Opinião: Good Omens é série divertida de proporções bíblicas

Minissérie baseada na obra de Neil Gaiman está repleta de bons atores e momentos subversivos

17/06/2019 18h28

Por Daniel Reininger

A aposta apocalíptica da Amazon baseada na obra de Neil Gaiman e Terry Pratchett valeu a pena. Good Omens é divertido, uma jornada encantadora de um anjo e um demônio dias antes do fim dos tempos. David Tennant, como o demônio Crowley, e Michael Sheen, como anjo Aziraphale, respectivamente, garantem momentos incríveis e parece que ambos nasceram para esses papéis.

O humor inglês inteligente e debochado dá o tom, completado pela dinâmica incrúvel da dupla de protagonistas em sua procura pelo jovem Anticristo. Pois é, o filho de Satanás desapareceu e agora cabe a Crowley e Aziraphale encontrá-lo antes que ele dê início ao Armagedom (a guerra entre céu e inferno). Os dois gostam tanto de viver na Terra, que não querem que tudo seja destruído.

O enredo oferece alguns momentos divertidos ao longo da série, mas são os dois seres sobrenaturais e sua amizade que fazem a série brilhar. O  terceiro episódio, intitulado Tempos Difíceis, é o melhor de todos, porque explora a fundo o relacionamento da dupla através dos séculos, com piadas sobre religião, história e momentos que podem ofender muita gente, mas na verdade são ótimas sacadas.

Além de Sheen e Tennant, Good Omens traz um ótimo elenco de apoio. Jon Hamm, que interpreta o Arcanjo Gabriel, é perfeito para o papel, afinal, o personagem é basicamente uma versão idiota de Donald Draper de Mad Men. Michael McKean, da Better Call Saul, está ótimo como Witchfinder Shadwell. Até mesmo Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) aparece muito bem como Satã. 

Good Omens também tem um estilo visual bastante interessante graças ao diretor Douglas Mackinnon (Line of Duty), que lidera os seis episódios com foco em criar lugares plausíveis, porém com tom sobrenatural. O inferno realmente parece o pior lugar de todos os tempos e o céu traz uma decoração minimalista quase tão sinistra quanto a do Inferno. De qualquer forma, muitos dos locais mostrados em Good Omens são bastante criativos e a atenção ao detalhe é óbvia.

Nem tudo em Good Omens é um acerto, porém. Falta tempo para desenvolver alguns personagens menores, como um grupo de crianças importantes para história, mas que acabam deixados de lado a ponto do espectador não se importar com eles. E os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, que parecem incríveis do ponto de vista visual, têm muito pouco tempo de tela. As tramas voltadas para as bruxas também poderiam ser melhores com mais episódios para desenvolvimento das tramas secundárias.

A minissérie baseada na obra de Neil Gaiman está repleta de bons atores e momentos subversivos, mas funciona mesmo quando David Tennant e Michael Sheen estão na tela. Com certeza vale assistir, mas cuidado para não se ofender com as zueiras bíblicas, que são a graça do programa.

Assista ao trailer:

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