Mostra SP: Wasp Network é verdadeira bagunça cinematográfica

Com direção de Olivier Assayas, longa se torna uma experiência totalmente cansativa

21/10/2019 21h25

Por Thamires Viana

Baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, do jornalista brasileiro Fernando Morais, com direção de Olivier Assayas e elenco composto por Édgar Ramírez, Penélope Cruz, Wagner Moura e Gael García BernalWasp Network tem tudo para dar certo, mas infelizmente a realidade é bem diferente.

O longa que abriu a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo retrata a verdadeira história de espiões cubanos que fugiram em direção ao território americano durante os anos 90. Martinez protagoniza o longa como René González, piloto que rouba um avião e foge do país deixando para trás sua filha e esposa. Ele começa uma nova vida em Miami, enquanto outros desertores cubanos o seguem e começam uma rede de espiões em solo norte-americano. 

Assayas, que também assina o roteiro, parece não saber o que quer em seu filme. Seria abordar as fugas dos cubanos? As consequências de suas escolhas? A vida das famílias que ficaram para trás? Tudo isso espremido em 2h20 de duração? Acertou quem disse a última opção!

Dessa forma, Wasp Network torna-se uma grande mistura de cenas dispensáveis e direcionamentos múltiplos, confundindo ainda mais uma história que já é complexa por seu viés político. Em coletiva de imprensa realizada em São Paulo, o diretor revelou que sua vontade era abordar o drama dos desertores, mas ao mesclar a dramatização com a política, o francês não conseguiu aprofundar nenhum dos temas, o que deixou o longa maçante e repetitivo. 

O elenco acaba como um desperdício de atores de renome. Penélope, atriz que garante sempre ótimas atuações, não parece preparada para viver a esposa abandonada de René, enquanto Gael se torna um personagem pouco utilizado na trama. Wagner é outro ótimo ator que parece dispensável com seu personagem que some de uma hora para outra. Mesmo que protagonize o filme, Edgar não demonstra confiança em sua atuação, ao contrário do ótimo trabalho que fez em Carlos, longa que também tem direção assinada por Assayas.

Infelizmente, Wasp Network se perde quando tenta mostrar uma história interessante e com potencial para agradar. Deixando de lado sua verdadeira premissa, o filme é só mais um thriller de espionagem que escorrega na missão de mostrar espiões. É uma salada de drama e edição confusa que transforma suas 2h20 em uma experiência totalmente cansativa.

Nota: 3

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