Mostra de SP: Paterson aposta na simplicidade do cotidiano

Longa conta a história de motorista de ônibus com veia poética

24/10/2016 15h54

Por Iara Vasconcelos

Após ser aclamado no Festival de Cannes, o drama Paterson chega para o público brasileiro na Mostra de SP. O longa do diretor independente Jim Jarmusch (Amantes Eternos) aposta na simplicidade do cotidiano e nos personagens carismáticos para contar a história de um pacato motorista de ônibus com uma veia poética, mas que prefere ficar no anonimato.

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Paterson, interpretado por um tímido Adam Driver (o Kylo Ren de Star Wars: O Despertar Da Força), é o mais comum que um homem pode ser. Mergulhado em sua rotina, todos os dias ele almoça no mesmo lugar, próximo a uma cachoeira, leva seu cachorro para uma caminhada noturna e bebe uma cerveja no mesmo bar.

Sua esposa Laura (Golshifteh Farahani) é o oposto de tudo isso. Mesmo ficando em casa o dia todo, ela sempre encontra uma forma criativa de passar o tempo, seja pintando as cortinas – com a sua combinação favorita de preto e branco – fazendo cupcakes ou aprendendo a tocar um novo instrumento. Apesar da clara diferença, os dois são extremamente apaixonados um pelo outro.

Paterson

Paterson é uma ode à rotina e as inspirações que o dia a dia pode nos proporcionar. O longa não conta com reviravoltas mirabolantes, mas sabe explorar os detalhes de seu cenário bucólico com muita sensibilidade, algo que vem se perdendo em meio ao show de efeitos visuais que tomaram conta de Hollywood. 

O filme forja uma câmera subjetiva e nos leva, ao longo de suas quase duas horas, a conhecer o mundo particular do personagem. Não demora para que, assim como Paterson, nós também nos peguemos prestando atenção nas conversas dos passageiros do ônibus e em todos os detalhes que compõem a paisagem de Nova Jersey. A trama parece se desenrola tão facilmente quanto a caneta no caderno de poesias do motorista.

Personagens como o indiano Donny (Rizwan Manji), que nunca está contente com a vida, e o dono de bar Doc (Barry Shabaka Henley) trazem alívio cômico para a trama. No final, eles são tão parte integrante da rotina de Paterson como qualquer outro elemento.

Paterson representa o lado analógico da vida, que ainda não foi tomado por smartphones e a cultura das celebridades e consegue fazê-lo sem pedantismos ou julgamentos morais. 

Programação:

Dia 27/10
21:40 - Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca 1

Dia 28/10
21:35 - Cine Caixa Belas Artes - Sala 1 Vila Lobos

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