Opinião: Desigualdade de gênero na indústria cinematográfica ainda é grave

"Bom ver que as mulheres estão criando vozes, denunciando e se tornando mais empoderadas"

08/03/2018 20h06

Por Thamires Viana

Nesse Dia Internacional da Mulher, nada mais justo do que falarmos sobre a luta das mulheres na indústria cinematográfica. Estamos em um momento onde uma enxurrada de casos de assédio, abuso e desigualdade de gêneros vêm sendo revelados em Hollywood, berço do cinema, e onde atrizes, diretoras, produtoras e diversas outras profissionais estão elevando suas vozes.

Quando falamos de oportunidades e visibilidade, chegamos a números alarmantes. Um estudo realizado pela San Diego State University, aponta que apenas 11% das mulheres estiveram a frente da direção dos maiores das maiores bilheterias de 2017. Um grande absurdo!

No BAFTA 2018 nenhuma delas concorriam ao prêmio de Melhor Direção, e é frustrante ver nomes como Greta Gerwig e Patty Jenkins - que trazem longas de sucesso como Lady Bird - É Hora De Voar e Mulher-Maravilha - não serem lembradas. Desde 2013, o BAFTA não indica mulheres para a categoria. Mas o alívio veio com o Oscar, onde Gerwig foi indicada, na verdade, a quinta mulher indicada à categoria em toda a história da premiação. 

Quando assunto é igualdade salarial, a coisa fica ainda mais feia. Em janeiro, um dos assuntos mais comentados do mês girava em torno da diferença de salários que os atores Michelle Williams e Mark Wahlberg receberam para regravar as cenas do filme Todo O Dinheiro Do MundoWilliams recebeu menos de 1% do salário do que Wahlberg, já que o valor recebido por ela foi de US$ 1 mil, cerca de US$ 80 dólares por dia, enquanto o ator embolsou US$ 1,5 milhão pelo trabalho de refilmagens.

No Oscar também tivemos momentos marcantes que trazem à tona o conturbado momento que Hollywood enfrenta e sobre como as mulheres precisam ser mais vistas e ouvidas. A vencedora da estatueta de Melhor Atriz, Frances McDormand, subiu ao palco para receber o prêmio e falou durante alguns minutos sobre a importância da inclusão das mulheres em projetos cinematográficos. 

Teve um momento poderoso onde as atrizes Ashley Judd, Annabella Sciorra e Salma Hayek falaram sobre os casos de assédio sexual e apresentaram um vídeo sobre representação de mulheres, negros e imigrantes em Hollywood. Elas ainda mencionaram o "Time's Up", movimento criado para combater os crimes sexuais e a desigualdade na indústrtia do cinema. Podemos comemorar o surgimento do Time's Up e do #MeeToo, que chegam com pé na porta para auxiliar mulheres a enfrentar e combater esses casos.

O primeiro passo de atrizes como Meryl Streep, Emma Watson, Emma Stone e Jessica Chastain roubaram a cena nos útimos meses. Como não lembrar da emblemática foto de quase todas as mulheres presentes na premiação do Globo de Ouro estão vestidas de preto, iniciativa do Time's Up impulsionada por essas atrizes? Ou da carta aberta contra o abuso divulgada no Bafta 2018 que foi assinada por um grupo de 190 mulheres que fazem parte da indústria do cinema?

É bom ver que as mulheres estão criando vozes, denunciando e se tornando mais empoderadas diante de uma indústria que desde sempre se mostrou machista e antiquada. Dá uma certa esperança em ver que as desigualdades podem estar com os dias contados. 

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