O Justiceiro, da Netflix, tem grande atuação de Jon Bernthal, mas não empolga

Série já está disponível no serviço de streaming

17/11/2017 12h15

Por Daniel Reininger

O Justiceiro, nova série da Marvel, começa de maneira brutal, como esperado. A introdução de Frank Castle (Jon Bernthal) mostra como o personagem é violento, mas logo somos surpreendidos ao ver que o anti-herói agora busca por uma existência pacífica.

O vigilante mais sádico de Marvel já apareceu diversas vezes nas telas, normalmente em filmes fracos. A Netflix decidiu fazer algo novo para melhorar a imagem do personagem nas telas e entrega uma história sombria, extremamente violenta e truncada. Para quem gosta do personagem, é uma melhora significativa, mas a realidade é que essa é outra série da Casa das Ideias que não consegue manter a qualidade inegável da primeira temporada de Demolidor.

Dito isso, Bernthal entrega uma atuação poderosa no papel do atormentado Frank Castle, ao retratar um homem completamente destruído pela perda de sua esposa e filhos. O ator é capaz de mostrar uma fúria absurda em determinados momentos, mas fica claro que ele é um homem vulnerável que está a todo momento tentado matar todos ao seu redor. A forma como é capaz de se mostrar humano e gentil em certos momentos deixam clara a confusão desse veterano traumatizado e reforça a qualidade do ator por trás do personagem.

Apresentado na segunda temporada de Demolidor, Frank Castle está de volta em um drama que mostra como ele é atormentado por seu passado militar. Além disso, ele continua a sofrer pela morte da família, cujo assassinato o espectador deve continuar revivendo em flashbacks bde forma opressiva e incômoda. A trama acompanha um mistério em torno do que realmente aconteceu com Castle no exército. Paralelamente, conhecemos uma agente especial em uma investigação e um hacker que sabe que o vigilante está vivo.

A ação, quando acontece, foca na violência e não na estética. Ao longo do caminho, Castle apanha tanto quanto bate. A narrativa é irregular, muita lenta e contemplativa às vezes, lembrando o pior de Punho de Ferro, e de repente temos cenas extremamente frenéticas. Além disso, as subtramas se mostram fracas e cansativas.

A série ainda tenta abordar temas como a situação precária dos veteranos nos Estados Unidos, o nacionalismo exacerbado e até mesmo o movimento reacionário no país, mas os assuntos acabam sem o devido espaço e a série foca mesmo em Castle e em seu passado.

Não custa lembrar que, nos quadrinhos, o Justiceiro apareceu como inimigo do Homem-Aranha, exatamente por entrar em conflito com os ideais dos heróis mais tradicionais. De certa forma, o personagem funciona melhor como coadjuvante, como acontece na segunda temporada de Demolidor.

Apesar da Netflix ter mostrado uma capacidade incrível de contar a história dos heróis urbanos da Casa da Ideias, sempre com um clima Noir e sério, parece que até mesmo esse formato já está no seu limite, como acontece com os filmes atualmente. Afinal, essa série do Justiceiro não é capaz de empolgar e se torna um exercício de sadismo enquanto navegamos tediosamente pelos dramas dos personagens centrais.

A série já está disponível no serviço de streaming. Veja o trailer:

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