"Não queríamos colocar ninguém como herói", diz diretor do filme sobre a Lava-Jato

Sequência do filme já foi confirmada

31/08/2017 11h51

Por Iara Vasconcelos

Depois de muitas polêmicas e pausas nas gravações, o longa Polícia Federal - A Lei É Para Todos, baseado na Operação Lava-Jato, finalmente chegará aos cinemas brasileiros. 

Em encontro com a imprensa, o diretor Marcelo Antunez e o elenco, formado por Flávia AlessandraBruce GomlevskyAntônio Calloni e Rainer Cadete, falou sobre a experiência de acompanhar os agentes federais que participaram da Operação e das polêmicas acusações de partidarismo e do patrocínio privado da obra.

Para compor o filme, Antunez afirmou que se inspirou em alguns longas Hollywoodianos com tom documental e investigativo que se destacaram recentemente: "Spotlight - Segredos Revelados tem tudo a ver com nosso filme, por ter essa pegada analítica e não ter apenas um personagem principal, mas vários em cena. Já A Grande Aposta tem essa agilidade de fatos que se assemelha muito também. Nós queríamos criar um thriller brasileiro que não soasse como uma imitação dos americanos".

O cineasta deixa claro que, apesar de ser inspirado em fatos, o filme continua sendo uma ficção: "Nos inspiramos nas personalidades de figuras reais, mas não em suas ações. A condução coercitiva de Lula, por exemplo, foi feita por um delegado diferente do que inspirou o personagem de Calloni. Isso aconteceu porque a rotação de policiais que participaram da operação foi muito alta e isso não funcionaria nas telonas".

Para os atores, conhecer o cotidiano dos policiais federais foi essencial para a composição dos personagens e a desmistificação de alguns pensamentos que eles tinham anteriormente.

"Foi incrível ver que eles são seres humanos como nós. Que erram, que têm família. Fiquei impressionado como eles têm um senso de ética forte. Como ator, eu gosto muito de provocar, então tentei de todas as formas arrancar algo deles, saber sobre a ideologia política de cada um, mas eles sempre deixaram claro que o importante era fazer a lei valer a pena para qualquer um", disse Calloni.

Já Flávia Alessandra, que encarnou uma delegada inspirada em Érika Mialik Marena, disse que se surpreendeu com o tom calmo da policial: "A Érika é um doce de pessoa. Tem um tom de voz muito calmo, até a sua respiração é diferente. Eu tinha essa ideia de que uma delegada deveria ser durona, mas percebi que podia trazer um pouco dessa feminilidade que encontrei nela".

Polêmicas

O longa estreia sob um cenário polarizado na sociedade brasileira, mas para o diretor Marcelo Antunez, o filme surge como proposta de uma discussão saudável:

"Não queríamos colocar ninguém como herói. Prefiro deixar as capas e as espadas para os quadrinhos. A intenção aqui é mostrar o cotidiano dos policiais federais como pessoas comuns. Minha maior preocupação foi com a liberdade que teríamos para fazer o longa, já que nossos investidores foram privados, mas tudo ocorreu como planejado".

A escolha de investidores privados para o projeto foi alvo de muitas críticas, principalmente porque as empresas patrocinadoras não tiveram seus nomes revelados. Antunez explica que a escolha foi puramente estratégica e comercial e que a não divulgação dos nomes tem a ver com uma cláusula das próprias empresas:

"Nós sabíamos que o filme receberia muita atenção da mídia e do público, então resolvemos buscar o patrocínio de outras fontes que não fosse públicas. Mas eu sou totalmente a favor de leis de incentivo. O cinema precisa disso para sobreviver".

Apesar de só estrear em 7 de setembro, a produção já teve a sua sequência anunciada. A ideia dos produtores é lançar uma trilogia, mas considerando que a Operação ainda está em andamento, o futuro parece imprevisível.

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