Marighella: As polêmicas em torno do filme

Longa dirigido por Wagner Moura e estrelado por Seu Jorge ainda não tem previsão de estreia

15/06/2020 17h00

Por Thamires Viana

Marighella, cinebiografia sobre Carlos Marighella, líder político e guerrilheiro que atuou durante a ditadura militar brasileira, tem histórias polêmicas por trás de seu lançamento.

A produção dirigida por Wagner Moura (Tropa De EliteNarcos) e baseada no livro "Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo", de Mário Magalhães, já foi adiada algumas vezes chegando a sofrer problemas com a verba e censura em solo brasileiro.

Censura e problemas com liberação de verba

O longa produzido e estrelado por Seu Jorge garantiu um sucesso estrondoso no exterior, rendendo prêmios na Itália e na Índia, mas ainda não pôde ser lançado no Brasil. Previsto para chegar em 20 de novembro de 2018, dia da Consciência Negra, Marighella teve sua estreia cancelada, o que gerou a indignação da equipe.

Em entrevista ao UOL, o diretor Wagner Moura disse ter certeza de que o adiamento foi causado por questões políticas. "É uma censura diferente, mas é censura, que usa instrumentos burocráticos para dificultar produções das quais o governo discorda. Não há uma ordem transparente por parte do governo para que isso aconteça, no entanto já vimos Bolsonaro publicamente dizer que a cultura precisa de um filtro. E esse filtro seria feito pela Ancine", disse à coluna do jornalista Leonardo Sakamoto. 

O filme Marighella estava na lista de solicitação de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. No entanto, meses antes da estreia marcada para novembro de 2018, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) negou os pedidos da produção para o lançamento no país. Em agosto de 2018, a agência negou uma solicitação de ressarcimento no valor de R$ 1 milhão que foram investidos pela produtora O2 na realização do longa, e recusou o pedido de adiantamento de verba para a comercialização do filme no Brasil.

Polêmica racial

Outra polêmica que tomou conta na época de lançamento dos primeiros materiais do longa foi devido a Seu Jorge assumir o papel do guerrilheiro. Carlos Marighella era negro, com um tom de pele mais claro, mas o colorismo gerou algumas críticas em torno do ator e cantor de pele retinta assumir o papel. 

Na época do lançamento do longa no Festival de Berlim em 2019, alguns internautas questionaram as falas de Wagner afirmando que o político era negro e comparando sua morte a da deputada estadual Marielle Franco. Em meio à polêmica, o biógrafo Mário Magalhães veio a público confirmando que Marighella, filho de uma baiana negra e de um italiano, era negro e sofreu episódios de racismo no final da década de 40.

Confira:

Marighella conta a história dos últimos anos do guerrilheiro que liderou um dos maiores movimentos de resistência contra a ditadura militar no Brasil, na década de 1960. Comandando um grupo de jovens guerrilheiros, Marighella tenta divulgar sua luta contra a ditadura para o povo brasileiro, mas a censura descredita a revolução.

Seu principal opositor é Lucio, policial que o rotula de inimigo público número um. Quando o cerco se fecha, o próprio Marighella é emboscado e morto - mas seus ideais sobrevivem nas ações dos jovens guerrilheiros, que persistem na revolução.

O longa ainda traz no elenco nomes como Adriana Esteves, Humberto Carrão e Bruno Gagliasso. Sua última previsão de estreia estava para o dia 14 de maio, mas foi adiado novamente devido à pandemia de COVID-19. Até o momento, Marighella não ganhou uma nova data oficial de lançamento no Brasil.

Confira o trailer oficial:

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