Opinião: A importância de Capitã Marvel vai além do MCU

Um grande avanço para o estúdio que traz produções majoritariamente masculinas

11/03/2019 17h42 (Atualizado em 15/03/2019 13h37)

Por Thamires Viana

Ainda que mulheres protagonistas no cinema não sejam mais uma novidade - ufa - não tínhamos uma heroína no Universo Cinematográfico da Marvel à frente de seu próprio filme. Finalmente, em 2019, estamos vivenciando o lançamento do primeiro filme do MCU estrelado por uma mulher, grande avanço para o estúdio que traz produções majoritariamente masculinas desde a estreia de Homem De Ferro, em 2008. 

E por que precisamos de mais super-heroínas?

Em 1980, há 39 anos, a veterana atriz Whoopi Goldberg falou em uma entrevista sobre a importância de ter visto a tenente Nyota Uhura (Nichelle Nichols) na série Star Trek e lembrou a emoção de correr pela casa e chamar a mãe para ver que tinha uma mulher negra na televisão que não estava intepretando uma empregada. Logo, a jovem garota entendeu que poderia ser o que quisesse.

A história dela nos faz pensar em como a representatividade feminina nos filmes de herói ainda é baixa se compararmos com o número de homens que assumem esse papel nos cinemas. Com exceção de Mulher-maravilha, elas não estão protagonizando os títulos lançados ao longo dos anos, apesar de todo o poder exercido por elas como coadjuvantes nas produções.

Se tratando de Marvel, a chegada de Capitã Marvel ao MCU quebra um jejum de dez anos com os homens no foco e isso muda muita coisa. Super-herói não é mais uma temática masculina e as mulheres têm enchido salas de cinema para conferir os novos lançamentos do gênero. Logo, trazer para as telas uma poderosa heroína destaca a preocupação do estúdio em fazer as fãs se sentirem representadas. Isso faz toda a diferença, já que há anos as mulheres vêm saindo desse padrão machista de "dona de casa, mãe e esposa" para assumir cada vez mais o controle de suas próprias vidas no âmbito pessoal e profissional.

Embora tenhamos heroínas como Viúva Negra (Scarlett Johansson), Escarlate (Elizabeth Olsen), Gamora (Zoe Saldana) e Nebula (Karen Gillan), nenhuma delas foi lançada como protagonista nos vinte filmes do estúdio lançados nesses dez anos de MCU. Obrigada pelos mimos, Capitã Marvel!

Além da representatividade

O machismo dentro e fora das telas é outro tema que precisamos abordar quando falamos de mulheres estrelando filmes de super-heróis. Quando anunciado, Capitã Marvel foi duramente criticado pelo público. Alguns diziam não ser necessário trazer uma heroína para as telas, enquanto outros desdenhavam da escolha de Brie Larson para interpretar o papel. Com a estreia, vieram julgadores apontando o dedo dizendo que a fraqueza do filme se sustentava no "lacre" da Marvel em querer que todos sejam representados. Preguiça!

Outra coisa que fez a ira dos que criticavam a produção foi o anúncio de que Larson levou o maior cachê para um primeiro filme do estúdio. A atriz de 29 anos que venceu o Oscar em 2015 por O Quarto De Jack recebeu US$ 5 milhões, enquanto Robert Downey Jr. garantiu US$ 500 mil pelo primeiro Homem De Ferro e Benedict Cumberbatch levou US$ 4 milhões para estrelar Doutor Estranho

É tranquilizante saber que um estúdio desse porte começou a enxergar a valorização de um trabalho feminino. Recordo de um texto que escrevi mencionando o absurdo de ver a desigualdade salarial que ainda é gritante em Hollywood. Em 2018, o assunto girava em torno da diferença de salários que os atores Michelle Williams e Mark Wahlberg receberam para regravar as cenas do filme Todo O Dinheiro Do Mundo. Enquanto o valor recebido por ele foi de US$ 1,5 milhão, o dela girou em torno de US$ 1 mil, cerca de US$ 80 dólares por dia pelo trabalho de refilmagens que aconteceu durante o feriado de Ação de Graças naquele ano. Vergonhoso!

Apesar de críticas, Capitã Marvel chegou aos cinemas lucrando mais do que o esperado e já soma US$ 455 milhões nas bilheterias mundiais. Além disso, o longa se tornou a maior abertura doméstica para um filme protagonizado por uma mulher, somando cerca de US$ 153 milhões na América do Norte em seu primeiro final de semana.

Ainda que não acreditem no potencial de um filme com ela no comando, os números estão aí para provar que as mulheres podem dominar as telas, os bares, os escritórios... E como a própria Larson mencionou em seu painel na Comic Con Experience 2018: "Isso é só o começo!"

Capitã Marvel já está em cartaz nos cinemas.

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