Mostra de SP: Bikini Moon é exercício técnico, mas é um filme desinteressante

Filme voltará a ser exibido nos dias 23 e 30

23/10/2017 16h00

Por Daniel Reininger

Bikini Moon, de Milcho Manchevski, diretor de Antes Da Chuva, fez sua estreia mundial na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e apresenta uma moradora de rua, veterana da guerra do Iraque, que alterna momentos de lucidez e loucura e intriga um grupo de documentaristas, que passam a seguir sua vida enquanto tentam ajudá-la.

Apesar de ser um dos destaques da Mostra deste ano, o filme não entrega a história intrigante que pretendia e sofre com atuações inconstantes, problemas de ritmo e narrativa que alterna momentos curiosos e situações desinteressantes.

O longa tenta discutir o descaso com veteranos de guerra nos EUA, as dificuldades de enfrentar problemas mentais, especialmente para pessoas em situação de rua, e o quanto o documentarista interfere na realidade do documentado, mostrando como é possível mudar numa história simplesmente por tentar retratá-la e esse é o aspecto mais interessante do longa, mesmo que explorado de forma confusa.

Com isso, o longa funciona mais como exercício de técnica e metalinguagem, afinal a narrativa é falha, os personagens desinteressantes e os clichês se acumulam do começo ao fim, colocando o espectador numa posição desconfortável ao abusar de momentos cada vez mais degradantes envolvendo Bikini.

Infelizmente, o longa carece também de reviravoltas e suas duas horas se tornam monótonas demais e fazem o espectador acreditar que está a muito mais tempo sentado na poltrona do que realmente está.

Por essas questões, o longa perde a chance de ser relevante como discurso e também como forma e se torna uma obra vazia, com relances curiosos, mas pouco realmente a acrescentar.

Se você ainda está curioso com o filme, ele voltará a ser exibido nesta segunda, 23, às 19h10 no Espaço Itaú - Frei Caneca e na próxima segunda, dia 30 de outubro, às 14h no Cinearte.

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