Opinião: Stranger Things 2 prefere contar boa história ao invés de ser apenas pop

Segunda temporada estreou nesta sexta, 27

27/10/2017 16h00

Por Daniel Reininger

Stranger Things decidiu apostar menos na nostalgia e mais em sua própria mitologia, ampliar o universo da série e transformar o mundo invertido em um lugar ainda mais sombrio. A série também explora melhor os personagens, focando no trauma que as crianças sofreram após os eventos aterrorizantes do ano anterior, assim se libertando de depender apenas de referências e do clima oitentista para encantar.

Não vamos dar spoilers para quem ainda não viu, mas logo a primeira cena da temporada, que mostra uma perseguição policial em Pittsburgh, já mostra que o mundo é muito maior do que a pequena cidade de Hawkins e as implicações dessa cena são enormes.

A novidade aqui é a chance de explorar melhor relacionamentos, personagens e o próprio mistério. Como a primeira temporada girou em torno do desaparecimento de Will (Noah Schnapp), a urgência era grande e as emoções estavam sempre à flor da pele, com isso, eram poucas as chances para esse desenvolvimento. Sem uma crise eminente, o programa tem espaço para explorar melhor os personagens e criar tensão aos poucos, de forma mais interessante.

Além disso, temos espaço para conhecer novos personagens, como Sean Astin, namorado de Joyce (Winona Ryder) e Sadie Sink como Max, recém-chegada na cidade e rapidamente chama atenção dos protagonistas, para desgosto de Mike.
Tudo começa um ano após a primeira temporada e mostra, praticamente, todos os personagens passando por algum tipo de estresse pós-traumático, mas Will leva a pior, afinal ele tem visões horríveis do Mundo Invertido. Eleven (Millie Bobby Brown) também não tem vida fácil, mas isso já é esperado, diante de sua origem. Além disso, Barb não é esquecida e tem uma subtrama focada em Nancy (Natalia Dyer).

David Harbour, que está de volta como o xerife Jim Hopper, consegue ampliar seu personagem de forma atraente. O mesmo vale para Eleven e sua busca por uma identidade própria e, de muitas maneiras, se torna o centro da trama. A montagem, com justaposições inteligentes, mantém tudo entrelaçado e conforme cada história se desenvolve de forma independente, é possível sentir a ligação entre elas.

A ambientação continua um dos pontos altos da série, que nos transporta de volta para os anos 80 com facilidade, e o mesmo acontece com a trilha, cuidadosamente escolhida. Claro que alguns atalhos da primeira temporada, como a recriação de cenas clássicas de filmes e séries, ainda é algo presente, mas a série mostra uma evolução narrativa clara, mesmo que se aproxime ainda mais das obras de Stephen King, ao introduzir o horror no dia a dia das pessoas.

Stranger Things acerta alguns de seus erros da primeira temporada, mas perde parte de seu impacto ao mudar a forma narrativa e desacelerar a ação. O lado positivo é que a série está mais interessada em contar uma boa história do que em ser tão pop. O resultado final, é uma temporada que mantém a atmosfera cativante da primeira, é capaz de capturar a atenção do espectador e desenvolve bem a história desses amados personagens, que mais uma vez precisam enfrentar seus piores medos.

Veja o trailer:

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