Opinião: Oscar 2016 fez justiça mesmo quando surpreendeu

Ano será marcado pela vitória de Leonardo DiCaprio e polêmica

29/02/2016 12h01

Por Daniel Reininger

O Oscar 2016 será, para sempre, o ano de Leonardo Dicaprio e da polêmica da diversidade, mas também deve ser lembrado como um Oscar justo. Mesmo quando os favoritos não levaram o prêmio, como no caso de Melhor Filme, os melhores de cada categoria levaram a estatueta para casa. Sim, Spotlight foi uma surpresa, não pela qualidade do filme, que é ótimo e realmente mereceu a vitória, mas por não ter aparecido nas listas de apostas ou nas prévias com a força de um vencedor.

Ou seja, surpresa, porém sua vitória é justa. Mad Max: Estrada Da Fúria merecia? Claro e, para mim, é o melhor do ano, apesar de suas chances sempre terem sido mínimas. O Regresso merecia? Merecia, porém, Spotlight é um grande filme e ele levar o prêmio para casa faz muito sentido, diferente, por exemplo, caso o fraco Brooklin tivesse sido a surpresa da noite.

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As categorias de atuação talvez tenham sido as mais certeiras da noite. Todo mundo sabe que DiCaprio merecia. Entre os competidores deste ano, era o melhor, mas sua atuação em O Lobo De Wall Street já deveria ter lhe garantido a estatueta em 2014. Há tempos o ator mostra que deveria ser reconhecido, também, pela Academia de Hollywood.

O mesmo vale para Mark Rylance, que deixou muita gente chateada por bater Sylvester Stallone, que concorria por Creed, mas que, de fato, mostra um belo trabalho, apesar de Ponte Dos Espiões ser um dos filmes mais fracos a figurar no Oscar desse ano.

Alicia Vikander teve um ano incrível com grandes atuações e era a favorita pelas razões certas, e Brie Larson, que muita gente não conhecia, marcou a todos com o papel da mãe em O Quarto De Jack, belo longa que, caso fosse a surpresa da noite e levasse o Oscar de Melhor filme, também faria com que a estatueta estivesse em boas mãos.

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Além disso, a vitória de Mad Max em tantas categorias, um blockbuster do estilo que a Academia adora ignorar, também mostra que os organizadores do Oscar começam a tentar entender melhor o seu público, fato reforçado pela vitória de Ennio Morricone. O compositor já havia sido agraciado com o prêmio por sua obra, mas quando, de fato, venceu o Oscar por Os 8 Odiados, uma injustiça de anos foi corrigida, não é à toa que foi aplaudido de pé por todo o Dolby Theatre. Caso você não lembre de suas músicas, ele é conhecido pelas trilhas dos faroestes espaguete de Sergio Leone.

No caso do Brasil, impossível não ficar decepcionado com a derrota de O Menino E O Mundo, um longa belíssimo, criativo e merecidamente aclamado ao redor do mundo, mas Divertida Mente também pode receber os mesmos elogios e sua vitória é tão justa e merecida, que seu favoritismo nunca foi questionado realmente.

Em uma noite em que a polêmica da diversidade e ameaças de boicote quase ofuscaram os astros do cinema, o apresentador da noite, Chris Rock, não deu a mínima e falou do assunto sem papas na língua, atitude positiva que ajuda a discutir um problema sério e antigo de Hollywood. Nem sempre seu discurso foi o melhor para tratar caso, verdade, mas valeu pela tentativa e pelo fato de não fingir que a polêmica não existia.

Outra questão interessante foi a agilidade da premiação, que evitou enrolações e garantiu uma festa mais fluída, também mérito do comediante, que soube conduzir.

Agora, resta ver se as mudanças anunciadas já para 2017 trarão ainda mais mudanças positivas ao Oscar. E que no ano que vem mais filmes merecedores levem a cobiçada estatueta para casa.

Assista ao trailer dos maiores vencedores da noite, Spotlight, Mad Max e O Regresso:

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