Opinião: 2ª temporada de Jessica Jones não traz o lado interessante da heroína

Segunda temporada estreia neste dia Internacional da Mulher

08/03/2018 09h30

Por Thamires Viana

Quando estreou em 2015 na Netflix, Jessica Jones foi um sucesso e tanto. A parceria da plataforma com a Marvel trazia não só o jeito peculiar da investigadora que tem uma grande paixão pelo álcool, mas episódios com uma trama central bastante interessante.

A segunda temporada chega neste dia 08 por motivos óbvios: O serviço de streaming decidiu homenagear o Dia Internacional da Mulher e isso é maravilhoso, principalmente se pensarmos na força e independência da heroína. Mas calma, nem tudo são flores...

[CUIDADO - SPOILERS]

Os cinco primeiros episódios liberados pela Netflix para o Cineclick mostram que alguma coisa não está se encaixando bem nessa fase da personagem. Não quero decepcioná-los, principalmente aqueles que esperaram dois longos anos para conferir esse retorno, mas história dá umas belas deslizadas. Isso atrapalha a diversão até mesmo de quem estava com a expectativa lá em cima e, como eu, com bastante vontade de maratonar os novos episódios.

Jessica, interpretada pela atriz Krysten Ritter, continua a badass de sempre, forte, independente e de personalidade hardcore. No entanto, ela chega mostrando que algumas lembranças, principalmente de Killgrave, o ex-namorado abusador vivido por David Tennant (e que foi desta para a melhor na primeira temporada), serão um fardo que teremos de carregar pelo decorrer da temporada. Isso deixa a trama arrastada e a personagem distante da sua essência.

Bem no fundo, a heroína vista na primeira temporada ainda está lá, bebendo nos bares da cidade, transando com desconhecidos e atendendo seus cientes da pior maneira possível. No entanto, sua crise existencial e culpa de ser uma assassina deixam a moça distante do que estamos acostumados, mostrando-a como uma pessoa mesquinha e petulante que dá patadas de graça em quem se aproxima. Vimos isso um pouco em Os Defensores e infelizmente essa fase da personagem veio para ficar.

Na época da estreia em 2015, os perigos de um relacionamento abusivo passaram a ser tema de artigos e conversas entre amigos. Agora, em 2018, com todo um leque de casos de abuso e assédio e movimentos como o Times'Up e o #MeeToo, talvez fosse a oportunidade perfeita para que a personagem feminina passasse uma mensagem ao público e se mostrasse ainda mais forte, conseguindo superar de uma vez por todas a morte de Killgrave.

Não me xingue a essa altura do campeonato dizendo que "isso é inspirado em uma HQ". Claro, eu entendo e concordo, mas vamos combinar que seria bom ver uma Jessica mais reativa e disposta a esquecer o passado abusivo que a traumatizou absurdamente ao invés de sofrer pelos cantos. É claro que existe uma boa dose de realismo, onde mostrar o lado fraco da personagem pode ter sido proposital para se tornar o grande atrativo da série, mas não funciona tão bem na prática.

Para compensar, temos um novo rosto, Oscar (JR Rami), rapaz que chega para ser o novo zelador do prédio da heroína. Vemos que há um clima rolando entre os dois, mas nada além de um romance água com açúcar. O chove e não molha nos dá saudade da química intensa que rolava entre Jessica e Luke Cage (Mike Colter). A amizade com Trish (Rachael Taylor) continua na mesma, mas agora é possível enxergar um pouco mais dos fantasmas que pertubam a loira e podem ser o start para mostrar a profundidade da personagem.

Sim, há pontos positivos nesse retorno. Começando pela produção, a série tem todos os seus episódios dirigidos por mulheres, algo que não havia acontecido na primeira temporada. Já quando o assunto é enredo, há a abordagem dos homens como personagens secundários, o que deixa a série rodeada de poder feminino. Isso é algo excelente, principalmente por se tratar de uma história baseada em quadrinhos, que na maioria das vezes vê suas histórias dominadas por personagens masculinos.

A segunda temporada de Jessica Jones perdeu muito com a saída de Luke - que agora mantém sua história na série própria, perdeu com a saída de um vilão poderoso e odiado como era Killgrave e perdeu o lado mais racional e interessante da protagonista. Creio que a temporada ganharia muito mais textura e excitação se focasse na libertação emocional de Jessica que, fisicamente, já conseguiu se libertar do abuso disfarçado de relacionamento.

Confira o trailer oficial:

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