Luta Por Justiça: "1 em 9 pessoas condenadas à morte é inocente", diz Jamie Foxx

Ator contou sobre seu papel no longa

26/02/2020 15h30

Por Daniel Reininger

Luta Por Justiça é aquele tipo de filme baseado em uma história que simplesmente nos faz repensar muitas coisas. Na trama, Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) é um advogado que abre mão de uma carreira lucrativa para se dedicar a salvar prisioneiros condenados à morte injustamente. O longa conta com Jamie Foxx no papel de Walter McMillian, homem negro falsamente acusado de assassinato, mas que nunca teve uma defesa apropriada por conta do preconceito racial.

Conversamos com o ator para saber um pouco mais sobre o processo de criação desse filme intenso:

Como você ficou sabendo sobre Bryan Stevenson e como se envolveu no projeto?

JAMIE FOXX: Tudo aconteceu ao mesmo tempo. Acho que todo mundo deveria saber quem é Bryan Stevenson. Ele é tão leve, tão inspirador, tão eloquente, tão comovente, mas ele não alivia nada. Conhecê-lo foi especial, ir para o Alabama, ver o que ele faz, aquela rotina do dia-a-dia que é algo difícil. Ele tem a vida das pessoas em suas mãos. Ele me explicou em nossas duas primeiras reuniões que uma em cada nove pessoas no corredor da morte é inocente. Então, conhecê-lo foi incrível. E, é claro, também conheço Michael B. Jordan desde que ele pra criança.

E vou dizer o seguinte sobre Michael: ele é provavelmente uma das pessoas mais importantes, não apenas em Hollywood, mas no mundo. E o fato dele estar produzindo continua a maneira como escolhe seus filmes. Olhe para a Fruitvale Station - A Última Parada. Olhe seu personagem em Pantera Negra, não por causa do vilão dele, mas por causa do intelecto e da maneira como ele atua. Este filme faz sentido como próximo passo. Quando ele me pediu para embarcar e fazer o papel de Walter McMillian, eu não poderia estar mais feliz, mais humilde e mais pronto para trabalhar.

Bryan e Walter desenvolvem um vínculo forte. Você pode falar sobre como foi trabalhar com Michael e Destin Daniel Cretton para criar essa história?

JAMIE FOXX: Bem, como eu disse, conheço Michael desde criança, então já somos próximos. Definitivamente, confiamos nisso quando procuramos a ver como Bryan se aproximaria de Walter a fim de trabalhar juntos. E Destin é um jovem do Havaí, então o que eu tentei fazer foi passar a ele a minha experiência de vida. Eu cresci no sul, no Texas, então você pode imaginar que mesmo nos anos 80 havia a questão racial. Eu ainda amo minha cidade, amo minha educação, mas quando você mora no sul, isso faz parte de quem você é. Em lugares como Califórnia ou Nova York, isso ainda está lá, mas é mais secreto. Eu disse a ele que já sabia quem é esse personagem. Eu sei que, mesmo agora, como Jamie Foxx, quando estou andando na rua ainda há perigo. Então, levar tudo isso na minha mochila metafórica para o set foi o que deu vida a Walter McMillian.

E Bryan ajudou você a encontrar Walter?

JAMIE FOXX: Claro. Eu usei tudo. Usei Bryan. Por estar perto de Bryan, por ouvir como Walter era, por olhar através dos olhos de Bryan; eu podia ver Walter. Durante meus dias de na série In Living Color, aprendemos a imitar. Então eu usei esses músculos primeiro. Mas então transformamos o personagem na versão cinematográfica de Walter. E tudo parecia funcionar.

Quão difícil foi para os atores que interpretam os adversários de Bryan e Walter, que dizem e fazem algumas coisas bem repreensíveis?

JAMIE FOXX: Eles queriam dar o seu melhor desempenho e sabiam que, se não fossem venenosos, se não fossem sinistros na maneira como falavam e transmitiam as falas, não teríamos para onde ir. Então, para que você possa retratá-lo, você tem que agir dessa forma, mas eu acho que, ao conhecê-los, isso os incomodou. Mas acho que você flexiona seus músculos artísticos, entrega as falas da maneira que precisa e conta uma história. E é isso.

Você pode falar sobre Destin Daniel Cretton como diretor?

JAMIE FOXX: Claro. Destin é muito gentil, mas também particular. Sendo do Havaí e assumindo algo assim, onde o assunto é tão importante para nós, ele trouxe essa sensibilidade, sabendo que isso realmente significa muito para nós e, ao mesmo tempo, usando sua experiência para não sermos muito leves, nem muito pesados. Ele fez um trabalho fantástico. Quero dizer, eu nunca vou ver meus filmes, porque acho que sou supersticioso, mas eles disseram: "Você precisa ver isso". E, quando eu vi, apenas olhei para ele e disse: "Vamos lá, cara, você fez um trabalho fantástico".

O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros. Veja o trailer:


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