Novo Alien parece ser menos arriscado que Blade Runner 2

Neill Blonkamp e Denis Villeneuve podem ser os responsáveis pelas continuações

06/03/2015 18h20

Alien e Blade Runner, sem dúvida, são dois dos mais importantes títulos da história do cinema. Com um estilo inovador de contar uma trama de ficção científica, eles se tornaram grandes referências no gênero, o que o permitiram ganhar o respeito da crítica especializada e atrair grande número de fãs.

No começo de 2015, foi anunciado a produção de Blade Runner 2 e um novo filme do Alien (o quinto da franquia). O que parecia improvável aconteceu: duas grandes obras primas de Ridley Scott, que já estavam com suas tramas encerradas e completas, vão novamente ganhar as telas do mundo. É verdade que ambos os longas apresentam bons argumentos para a criação de uma sequência, mas será que há necessidade, mesmo depois de tanto tempo (Blade Runner foi lançado em 1982 e Alien – A Ressurreição, o último da franquia, em 1997), de fazer uma continuação?

No caso de Blade Runner talvez o timing já tenha passado. O longa é um dos melhores da década de 1980 e rapidamente se tornou um filme cult. Por estes motivos, é de estranhar que não se tenha feito uma continuação na época. Talvez a agenda lotada de Harrison Ford, que viveu Han Solo em Star Wars e Indiana Jones no mesmo período, tenha sido um dos motivos.

É verdade que vários cineastas tentaram de todas as formas emplacar a criação de um novo filme, mas nenhuma vingou. O fato é que essas várias tentativas frustradas devem ter irritando Ridley Scott, que anunciou que vai apenas produzir e não dirigir a sequência.

Desconfiança

Considerando alguns dos últimos trabalhos do diretor, como Prometheus (tentativa frustrada de trazer o Alien de volta) e Robin Hood, essa é até uma boa notícia para os fãs do original, já que esses longas citados não trouxeram grandes novidades, além de mostrar que Scott não vive o seu melhor momento como diretor. Uma nova pessoa no comando agora é benéfico, pois ela não vai se limitar e vai trazer coisas mais atuais para este universo.

Mesmo com pontos desfaroráveis, o retorno de Herrison Ford como Rick Decard ameniza a desconfiança e dá sinais que Blade Runner 2 não será um reboot, ou seja, a história também poderá ter seus elementos clássicos e deve continuar de onde parou.

Harrison Ford em Blade Runner

 

A possível confirmação da escolha de Denis Villeneuve, de Os Suspeitos, como diretor também pode ser um motivo de animação. Com uma carreira curta, o canadense já mostrou que é hábil em trabalhar com roteiros e conceitos complexos. Além disso, ele gosta de criar tramas com final aberto, o que o permite manter no ar a grande dúvida de Blade Runner (será que Deckard é um replicante?) e, ao mesmo tempo, criar outras teorias.

O filme original foi baseado no livro Será que os Androides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick, que também participou da realização da película de 1982. Para esta sequência, a base é sobretudo o filme, o que significa que um novo caminho terá que ser percorrido. O fato é que trazer coisas novas para qualquer ícone de cultura pop é sempre muito difícil, afinal, a principal missão de uma produção como essa é não comprometer o que já foi criado e, ao mesmo tempo, não decepcionar os fãs, que sempre se posicionam de maneira exigente. Esse será o maior desafio de Villeneuve.

Novo Alien

Como a produção do novo filme ainda nem começou (só tivemos algumas artes conceituais divulgadas pelo novo diretor, Neill Blomkamp), ainda é cedo para fazer qualquer previsão de como será a trama. Com a presença de Sigourney Weaver já confirmada, rumores apontam que o longa funcionará como uma continuação de Aliens, O Resgate, descartando os acontecimentos de Alien 3 e Alien - A Ressurreição. Isso é ótimo, pois os dois últimos longas da franquia foram fortemente criticados pela crítica e pelos fãs.

Sigourney Weaver em Alien

 

Assim como Blade Runner, o projeto também é cercado por desconfianças. No entanto, Blomkamp demonstra que está à frente de Villeneuve, já que tem uma estratégia mais definida em sua cabeça. "É algo do qual sempre quis fazer parte (franquia Alien). Com os anos, criei uma história que eu queria contar dentro desse universo. Daí, quando falei com Weaver sobre a experiência que ela teve nos longas anteriores, isso me moldou para algo diferente", comentou o cineasta em entrevista para a revista EW no mês de fevereiro.

Estratégia que pode ser tomada

Uma boa saída para os dois novos longas é fazer algo parecido com o que J. J. Abrams fez em Star Trek, de 2009. Sabendo da dificuldade de mexer com um ícone, ele se apoiou no melhor elemento da franquia e criou uma nova história em cima dele. Apesar de apresentar os principais personagens da nave Enterprise de outra maneira, ele resgatou o Spock de Leonard Nimoy, que acabou sendo o elo perfeito para unir as novas gerações.

Tanto Ripley quanto Decard podem seguir esse mesmo caminho. Claro que Blonkamp e Villeneuve não precisam fazer exatamente da mesma forma que o colega fez na aventura espacial, mas podem usar o mesmo conceito. Os personagens de Weaver e Ford não precisam ser necessariamente os protagonistas (até bom que não sejam, afinal essa é uma ótima oportunidade para expandir esses universos) e, sim, a pessoa encarregada de fazer a transição para um novo herói, assim como Nimoy fez com Zachary Quinto na aventura estelar.

Pelo cenário atual, Alien promete agradar mais que Blade Runner 2, principalmente por ser um projeto menos arriscado, afinal, já tem um histórico de sequências e seus últimos fracassos no cinema podem servir de lição para esse novo filme. O interessante é que, apesar de tratar de assuntos totalmente diferentes, as duas franquias vivem um momento parecido, pois ambas desejam provar para o público e para a crítica que ainda podem ter vida longa no cinema e atrair novas gerações de fãs. Vamos esperar para ver quem vai se sair melhor.

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