Mostra SP: Elenco e equipe emocionam em coletiva de A Vida Invisível

Karim Ainouz, Rodrigo Teixeira, Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Júlia Stockler, Gregório Duvivier e Maria Manoella conversaram com os jornalistas

21/10/2019 17h42

Por Thamires Viana

Integrando a programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, aconteceu na última sexta-feira (18) a coletiva de imprensa de A Vida Invisível, longa dirigido por Karim Ainouz que concorre à vaga na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2020 e que foi vencedor da seção Um Certo Olhar no Festival de Cannes.

Além da presença do diretor e do produtor Rodrigo Teixeira, o bate-papo com os jornalistas contou também com os atores Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Júlia Stockler, Gregório Duvivier e Maria Manoella. Na conversa, a equipe contou detalhes da produção que teve sua estreia adiada de 31 de outubro para o dia 21 de novembro

No longa, Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Júlia Stockler) são duas irmãs inseparáveis que moram com os pais em um lar conservador no Rio de Janeiro. Ambas têm um sonho: Eurídice o de se tornar uma pianista profissional e Guida de viver uma grande história de amor. Mas elas acabam sendo separadas pelo pai e forçadas a viver distantes uma da outra. Sozinhas, elas irão lutar para tomar as rédeas dos seus destinos, enquanto nunca desistem de se reencontrar. 

Durante o bate-papo, Carol revelou como foi o processo de construção de Eurídice: "Uma das coisas que me chamaram a atenção na personagem é que ela trabalha muito o silêncio. Ela sofre uma violência muda dentro daquele apartamento de classe média, então o maior desafio pra mim foi dizer uma coisa que não estava nas palavras. Me perguntava sobre como eu iria construir essa mulher que ao longo da trama vai se emudecendo, ficando cada vez mais curva, mais calada... Então estava um pouco além das palavras. Também me dediquei muito à prática do piano. Com certeza isso me ajudou a constuir o corpo, a musicalidade e os desejos da Eurídice", contou ela. 

Júlia, que vive a destemida Guida, contou o que mais a emocionou na missão de interpretar a personagem. "Ela foi construida pensando na força da mulher que vai além sem pensar nas consequências. Ela é uma revolução pra mim. Isso de criar uma nova ideia de família, ser mãe solteira e trabalhar em uma fábrica em pleno anos 50... É, sem dúvida, uma mulher sem medo. Construímos esse filme com muito amor e respeito", disse ela.

Fernanda, que vive Eurídice na terceira idade, usou seu bom humor de sempre e aproveitou para fazer piadas com Karim, arrancando risadas dos jornalistas quando contou mais sobre sua participação no longa: "Você faz a cena e ele diz "é isso". Quando ele volta depois de ter visto a cena rodada, você faz tudo diferente! Se você estava no chão, agora você vai para a cama, para a porta... Se você gritava, agora você fica contido, se o outro vem de 'pauleira' em cima de você, agora você vai para cima dele... Então com ele é assim. Cada vez que você volta para a cena, não é para apurar aquilo que talvez tenha sido definitivo. Não existe definição. Estamos sempre em estado de parto dizendo 'agora vai nascer, agora vai'. Mas isso dá um frescor. É uma aventura alimentadora. O cinema é uma viagem maior do que interplanetária", disse a veterana.    

Em seguida, Gregório também divertiu os presentes ao revelar que o figurino usado por Antenor, seu personagem, pertenceu a seu avô, além de brincar que aprendeu a bordar e costurar durante as gravações. "É um homem de outro tempo, mas também um homem muito atual. Eu usei as roupas do meu avô porque eu tinha guardado. A equipe de figurino falou 'será que você não tem roupas reais dos anos 50?' e nós só usamos as peças daquela época. Eu literalmente vesti os sapatos e as roupas de outra pessoa para entender o Antenor. Além disso, o set do Karim também era uma loucura, era uma catedral onde ninguém podia usar o celular. Eu até aprendi a costurar e a bordar, fiz bainha em todas as minhas calças. Foi maravilhoso, muitos aprendizados", disse o ator. 

Rodrigo e Karim encerraram o papo falando sobre as barreiras impostas pelo Governo que vêm sendo enfrentadas pela Ancine recentemente.

"Contestamos isso com educação e criatividade. Acho que a arte brasileira sempre contestou isso brilhantemente, é o que estamos fazendo neste ano e o que faremos nos anos seguintes. O cinema não para, ele sobrevive. A gente arruma uma forma de fazer, se tentarem nos censurar, iremos contra a censura. Se tentarem financeiramente, arrumaremos parceiros", disse Rodrigo. "A cada ano a gente produz filmes ainda melhores e conquistamos um público ainda maior. Sou otimista em termo criativos. Me recuso a pensar que o cinema possa entrar em xeque. Acho que só temos a ter mais exuberância daqui pra frente porque formamos um exército de artistas maravilhosos", completou Karim.

Baseado na obra de Martha Batalha, A Vida Invisível tem roteiro assinado por Murilo HauserInés Bortagaray e Karim Aïnouz. O elenco ainda traz nomes como Bárbara Santos, Flávia Gusmão, Antônio Fonseca Flavio Bauraqui e a estreia está marcada para o dia 21 de novembro.

Confira o trailer:

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