Opinião: Por que o salário das mulheres ainda é menor em Hollywood?

Muitas atrizes têm se posicionado sobre a desigualdade salarial na industria cinematográfica

31/01/2018 18h27 (Atualizado em 12/02/2018 14h39)

Por Thamires Viana

No começo do mês, uma notícia deu o que falar na internet. O assunto girava em torno da diferença de salários que os atores Michelle Williams e Mark Wahlberg receberam para regravar as cenas do filme Todo O Dinheiro Do Mundo, que estreia nesta quinta-feira (01/02). Com a saída de Kevin Spacey da produção, o diretor Ridley Scott correu para substituir o ator e convocou todo o elenco para trabalhar nas novas cenas. E assim um novo absurdo teve a chance de acontecer.

Williams, uma das atrizes mais populares e talentosas de Hollywood, recebeu menos de 1% do salário do que Wahlberg. De acordo com uma apuração feita pelo USA Today, o valor recebido por ela foi de US$ 1 mil, cerca de US$ 80 dólares por dia, enquanto o ator embolsou US$ 1,5 milhão pelo trabalho de refilmagens que aconteceu durante o feriado de Ação de Graças nos EUA.

Não é a primeira polêmica envolvendo atrizes que recebem menos por trabalhos igualmente feitos nos cinemas. Natalie Portman protagonizou a comédia romântica Sexo Sem Compromisso, em 2011, e depois de alguns anos não hesitou ao falar que se sentiu diminuída por receber uma quantia três vezes menor do que seu par no longa, o ator Ashton Kutcher. "Não fiquei tão chateada quanto deveria. Nós somos bem pagos, então é difícil de reclamar. Mas a disparidade é louca", disse ela em entrevista à revista Marie Claire, em 2017.

Portman também fala sobre a falta de oportunidade que as mulheres tem, não somente na indústria cinematográfica, mas em diversas outras profissões. "Eu não acho que mulheres e homens são mais ou menos capazes, temos apenas uma questão clara com as mulheres que é a falta de oportunidades", revelou.

Sem papas na língua, a queridíssima Jennifer Lawrence foi outra que se posicionou de maneira aberta sobre o assunto. Dois anos após gravar A Trapaça, filme de 2013, ela escreveu uma carta aberta intitulada "Why Do I Make Less Than My Male Co Stars?", em tradução livre, algo como "Por Que Ganho Menos que o meu Ator Coadjunvante?" no site da também atriz Lena Dunham (Girls).

No texto ela afirma ter ficado revoltada a descobrir que seus colegas de elenco, Bradley Cooper e Christian Bale, receberam cerca de 9% de lucro no filme, enquanto ela recebeu 7%. "Quando vi o e-mail da Sony e descobri o quão menos eu estava recebendo do que os sortudos com pênis, eu não fiquei brava com a Sony. Fiquei com raiva de mim mesma. Eu falhei como negociadora. Eu não queria continuar lutando por milhões de dólares que, francamente, devido a duas franquias (Jogos Vorazes e X-Men), não preciso", desabafou.

O absurdo não para aí. Emma Stone fez um de seus melhores papeis em La La Land - Cantando As Estações e faturou US$ 26 milhões. O filme foi um sucesso arrebatador e chegou a ser indicado como Melhor Filme no Oscar de 2017. Extremamente elogiada e vencedora do Oscar de Melhor Atriz pelo musical, a moça recebeu três milhões a menos que o colega de elenco, Ryan Gosling, que ganhou US$ 29 milhões.

Em uma matéria de 2017 do jornal britânico The Telegraph, a atriz aparece com o salário abaixo de atores como Mark WahlbergAdam Sandler e Jackie Chan e de estrelas de Bollywood (indústria de cinema indiana) como o ator Shah Rukh Khan.

Confira o gráfico com 14 atores que ganharam mais do que as atrizes mais bem pagas. Dados Estimados entre Junho de 2016 e Junho de 2017:

Gráfico - Matéria Desigualdade de salários

É frustrante para uma mulher, lembrando que uma vos escreve aqui, ver que a desigualdade vai desde salários recebidos até as oportunidades no mercado de trabalho. De acordo com dados da ONU em 2016, as mulheres recebem, em média, cerca de US$ 0,79 centavos para cada US$ 1 dólar recebido por um homem. 

Independente do nível de qualificação apresentado e tendo em vista que as mulheres já ocupam cargos anteriormente dedicados somente aos homens, ainda se fala sobre a desconfiança que gira em torno da capacidade feminina de se dedicar a um emprego.

Alguns fatores como o cuidado com a família, gravidez, criação dos filhos, licença maternidade e tarefas domésticas ainda são vistos somente como obrigação das mulheres, o que já é ultrapassado se lembrar dos avanços femininos nas últimas décadas. E vamos combinar que toda essa balela de incapacidade feminina é um reflexo da sociedade machista na qual vivemos.

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