteiro adaptado a partir da peça "Orfeu da Conceição", de Vinícius de Moraes, chegou a vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1960. Este prêmio ainda gera muita polêmica entre os cinéfilos, pois, apesar de se tratar de um co-produção entre Brasil, França e Itália, de ter sido gravado no Rio de Janeiro e de ser totalmente falado em português, a França foi representada pela estatueta, não o Brasil. Então essa é uma "quase vitória" do Brasil no Oscar, mas merece estar na lista.

O Pagador de Promessas – Melhor Filme Estrangeiro (1963)


O país passou a ter o seu próprio representante entre os Melhores Filme Estrangeiro em 1963, com "O Pagador De Promessas", dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça teatral homônima de Dias Gomes. O filme perdeu a estatueta para "Sempre aos Domingos", produção francesa dirigida por Serge Bourguignon. Em 2015, a obra entrou para a lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), ficando em 9º lugar.

Raoni – Melhor Documentário (1979)


Em 1979, foi a vez de outra co-produção ser indicada. A direção de "Raoni" foi assinada pelo belga Jean-Pierre Dutilleux e pelo brasileiro Luiz Carlos Saldanha - a dupla também escreveu o roteiro. Disputou a categoria de Melhor Documentário e mais uma vez não levamos a estatueta: o ganhador do ano nesta categoria foi "Scared Straight!", produção estadunidense dirigida e escrita por Arnold Shapiro.

El Salvador: Another Vietnam – Melhor Documentário (1982)


Também uma co-produção, teve a primeira mulher brasileira concorrendo ao Oscar. Dirigido pela cineasta Teté Vasconcellos e pelo norte-americano Glenn Silber, disputou para Melhor Documentário, no entanto, quem levou foi "Genocide", de Arnold Schwartzman.

O Beijo da Mulher-Aranha – Melhor Filme e Melhor Direção (1986)


Mais um filme co-produzido por brasileiros e estadunidenses e que gera discussão se representa ou não o Brasil no Oscar. "O Beijo Da Mulher Aranha" foi indicado, na verdade, a quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator. Nessas duas últimas, as pessoas que recebem a nomeação não são brasileiras – o roteirista Leonard Schrader e o ator William Hurt, que chegou a levar a estatueta para casa. Por isso, pode-se dizer que apenas nas categorias de Melhor Filme e Melhor Direção o Brasil foi representado – mas há quem discorde, pois o diretor Hector Babenco é um argentino naturalizado brasileiro.

Luciana Arrighi, "Retorno a Howards End" – Melhor Direção de Arte (1993)


Luciana Arrighi nasceu no Rio de Janeiro, mas sua nacionalidade é australiana. Como diretora de arte, concorreu três vezes ao Oscar e venceu em 1993, por "Retorno A Howards End". Em entrevista concedida ao G1 em 2018, Arrighi afirmou que o Oscar que ganhou "é um pouco brasileiro [...] Eu tenho certeza de que o Brasil me deu um brilho a mais".

O Quatrilho – Melhor Filme de Língua Estrangeira (1996)


O longa foi dirigido por Fábio Barreto disputou a estatueta de Melhor Filme de Língua Estrangeira. "O Quatrilho" perdeu para a obra "A Excêntrica Família de Antonia", da Holanda.

O Que É Isso, Companheiro? – Melhor Filme de Língua Estrangeira (1998)


Dois anos depois da indicação de "O Quatrilho", o Brasil volta a aparecer na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira com "O Que É Isso, Companheiro?". A direção é assinada por Bruno Barreto, e mais uma vez, perdemos a estatueta para a Holanda, com a obra "Caráter", dirigido e escrito por Mike van Diem.

Central do Brasil – Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (1999)


Um dos mais importantes filmes do cinema brasileiro, "Central Do Brasil" nos rendeu duas indicações ao Oscar: Melhor Filme de Língua Estrangeira e Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro. Dirigido por Walter Salles e escrito por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, infelizmente, o filme não levou nenhuma estatueta, mas a obra é um legado importante para o cinema nacional.

Uma História de Futebol – Melhor Curta-Metragem (2001)


"Uma História De Futebol" foi produzido e dirigido por Paulo Machline e, de forma ficcionalizada, conta passagens da infância de Pelé, narradas por um amigo de infância. A estatueta acabou indo para "Quiero Ser", de Florian Gallenberger.

Cidade de Deus – Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição (2004)


Outro filme que foi um marco para o cinema nacional, "Cidade De Deus" conquistou quatro indicações no Oscar, em 2004. Foi dirigido por Fernando Meirelles e escrito por Bráulio Mantovani. César Charlone concorreu a Melhor Fotografia e Daniel Rezende Melhor Edição. A produção não levou nenhuma das quatro estatuetas, pois "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" fez estrago naquele ano – foi indicado em 11 categorias e levou todas.

Carlos Saldanha, "A Aventura Perdida de Scrat" e "O Touro Ferdinando" – Melhor Curta-Metragem de Animação (2004) e Melhor Animação (2018)


2004 foi mesmo o ano do Brasil no Oscar, pois também fomos representados por Carlos Saldanha na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação. "A Aventura Perdida de Scrat" acabou perdendo a estatueta para "Harvie Krumpet". 14 anos depois, em 2018, ele recebeu sua segunda indicação, dessa vez na categoria de Melhor Animação (longa-metragem). "O Touro Ferdinando" perdeu o Oscar para "Viva: A Vida é uma Festa".

Lixo Extraordinário – Melhor Documentário (2011)


"Lixo Extraordinário" é uma co-produção entre Brasil, França e Itália, sendo dirigido por João Jardim, Lucy Walker e Karen Harley e acabou perdendo a estatueta de Melhor Documentário para "Inside Job", de Charles Ferguson e Audrey Marrs.

Carlinhos Brown e Sergio Mendes, "Rio" – Melhor Canção Original (2012)


Os dois músicos brasileiros concorreram ao Oscar com a música "Real in Rio", da animação "Rio". A composição também foi assinada pela americana Siedah Garrett. O trio perdeu o prêmio para "Man or Muppet", de Bret McKenzie, canção do filme "Os Muppets".

O Sal da Terra – Melhor Documentário (2015)


"O Sal Da Terra" segue os passos do renomado fotógrafo Sebastião Salgado, desde os seus primeiros trabalhos em Serra Pelada, até a produção da obra "Gênesis". O filme foi co-produzido por Juliano Salgado, cineasta e que é filho de Sebastião. Dessa vez, quem venceu a categoria foram Laura Poitras, Mathilde Bonnefoy e Dirk Wilutzky, com o documentário "Citizenfour", uma co-produção norte-americana, francesa e alemã.

O Menino e o Mundo – Melhor Filme de Animação (2016)


A direção e roteiro de "O Menino E O Mundo" são assinados por Alê Abreu, mas quem levou a estatueta de Melhor Filme de Animação foi Peter Docter e Jonas Rivera por "Divertidamente".

Democracia em Vertigem – Melhor Documentário (2020)


"Democracia Em Vertigem" acompanha, através do passado da cineasta Petra Costa e de gravações e entrevistas que ela realiza, a eleição de Lula em 2002 até o processo de impeachment de Dilma Rousseff, analisando a ascensão e queda do Partido dos Trabalhadores e a crise político-econômica do Brasil. Além de Petra, o filme foi co-escrito pelas brasileiras Carol Pires e Moara Passoni. Perdeu para o ótimo "Indústria Americana", de Steven Bognar, Julia Reichert e Jeff Reichert e produzido pelo casal Michele e Barack Obama.

Astros brasileiros que fizeram sucesso no exterior


Alguns atores e atrizes brasileiros abraçaram oportunidades de brilhar no mercado internacional. As portas estão cada vez mais abertas e essas pessoas representam perfeitamente o sangue talentoso do brasileiro.

Das telenovelas do horário nobre brasileiro, como "Gabriela" (1975) e "Dancin' Days" (1978-79), Sônia Braga foi catapultada para o show business internacional no fim dos anos 80, graças a filmes como "Gabriela, Cravo e Canela" (1983), em que contracenou com o italiano Marcello Mastroianni (1924-1996), e "O Beijo da Mulher Aranha" (1985), de Hector Babenco,. De lá para cá, estrelou filmes norte-americanos e participou de diversas séries, como "Sex and the City", "CSI: Miami", "Alias" e "Ghost Whisperer"

A sobrinha de Sônia, Alice Braga, seguiu os passos internacionais da tia e, entre seus trabalhos no exterior, estão os longas-metragens "Elysium", com Wagner Moura, "Ensaio Sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles, e "Eu Sou a Lenda", em que faz par com Will Smith. A atriz brasileira também está no elenco do filme "Novos Mutantes", da série "X-Men".

Rodrigo Santoro chamou a atenção do mundo ao brilhar em "Bicho de Sete Cabeças" (2001), de Laís Bodanzky, e acabou construindo uma carreira internacional, com participações em "As Panteras: Detonando" (2003), "Lost" (2004-10), "300" (2007), "300: A Ascensão do Império" (2014) e "Westworld" (2016-), ao lado de Anthony Hopkins.

Wagner Moura participou de "Rio, Eu Te Amo" (2014) e brilhou no Festival de Cinema de Berlim com "Praia do Futuro" (2014) - o filme chegou a ser indicado ao Urso de Ouro na Berlinale. Estrelou o filme "Elysium" (2013), "Trash: A Esperança Vem do Lixo" (2014), a série "Narcos" (2015-2017) e "Marighella" (2019).

Morena Baccarin tem no currículo participações nas séries "Homeland" (2011-), "The Good Wife" (2009-) e "The O.C.: Um Estranho no Paraíso" (2003-2007), "Gotham" (2015-2019) e do filme "Deadpool 1 e 2" (2016 e 2018), com Ryan Reynolds.

Responsável pela bem-sucedida franquia "Tropa de Elite" (2007 e 2010), José Padilha foi contratado para fazer a versão 2014 de "RoboCop", além de dirigir um dos curtas que compõem o longa-metragem internacional "Rio, Eu Te Amo" (2014).

Fernando Meirelles já está mais do que acostumado a dirigir filmes marcantes no circuito internacional. Depois de estourar com 'Cidade de Deus' (2002) — vencedor de 64 prêmios e indicado a quatro Oscars —, Meirelles fez "O Jardineiro Fiel" (2005), "Ensaio Sobre a Cegueira" (2008) e uma das partes de "Rio, Eu Te Amo" (2014).

Carlos Saldanha fez tanto sucesso com a franquia "A Era do Gelo" (2002) que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação por "A Aventura Perdida de Scrat", um "spin-off" do desenho protagonizado pelo esquilo atrapalhado. Produziu também a animação "Rio" (2011), da direção colaborativa de "Rio, Eu Te Amo" (2014) e "O Touro Ferdinando" (2018).

Além do clássico "Central do Brasil" (1999), Walter Salles fez filmes como "Diários de Motocicleta" (2004), "Água Negra" (2005), "Paris, Te Amo" (de 2006, como diretor de um dos curtas) e "Na Estrada" (2012).

 

COLABORAÇÃO E REPORTAGEM: LUCAS BICUDO


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