Opinião: Oscar 2016 está mais social, mas continua pouco diverso

Por que a premiação ignorou tantos bons nomes e comprometeu a representatividade?

15/01/2016 15h32

Por Iara Vasconcelos

A disputa pelo estatueta no Oscar 2016 traz produções com temas bastante relevantes para as minorias sociais. Com longas como Carol e A Garota Dinamarquesa, que abordam questões LGBT's, e filmes críticos como Spotlight - Segredos Revelados e Trumbo, que questionam a liberdade de expressão, tudo parecia indicar que a premiação estava pronta para abandonar seu tom conservador, mas a falta de diversidade entre os indicados prova que esse dia ainda não chegou.

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No ano passado, a premiação foi críticada pela ausência de negros, latinos e mulheres  (na direção) nas principais categorias. Isso levou internautas a levantaram a tag #OscarsSoWhite. Em 2015, o mexicano Alejandro González Iñárritu conquistou o Oscar de "Melhor Diretor", por Birdman Ou A Inesperada Virtude Da Ignorância, e fez um poderoso discurso sobre a contribuição da imigração latina nos EUA, ganhando muitos aplausos.

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Mas o cenário monocromático se repete esse ano. Após o anúncio dos concorrentes das 24 categorias, foi dificil não constatar que a academia deixou de fora atores muito importantes que calharam, intencionalmente ou não, de não serem caucasianos.

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Alguns exemplos mais evidentes: Após o sucesso Beast Of No Nation, primeiro longa-metragem original da Netflix, esperava-se pelo menos que o protagonista Idris Elba levasse uma indicação por sua atuação. A ausência de Samuel L. Jackson entre os indicados também foi motivo de protesto, depois de sua grandiosa atuação no western de Tarantino Os 8 Odiados.

Outro ignorado pela academia foi Michael B. Jordan, que mesmo ao lado do gigante Sylvester Stallone - que foi nomeado por sua atuação coadjuvante na pele do icônico Rocky Balboa - não se deixou ofuscar e mostrou atuação consistente na pele de Donnie, filho carismático da lenda do boxe Apolo Creed. Dos 20 candidatos nas categorias destinadas as melhores atuações, nenhum deles é negro, mesmo com os nomes acima sendo presença constante nas apostas.

Idris Elba, Michael B. Jordan e Samuel L. Jackson

A presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs, lamentou ao Deadline a falta de atores negros indicados ao prêmio.

"Claro que eu estou desapontada, mas isso não vai tirar a grandeza dos filmes indicados. 2015 foi um grande ano para o cinema, em todos os sentidos", afirmou Cheryl, que ainda faz uma convocação para que a academia inclua mais diversidade em seus indicados.

A situação das mulheres melhorou um pouco, visto que filmes como Brooklyn e O Quarto De Jack, produções com mulheres como protagonistas, aprecem bem na disputa entre as melhores produções do ano. Ainda assim, a ausência de Carol, um dos filmes mais elogiados do ano passado e centrado totalmente em personagens femininas, é motivo para se lamentar e causar estranheza, claro.

Se pouca diversidade no Oscar é proposital ou se é só uma coincidência, é uma questão para discussões e análises profundas sobre o tema. Mas fato é: a academia continua perpetuando o mesmo modelo convencional de sempre e, com isso, vem afastando muitos espectadores e admiradores da premiação.

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