OSCAR 2015: Conservadorismo exagerado torna competição previsível

Com 94% dos votantes brancos, 77% homens e apenas 14% abaixo dos 50 anos, Academia se fecha em um mundo monocromático

15/01/2015 17h13

Dentro do esperado. Assim foi a revelação dos indicados ao Oscar 2015 realizada nesta manhã. A Academia de Artes e Ciências Interativas consagrou dois dos longas que estavam entre os favoritos a liderar a disputa: O Grande Hotel Budapeste e Birdman Ou A Inesperada Virtude Da Ignorância, ambos com 9 nomeações.

+ Confira a lista completa dos indicados ao Oscar 2015

Os dois são projetos inventivos. Wes Anderson entregou seu longa mais maduro e caprichou em cada detalhe da produção que custou mais de sua imaginação do que de seu bolso. Já Alejandro Gonzáles Iñarritu escreveu uma comédia que dialoga com toda a indústria Hollywoodiana e alfineta os altos e baixos das carreiras consagradas. Mas, não se iluda: o espectro geral das indicações mostra que houve um conservadorismo exagerado.

Nesta edição 2015 vimos Selma, um retrato político importante para que dialoga com a crise racial vivida pelos americanos, se contentar com apenas duas indicações. A Academia perdeu a chance de fazer história e indicar Ava DuVernay como diretora - seria a primeira vez que uma afro-americana concorreria na categoria. David Oyelowo, protagonista, também viu seu trabalho ser superado por nomes batidos e em papéis menos festejados, como o bonitão Bradley Cooper, indicado pela terceira vez seguida.

Reese Witherspoon em Wild

Livre: Filme tocando com protagonista feminina ficou de fora da categoria principal

Em artigo publicado em 2012, O Los Angeles Times revelou que 94% dos votantes no Oscar são brancos, 77% são homens e apenas 14%  possuem menos de 50 anos. Esses números talvez ajudem a explicar porque em 2015 não temos nenhum ator ou atriz negros concorrendo ao Oscar. Ou talvez deem pistas sobre a dificuldade de enxergar força em filmes estrelados por mulheres. Dos 8 indicados na categoria principal, todos são estrelados por personagens masculinos.

É raro vermos o trabalho de diretoras e roteiristas aparecerem entre os finalistas da premiação - Kathryn Bigelow quebrou barreiras em 2010 e se tornou a primeira mulher vencedora na categoria de direção em 87 anos de premiação. O censo dos votantes também mostra porque filmes voltados para um público mais jovem costumam ficar ausentes das principais categorias - Interestelar, com cinco indicações técnicas, é exemplo.

Ao apostar em filmes seguros, sobretudo biográficos, a Academia, mesmo que indiretamente, influencia a produção do cinema em todo o mundo. A exclusão do pop Garota Exemplar, do complexo O Ano Mais Violento e a não indicação como melhor filme para o ótimo e brutal Foxcatcher - Uma História Que Chocou O Mundo mostram que o espaço para trabalhos mais ousados está cada vez menor.

O cinema possui mais cores, mas a Academia insiste em não voltar seu olhar para elas.


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