Jogos Vorazes: Analisamos o fenômeno das distopias adolescentes em Hollywood

Conclusão da saga de Suzanne Collins já é o filme mais esperado do ano

15/10/2015 18h48

Por Iara Vasconcelos

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final já é o filme mais aguardado do ano, segundo pesquisa da Piedmont Media Research. A predileção pela conclusão da saga escrita por Suzanne Collins ultrapassou até Star Wars: O Despertar Da Força, deixando muitos fãs de cabelo em pé. Mas qual será o segredo da saga para atrair tantos seguidores? Tudo o que sabemos é que ela é um dos exemplares mais fortes da fúria adolescente que domina Hollywood.

Pense bem, todas as franquias adolescentes a fazerem sucesso nos dias de hoje envolvem algum ato de rebeldia contra forças autoritárias: Além de Jogos Vorazes, Divergente, os filmes da série Maze Runner (e até Harry Potter, por que não?), todos fazem parte dessa nova brigada contra o mal.

Divergente

Muitos podem argumentar que se trata do bom e velho plagio, mas tudo isso pode estar intimamente ligado exatamente a busca de identidade própria que se manifesta nessa época de nossas vidas. No imaginário popular, a adolescência é automaticamente atrelada à rebeldia, afinal é nessa idade que buscamos questionar nossa realidade a fim de descobrirmos quem realmente somos e aonde queremos estar dali para frente.

O termo "teen angst", presente no vocabulário em inglês, é dirigido ao sentimento de angústia e raiva comuns na adolescência. A nova moda das distopias adolescentes deriva dessa sensação de revolta com a busca por uma identidade, ou seja, um grupo a pertencer. Não é à toa que essas produções costumam ter uma base de fãs bastante apaixonada. Por meio das redes sociais, esses jovens se reúnem para dividir seu amor por um (ou mais de um) filme, porém mais que isso, para criar laços com outros fãs que costumam ser da mesma faixa de idade.

Lembro que no início dos anos 2000, as FanFictions eram um dos principais hobbies desses grupos. A ideia era produzir histórias novas usando como base personagens de livros, séries, longas e até cantores. Um exercício da criatividade que chegou a render frutos na vida real. E.L. James, autora de Cinquenta Tons de Cinza, produziu sua obra com base em uma "fic" da saga Crepúsculo.

Mais afinal, quem seriam os vilões que esses jovens desejam lutar contra? Não necessariamente os fãs dessas franquias tem conhecimento político o suficiente para enxergar esse fenômeno como um futuro levante contra o sistema. Digo por experiência própria que na adolescência, não é incomum que pais e professores sejam vistos como sustentadores de uma hierarquia social injusta. Quem que nunca sonhou sair de casa e viver com suas próprias regras – mesmo sabendo que se arrependeria na primeira roupa suja ou macarrão instantâneo na refeição – que atire a primeira pedra. Dessa forma, esses filmes funcionam como uma utopia a ser alimentada pelos agitados hormônios adolescentes.

Apelo comercial

Arte de Jogos Vorazes


É inegável que essas franquias não fariam o mesmo sucesso se não tivessem uma dose de apelo comercial nelas. A rebeldia de boutique é bem mais polida e menos vulgar do que o mundo real nos apresenta. Além disso, esses filmes sempre contam com um romance como pano de fundo. Aquele amor que age como combustor para que os protagonistas consigam alcançar o tão almejado objetivo de derrubar seu opressor. Idas e voltas e as famosas "DR's" com direitos a muitas lágrimas são bem-vindas ao enredo.

Modismo legítimo?

Tudo bem, Jogos Vorazes e Divergente podem não ser um exemplar de anarquia, mas nem por isso o fenômeno que despertaram deve ser descartado de imediato. Não podemos esperar que os jovens fãs se tornem exemplos de cidadãos conscientes, talvez essa nem seja "a graça" que eles vêm nos filmes, mas é normal que ao longo da vida seus valores sejam postos a prova e que muitos erros ainda vão acontecer, mas se os jovens dos anos 60 tiveram o movimento Hippie e os dos anos 70 e 80 imergiram na contracultura e no DIY (Do it Yourself), porque vamos renegar a legitimidade desse desejo de rebelião?

Se o entretenimento está fadado a ser algo passageiro, é preferível que pelo menos uma mensagem consciente seja o foco desse "trend", nem que seja com prazo de validade.

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final acompanha a luta de Katniss Everdeen para libertar o povo de panem do tirano Presidente Snow.

Confira o trailer:

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