Mostra de SP: Poderia Me Perdoar? é uma experiência imersiva

Longa é destaque na 42ª Mostra Internacional de Cinema e chega aos cinemas em fevereiro de 2019

30/10/2018 09h34

Por Thamires Viana

O que fazer quando sua voz não é mais ouvida? Para Lee Israel, falecida biógrafa americana, a oportunidade de migrar para algo ilegal e lucrativo foi a saída para muitos problemas pessoais e financeiros. Em sua autobiografia lançada em 2008, ela relembra o período de sua vida em que passou a forjar cartas de escritores famosos para vendê-las a colecionadores. É neste livro que Poderia Me Perdoar?, novo longa estrelado por Melissa McCarthy, se inspira para contar ao público os detalhes de uma história para lá de interessante. 

Com uma trama que mistura drama e pitadas de humor, a diretora Marielle Heller conseguiu trazer para as telas um filme que leva o espectador a embarcar nas artimanhas de Israel e a criar empatia pela mulher amargurada que perde as esperanças em recuperar a autoestima e o lado criativo. Conhecida por sua comédia dramática O Diário de Uma Adolescente, a diretora parece ter colocado os pés no chão e centrado suas técnicas em um trabalho maduro, que aborda um recorte da vida de Israel sem deixar incertezas no público.

+ A 42ª Mostra Internacional de Cinema começou em São Paulo; veja dicas

Além disso, é claro a liberdade dada para McCarthy em tela. Aqui, a atriz insere sua veia humorística em algumas cenas, contrastando a leveza de uma gargalhada em meio ao drama tenso que cerca a história. Fica evidente a preocupação de Heller em abordar os motivos que fizeram a mulher seguir para um caminho incorreto, evitando que a trama siga para o lado fútil daquela que passa a faturar uma bolada sem muito esforço. 

O roteiro escrito por Nicole Holofcener e Jeff Whitty é conciso e inteligente, principalmente quando insere Jack Hock, vivido brilhantemente pelo ator Richard E. Grant. Embora a trama se centre em Israel, o personagem, que é um grande amigo da escritora, se destaca com sua grandiosidade e importância para o decorrer da história. Hock é trabalhado e aprofundado de uma forma que não desvia as atenções da protagonista, e a amizade e sociedade entre os dois é um terceiro elemento bem construído.

McCarthy merece todo o merecimento por sua atuação. Até quem não curte suas comédias escrachadas, como é o caso de Tammy e A Espiã Que Sabia De Menos, vai se surpreender com o talento e determinação da atriz ao estrelar um drama tão intenso e profundo. Acostumada a arrancar risadas do público, aqui ela prova que possui mil facetas e que sabe arrancar lágrimas na mesma medida. 

Poderia Me Perdoar? é uma experiência agradável e imersiva que nos faz pensar sobre a força de uma mulher que usou e abusou da sorte só para recuperar a sua esperança e se sentir viva mais uma vez.

Nota: 10

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus