No Brasil, Andy Serkis promove Planeta dos Macacos e se diz frustrado com Oscar

Filme estreia no dia 3 de agosto

02/08/2017 12h15

Por Daniel Reininger

Andy Serkis, astro de Planeta Dos Macacos: A Guerra, participou de um evento em São Paulo para promover o filme, que estreia nesta quinta (3). Na produção dirigida por Matt Reeves (O Confronto), o ator volta ao papel de César, líder dos símios, que deve proteger sua raça na guerra contra as tropas do coronel McCullough (Woody Harrelson).

"Precisamos contar histórias e falar sobre a condição humana. Vivemos em tempos ideologicamente confusos e sabemos que a resposta para isso está na simplicidade. Esse filme é sobre a importância da empatia", destacou Serkis.
Conhecido por suas atuações envolvendo captura de movimentos, o britânico fala sobre a técnica, que para ele deve trabalhar a favor da interpretação. "É uma tecnologia. Não é um gênero", afirmou.

Ele também falou sobre as mudanças pelas quais a técnica passou desde que viveu o icônico Gollum em O Senhor Dos Anéis: A Sociedade Do Anel. "Antes, com Gollum, não tínhamos a habilidade de captar expressões faciais. A primeira vez que fizemos foi em King Kong (2005). A grande mudança foi com O Planeta Dos Macacos: A Origem: a interação entre atores era filmada apenas uma vez, sem necessidade de duplicar as cenas em um estúdio separado posteriormente", explicou o ator.

O ator ainda comentou sobre como as premiações ignoram as atuações por captura de movimentos, mas acredita que chegou a hora desses personagens serem reconhecidos. "É preconceito e ignorância não reconhecer os atores que trabalham com motion capture. Os membros mais antigos da academia se recusam a aceitar. Atuar é o que acontece no set, com outros atores. Basta ver as cenas de bastidores. Se eu me maquiasse as pessoas aceitariam melhor, mas como coloco um macacão cinza, eles não consideram. É frustante".

Coletiva Planeta dos Macados com Andy Serkis

"O tema desse filme e de todos os demais é empatia. Vivemos em um mundo em que as pessoas perderam a habilidade de se colocar no lugar do outro. E ainda assim é um grande entretenimento. Isso é o melhor de trabalhar numa grande franquia: poder trazer entretenimento e fazer as pessoas refletirem. Contar histórias é uma das formas de nos salvar", disse o ator. "O mundo está sofrendo com lideranças simplistas. É uma boa metáfora com os macacos. Não há vilões ou mocinhos por completo. Cesar é um personagem nobre, mas tem falhas. É cheio de ódio e raiva, mas é capaz de olhar nos olhos de quem quer matar e sentir empatia", conta o ator britânico

Sobre o novo filme, comenta: "Há uma sensação de estar vendo uma grande história, não tem nada de previsível. Todos sabemos que as sequências tendem a se repetir e isso não acontece em Planeta dos Macacos. Vai mexer com as pessoas emocionalmente, educar as pessoas a não serem tão julgadoras".

O ator ainda falou sobre as dificuldades de dar voz aos macacos. "No segundo filme tivemos o desafio de tornar crível que macacos falassem. Eles não construíam sentenças como nós, é como se procurassem palavras, um jeito próprio de falar, era o nascimento da língua. Há uma diferença entre os dois filmes em termos de articulação", explicou o Serkis, antes de demonstrar as diferentes formas de César falar.

O astro ainda citou Nelson Mandela como inspiração para o personagem, um líder que luta pela liberdade na obra. "Esse é um filme de guerra, mas todo bom filme de guerra é sobre as pessoas que sobrevivem. Também é como uma história bíblica, é a história de um Moisés procurando a terra prometida", comparou.

Veja o trailer do novo filme:

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