Opinião: Westworld volta com menos mistério e mais atenção aos personagens

Série retorna domingo, 22, na HBO

19/04/2018 16h20

Por Daniel Reininger

A primeira temporada de Westworld criou uma intrincada trama para confundir os espectadores, mas desenvolveu pouco seus personagens, até porque a maioria deles eram robôs com programações bem definidas. A curiosidade ao redor da trama, dos segredos do parque que recria o velho oeste era o que a série tinha de melhor, assim como sua ação desenfreada e absurdamente violenta.

Já a nova temporada expande o universo e a mudança óbvia é a tentativa de trazer um pouco mais de leveza para a trama, com alguns momentos simplesmente focados na diversão da situação vivida por esses personagens e menos foco no caráter sombrio da humanidade.

A primeira temporada mostrava como os visitantes abusavam dos seres do parque e trabalhou bem ideias clássicas da ficção científica sobre consciência, exploração e o que é ser humano, além da crueldade inerente em todos nós, mas a segunda temporada parece mais voltada para ação e menos na questão filosófica da coisa toda. O que pode ser bom, tanto para o desenvolvimento dos personagens quanto para capturar novos públicos.

Entretanto, os personagens humanos, com exceção do Homem de Preto, ainda são os mais rasos e desinteressantes da obra, especialmente os já manjados vilões corporativos.

Os flashbacks ainda fazem parte da trama e fica claro que o programa não pretende adotar uma narrativa linear por enquanto, ainda bem. O mais interessante pra mim até agora é a construção dos personagens, com arcos mais claros, todos mais perto do livre arbítrio. A forma como Maeve e Dolores se tornam líderes nessa revolução é algo reconfortante após tudo o que sofreram.

Se você assistiu Jurassic Park, também de Michael Crichton, estamos no momento em que o T-Rex decide explorar o lado de fora da cerca. A carnificina continua, mas agora a temática é a sobrevivência de todos os envolvidos.

Dolores em Westworld

Com Maeve atrás de sua filha e Dolores de vingança, o outro destaque é Bernard, em paz com sua realidade (ele descobriu ser um robô) e numa posição perfeita para desvendar os reais interesses da companhia. A jornada dos três os leva a novas áreas do vasto parque e logo no primeiro episódio descobrimos que os robôs estão atravessando as fronteiras e misturando as temáticas. Quem mais está ansioso para ver Samurais no velho oeste?

Dito isso, não espere uma mudança drástica, o primeiro capítulo abre portas promissoras, mas não chega perto dos melhores momentos da série até aqui. E claro, violência, abusos e personagens presos em suas próprias narrativas ainda ocupam boa parte do tempo.

Visualmente, a série continua incrível e vale cada minuto em frente à TV, até porque a trilha sonora e as cenas de ação também mandam bem. Já os diálogos continuam desiguais e variam entre intrigantes e bem construídos a clichês bobos, algo do tipo "eu tenho um último papel para interpretar: eu mesma", como diz Dolores olhando para o horizonte.

Nesse retorno, apesar de algumas boas mudanças, falta a sensação da possibilidade de grandes descobertas, da existência de mistério maior do que uma simples revolução. Embora a série insinue alguns segredos potencialmente curiosos, nada no primeiro episódio é capaz de gerar a empolgação que me fez grudar na TV em 2016.

Mais direta, agressiva e focada nos personagens, a série traz mudanças promissoras e mesmo com um primeiro capítulo apenas "bom", consegue manter o nível para continuar a ser uma das minhas preferidas da atualidade. Estou ansioso para ver como tudo vai terminar, mas a jornada mudou de foco e resta saber se o balanço entre mistério, desenvolvimento de personagens, ação e questões filosóficas será encontrado neste segundo ano. Torço para que sim.

A segunda temporada de Westworld estreia neste domingo (22), às 22h no canal HBO. Veja o trailer:

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