Oscar: Reunião da Academia promete mudanças para garantir diversidade no futuro

Categorias de atuação podem passar a ter 10 indicados

21/01/2016 13h02

Por Daniel Reininger

Após expressar sua frustração com o fato dos indicados ao Oscar 2016 serem todos brancos, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs, está tomando medidas para tentar recuperar a credibilidade da premiação. Para isso, reunião da diretoria da próxima semana pode mexer as coisas na tentativa de mudar a imagem de racista e elitista do grupo.

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Isaacs soltou uma declaração na segunda-feira (18) reconhecendo a pisada de bola do Oscar em relação aos indicados. Ela afirmou estar "inconsolável e frustrada" e disse que a Academia terá de melhorar. "Precisamos fazer mais e melhor e mais rapidamente. Reconhecemos as preocupações de nossa comunidade e também agradeço a todos vocês que me estenderam a mão em nosso esforço para avançarmos juntos", disse.

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Segundo fontes da Variety, o plano em andamento pretende revisar as políticas de recrutamento da Academia a fim de diversificar os membros. Além disso, muitos defendem o retorno da categoria Melhor Filme com 10 indicados, um dos argumentos é que Straight Outta Compton - A História Do N.W.A. estaria indicado para o principal prêmio se mais vagas estivessem disponíveis.

Alguns membros querem também expandir as categorias de atuação para mais de cinco nomes, na tentativa de não deixar de fora papeis como o de Will Smith em Um Homem Entre Gigantes e Idris Elba em Beast Of No Nation.

O mais importante, porém, é fazer uma reviravolta entre os membros, ainda dominada pela velha guarda de Hollywood. A própria presidente reconhece isso: "A Academia está dando passos significativos para alterar a composição de dos votantes. Nos próximos dias e semanas iremos fazer uma revisão da nossa política de recrutamento a fim de proporcionarmos a tão necessária diversidade a partir de 2016", afirmou.

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Atualmente, os requisitos para entrar na Academia são nebulosos e exigem requisitos mínimos que nem sempre fazem sentido. Entre os montadores, por exemplo, são exigidos "quatro filmes de calibre na opinião do comitê executivo". Quem determina o que é um filme de calibre? É a própria Academia.

Os problemas aparecem também na votação, que permite aos eleitores votarem em filmes sem sequer tê-los visto. O processo é o seguinte: Todo mês de novembro mais de seis mil membros da Academia recebem cédulas para a escolha dos indicados ao Oscar. Nesse ponto, os eleitores selecionam cinco melhores filmes em cada categoria. Como os membros são todos profissionais ativos ou aposentados do setor cinematográfico, podem apenar fazer indicações de acordo com sua própria especialidade. Por exemplo, um escritor não pode indicar filmes para melhor edição de som.

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Só que numa segunda etapa os membros fazem a votação direta e escolhem os melhores de cada uma das categorias livremente, sem a restrição de voto por ramo de especialidade. Isso, obviamente, causa interferência e nem sempre a votação se torna confiável, ainda mais se lembrarmos que a maioria dos votantes não assiste a todos os filmes.

Claro que a grande parte da culpa da falta de diversidade é da própria indústria do cinema, na qual os executivos são principalmente brancos e do sexo masculino. E apesar da presidente da Academia e alguns aliados tentarem mudanças reais, eles estão em uma posição complicada, afinal precisam tentar efetuar mudanças significativas sem causar polêmicas que poderiam prejudicar a imagem da indústria.

A reunião de diretoria da próxima semana é parte do calendário regular da organização, mas depois dos justos ataques ao Oscar 2016, esse pode se tornar um momento decisivo. A diretoria é composta por 51 pessoas, que mesmo que queiram mudanças, devem enfrentar resistência de seus 6.261 membros votantes que, em geral, querem manter o status quo.

Algumas sugestões que estão em análise são radicais, incluindo a ideia de retirar o direito de voto de qualquer pessoa que não trabalha na indústria há 10 anos ou mais. Como a adesão é vitalícia, o argumento é que muitos eleitores votam sem fazer parte da indústria a décadas. Só que cada ação traz problemas e o desafio da Academia será navegar entre as possibilidades e achar um resultado satisfatório para diversas partes interessadas e, ao mesmo tempo, evitar as críticas.

Seja qual for o resultado dessa reunião, esperamos mudanças reais para que injustiças como as vistas esse ano ocorram cada vez menos. O Oscar 2016 acontece em 28 de fevereiro e esperamos que decisões significativas sejam anunciadas até lá.

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