Opinião: Oscar 2018 não surpreende e Academia parece tentar fugir das polêmicas

Cerimônia acontece no dia 4 de março

23/01/2018 15h49

Por Daniel Reininger

A disputa pelas estatuetas do Oscar 2018 começou para valer com o anúncio dos filmes indicados, nesta terça-feira (23). Este ano, a premiação não surpreendeu e ainda cumpriu o roteiro de dar espaço para as minorias sociais, uma das principais críticas dos últimos anos contra a premiação. Ainda bem, só faltava repetirem o erro do #OscarsSoWhite.

Fato é: os melhores longas receberam mais indicações de forma justa. A Forma Da ÁguaDunkirk e Três Anúncios Para Um Crime devem lutar de igual para igual pelo prêmio de Melhor Filme, enquanto seria incrível ver Greta Gerwig, atriz de Frances Ha, levar como melhor diretora pelo ótimo Lady Bird - É Hora De Voar.

+ Conheça melhor os indicados ao Oscar 2018

Greta é a quinta mulher na história da premiação a ser indicada nessa categoria, a primeira desde 2010, quando Kathryn Bigelow venceu por Guerra Ao Terror. Parece que o desabafo de Natalie Portman no Globo de Ouro, quando falou que todos os indicados da categoria eram homens, fez a diferença.

O panorama geral é positivo. Com longas como Corra!, sobre racismo, Me Chame Pelo Seu Nome, com temática LGBT, e filmes críticos como The Post - A Guerra Secreta, sobre a liberdade de expressão, o Oscar mostra que têm se esforçado para se tornar mais abrangente e menos conservador.

Vale apontar que desde 2007 não temos dois atores negros (Kaluuya e Washington) concorrendo como melhor ator. Da última vez, Forest Whitaker venceu por O Último Rei Da Escócia. Ou seja, estamos voltando ao caminho certo.

Mais interessante ainda, é que Rachel Morrison se tornou a primeira mulher a ser indicada na categoria fotografia, pelo filme Mudbound - Lágrimas Sobre O Mississipi. Chega a ser um absurdo pensar que em 90 anos, tivemos somente agora a primeira mulher numa das categorias técnicas mais importantes.

Outra boa notícia é que Logan, a despedida de Hugh Jackman do papel de Wolverine, quebrou um tabu de 87 anos como o primeiro filme baseado em quadrinhos a concorrer a melhor roteiro adaptado desde 1931. Na época, Skippy, inspirado em uma tirinha do mesmo nome, foi o concorrente. Sem dúvida o produção da Fox merecia mais indicações, mas os fãs do personagem já podem ficar felizes com esse reconhecimento.

Vale lembrar que Logan é o segundo filme de super-heróis a concorrer ao Oscar de roteiro. Em 2004, Os Incríveis disputou o prêmio de roteiro original.

Infelizmente, Mulher-maravilha morreu na praia. O longa não foi nomeado para nenhuma das categorias, mesmo com a diretora Patty Jenkins aparecendo como um forte nome na categoria de direção e a esperança de ver Gal Gadot na de atuação. Surpresa mesmo, o longa não aparecem nem em nenhum prêmio técnico.

E após ser acusado por cinco mulheres de assédio sexual nas últimas semanas, James Franco foi o principal esnobado pela Academia. O protagonista do divertido O Artista do Desastre levou o prêmio de Globo de Ouro e o Critic's Choice Awards por melhor ator em comédia, mas ficou de fora da categoria de atuação no Oscar.

Até por isso, a indicação de Kobe Bryant por Dear Basketball não pegou bem. A internet relembrou uma acusação de estupro feita 15 anos atrás. A escolha dos votantes da Academia gera polêmica, principalmente porque nos últimos meses Hollywood se engajou em grandes campanhas contra a violência sexual e a discriminação de gênero, como o #MeToo e o projeto Time's Up.

Voltando a falar dos prêmios principais, é triste é ver que a Academia ainda não valoriza a atuação de Andy Serkis, um dos melhores atores da atualidade, somente porque ele faz captura de movimentos e não algo convencional. Ele merecia, há tempos. E vale lembrar que o Brasil está na premiação com Carlos Saldanha, por O Touro Ferdinando.

E a indicação de Meryl Streep por The Post - A Guerra Secreta, a 21ª dela, mostra que nem tudo mudou na Academia. A atriz fez um belo trabalho no filme de Steven Spielberg, mas outras atrizes também fizeram e mereciam espaço e vê-la novamente entre as concorrentes gera um pouco de cansaço.

+ Galeria de esnobados do Oscar

É óbvio que a pouca diversidade no Oscar dos últimos anos é consequência de uma indústria dominada por homens brancos, algo que ainda deve demorar para mudar de fato, mas é positivo ver a academia se esforçando para, pelo menos, reconhecer o trabalho de ótimos profissionais.

A cerimônia acontece no dia 4 de março e será apresentada por Jimmy Kimmel. Veja o trailer de alguns indicados:

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