Luke Cage é o lado mais durão e maduro da Marvel

Personagem é o herói que nós merecíamos

20/09/2016 14h52 (Atualizado em 24/09/2016 15h34)

Por Iara Vasconcelos

"Sempre adiante, nunca para trás" esse é o lema que move toda a jornada de Luke Cage, um anti-herói (mas será que é anti mesmo?) que anseia por uma nova vida após ter sido vítima de uma experiência científica mal sucedida - que na série é substituída pelo eufemismo "habilidades" - na prisão, que o concedeu uma espécie de pele à prova de qualquer impacto e uma força fora do comum.

Cage fez sua estreia em Jessica Jones, outra série da Marvel produzida pela Netflix, e fez o público ficar impressionado com a imponente figura de Mike Colter. Agora, em sua empreitada solo, o ator americano confirma todas as boas impressões ao encarnar um protagonista profundo, multifacetado e, acima de tudo, humano.

Após assistir os sete primeiros episódios da série, fica claro que o título frequentemente empregado de "anti-herói" não faz jus ao personagem. Cage pode não fazer a mesma linha dos heróis perfeitos, limpinhos e exemplares, mas luta pelo que acha justo, protege os menos favorecidos e o povo do Harlem, é um Robin Hood sem grana, mas com muita disposição para dar socos.

No início, ele tenta não entrar em confusão, afinal, após todos os perrengues que passou na prisão, tudo o que ele quer é deitar a cabeça em paz no travesseiro. Por isso, ocupa seus dias entre um emprego na barbearia do bairro de dia e como lavador de pratos em uma boate à noite. Mas quando o vilão Cottonmouth aparece no pedaço, claramente fica impossível não se envolver, e diante de uma perda trágica, ele busca reparação e está disposto a enfrentar quem for.

Cottonmouth

O vilão Cottonmouth

Cottonmouth é um vilão que não faz concessões. Em uma das cenas, sem nenhuma cerimônia ele acerta uma bala na cabeça de um homem no meio de uma reunião. Ele é uma bomba relógio prestes a explodir quando contrariado. Em seu escritório, uma imagem de Notorious B.I.G revela também sua ligação forte com a cultura dos guetos nova-iorquinos.
E por falar em Harlem, é difícil separar a figura de cage do bairro que abriga toda a trama. Até a sequência de abertura é dedicada ao lugar. Com uma abordagem social moderna, a série trata dos confrontos entre gangues negras e latinas e da cultura dos guetos norte-americanos, desde o basquete de várzea, passando pelo hip hop - a presença massiva de Wu-Tang na trilha não deixa mentir. Não à toa, Cage é um dos melhores "heróis urbanos" da editora.

A cultura negra norte-americana em geral está ali, para ser celebrada. O roteiro coloca foco no movimento conhecido como Harlem Renaissance, responsável por trazer à cultura ao mainstream americano. A série se torna mais relevante ainda diante do cenário de violência policial nas comunidades afro-americanas. "Um homem negro à prova de balas", dá para ser mais simbólico que isso?

Só há uma pessoa capaz de tirar o foco de Cage em alguns momentos: Misty Knight. Ela rouba a cena como uma mulher forte, que toma a frente e resolve os problemas quando é preciso. É impressionante ver sua transformação de simples policial para uma heroína de peso. Rosario Dawson também ganha mais espaço como Claire Temple. O desenvolvimento da amizade entre ela e Cage é algo promissor e promete ter bastante peso na trama.

Se havia alguma dúvida sobre a capacidade da Marvel em transcender o que é proposto em seu universo cinematográfico, de imagens coloridas e piadinhas abundantes, Luke Cage consegue derrubá-la. A trama consegue ser bem mais reflexiva e séria, sem perder o seu "q" de Marvel.

Luke Cage estreia na Netflix em 30 de setembro.

Veja o trailer da série:

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