Mostra Clássicos e Raros exibe Boca do Lixo, chanchadas da Atlântida e filmes obscuros

21/04/2010 15h02

Reunir filmes raros (alguns nem tanto), organizá-los em uma mostra e realizar debates em torno do conjunto de produções nacionais, refletindo junto dos filmes é, com certeza, um feito importante para entendermos os diversos momentos do cinema brasileiro, sejam os mais famosos (Cinema Marginal) ou até mesmo produções engolidas pelo tempo.

Essa reunião de títulos e debates começa nesta quarta-feira (21/4), feriado de Tiradentes, em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil e Cinemateca Brasileira. Em Brasília e Rio de Janeiro, a Mostra Clássicos & Raros do Cinema Brasileiro II começa apenas em 11 de maio.

A abertura oficial é às 19h30, mas a primeira exibição ocorre já às 17h, no CCBB, com A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla, que traz Helena Ignez como uma mulher perturbadora e Jô Soares na pele do marido paspalho.

Nos filmes escolhidos, percebe-se o desejo de não deixar passar em branco momentos importantes da produção brasileira, como o Cinema Marginal e a Boca do Lixo. Entre eles, o segundo longa de Carlos Reichenbach como diretor, Lilian M: Relatório Confidencial; Damas do Prazer, do fotógrafo Antônio Meliande (e roteirizado por Carlão); sem contar o Cinema Novo, representado por Terra em Transe, de Glauber Rocha, e a Vera Cruz (um momento de produção, não estético) com Na Senda do Crime, de Flamínio Bollini Cerri.

De onde vieram esses filmes?

Mas há também uma parte da seleção que é, digamos... impagável, dignos da alcunha “raro”. A lista começa com E a Paz Volta a Reinar, Yoshisuke Sato, um retrato, a partir de um personagem ficcional, do sentimento japonês no Brasil após a Segunda Guerra Mundial.

A lista de raros mesmo continua com o curta-metragem de animação Macaco Feio... Macaco Bonito, do ilustrador Luiz Seel, produzido em 1929. Já Juventude Sem Amanhã é uma produção carioca pouco conhecida, de 1959, que externa o medo pequeno-burguês da “juventude transviada”, dirigida por Elzevir Pereira da Silva João Cezar Galvão. Na assistência de direção, um tal de Leon Hirzman.

Assim era a Atlântida

A Atlântida, companhia carioca fundada em 1941 e responsável por boa parte dos sucessos de bilheteria do cinema brasileiro dos anos 40 e 50, também não fica de fora da Mostra Clássicos & Raros do Cinema Brasileiro II.

Na seleção, talvez as duas melhores chanchadas do estúdio, ambas dirigidas por Carlos Manga. Nem Sansão Nem Dalila e Matar ou Correr, ambas de 1954. No elenco dos dois filmes, nomes como Oscarito, Grande Otelo, Cyl Farney, José Lewgoy.

Serviço

Mostra Clássicos & Raros do Cinema Brasileiro II
De 21 de abril a 16 de maio

CCBB de São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Informações (11) 3113 3651 / 3113 3652
Programação aqui
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) / R$ 2,00 (meia-entrada)

Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 (próxima ao Metrô Vila Mariana)
Informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
Programação aqui
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)


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