Pixar: Jim Morris fala sobre Procurando Dory, The Good Dinossaur e muito mais

O presidente fez uma apresentação com os lançamentos da maior empresa de animação do mundo

07/12/2014 18h39

Jim Morris, presidente da Pixar Animation Studios, está no Brasil para participar da Comic-Con Experience, maior evento de cultura pop do Brasil, e fez uma apresentação sobre os próximos lançamentos e falou ao Cineclick sobre esse incrível mundo da animação.

Antes da Pixar, onde está há 10 anos, Morris cuidos dos efeitos especiais da LucasFilms, onde participou de sucessos absolutos como Jurassic Park e Forrest Gump - O Contador De Histórias. Acumulando prêmios em diversas categorias desde os anos 1980, o expert do entretenimento produziu para a Pixar o vencedor do Oscar Wall-e e agora supervisiona a produção de longas e curtas-metragens, além de administrar conteúdos de DVD, o departamento de sistemas e as atividades dos parques temáticos do estúdio, cujo dono hoje é a Disney.

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Durante a apresentação, Morris mostrou um pouco da rotina da Pixar, uma empresa gigantesca localizada na Califórnia, cheia de mentes criativas que inspiraria qualquer um a trabalhar na área, ainda mais com tantas atividades incríveis desenvolvidas tanto de trabalho quanto de lazer, em um ambiente semelhante ao que vemos do Google em Os Estagiários.

Em 2015, Toy Story irá fazer seu aniversário de 20 anos e como parte das comemorações foi lançado o curta Toy Story – Esquecidos pelo Tempo. O filme já foi exibido nos EUA pela ABC e no Brasil irá passar no Disney Channel, ainda sem data definida. A trama traz de volta os amados brinquedos em uma aventura ao explorar novos territórios quando a dona Bonnie visita um amigo. O filme original foi o primeiro a ser feito com tecnologia 3D e revolucionou o mundo das animações, sendo para Morris o Casablanca dos desenhos, já que conta uma boa história com bons personagens. Será lançado também um quarto filme, ainda sem previsão de estreia, que conta uma nova história e não será uma continuação dos outros três.

Morris também falou sobre Divertida Mente, o próximo filme da Pixar que veremos nos cinemas, marcado para 2 de julho de 2015. Nele acompanhamos as emoções da pequena Riley dentro de sua cabeça, formando as lembranças que compõe sua personalidade. Com uma proposta única, Morris acredita que o filme conta uma história tão criativa, que só poderia ser feita por animação. Assista ao teaser:

O próximo lançamento é The Good Dinossaur, desenho totalmente diferente e mais bucólico e lírico, propondo um mundo onde os dinossauros não foram exitintos e vivem livremente entre os humanos, como fazendeiros e cowboys. Conhecemos a história de Arlo, dinossauro de 10 anos que se perde da família e conta com a ajuda de Spot, um menino bem diferente, para voltar para casa. O filme passou por uma transformação completa e recomeçou do zero após já estar quase pronto, problema que Morris acredita ter sido uma grande lição:

"Com dois anos de desenvolvimento, percebemos que: essa história com esses personagens tem problemas de construção que não podemos concertar (...) então paramos, e começamos novamente. Foi algo muito doloroso porque muito trabalho bom já tinha sido feito, e na verdade, tivemos situações semelhantes com Ratatouille e Valente (2012), onde pensamos que aquilo não estava genuíno de verdade. E assim mantivemos os dois personagens principais, mas a história, o ambiente e o tema são completamente diferentes. Mas o bom do fracasso é que te ensina o que não fazer. E tem aspectos que fazem o filme ser real, convincente e genuíno, e quando alcançamos isso é que sentimos que fizemos uma boa animação."

Veja como ficou o desenho, com lançamento marcado para 7 de janeiro de 2016:

The Good Dinossaur

Outro lançamento altamente esperado é Finding Dory (provavelmente Procurando Dory), continuação de Procurando Nemo programada para 2016. O filme se passa 6 meses após o primeiro: Marlin, Nemo e Dory são vizinhos e vivem felizes, mas pai e filho percebem que a amiga pode estar tendo institintos migratórios, e resolvem ajudá-la a encontrar sua família. Eles embarcam em uma aventura e chegam a um instituto que reabilita e joga de volta ao mar os animais em perigo ou abandonados, e é lá onde Dory foi criada e reencontrará sua família.

Sobre o porquê de outros desenhos virem antes de continuações esperadíssimas como Procurando Dory, Os Incríveis 2, Carros 3 e Toy Soty 4, Morris afirmou que muitas vezes a Pixar nem pensou em continuar os filmes, mas anos depois os diretores e demais envolvidos acabaram tendo ideias e resolveram retomar e concluir as histórias.

"Normalmente demoramos 4 ou 5 anos para fazer um filme. Nos dois primeiros trabalhamos no storyboard, fazemos desenhos brutos durante cerca de 8 vezes até estabelecer a história. Depois passamos para os personagens, ambientes e a produção de fato, após os animadores darem vida a tudo, demora mais um ano e meio. Por isso precisamos ter vários filmes sendo feitos ao mesmo tempo para lançar um ou dois por ano. (...) Nunca pensamos em fazer uma continnuação para Nemo, mas Andrew Stanton, o criador, teve uma ideia e sentiu a necessidade de finalizar a história, anos depois do primeiro, e é por isso que demorou tanto."

A visita de Jim Morris, que também incluiu uma passagem pela Comic Com Experience, reacendeu a curiosidade e o carinho dos fãs pelos filmes da Pixar, hoje uma das maiores de animação do mundo, que incluem as maiores bilheterias da história do gênero como Toy Story 3 e Frozen - Uma Aventura Congelante.

Perguntado sobre a teoria de que os filmes da Pixar estão todos interligados, o empresário riu. Essa similaridade na verdade não é pensada, os criadores acabam tendo sensibilidades comuns e como um grupo, se ajudam e influenciam uns aos outros, criando temas parecidos de forma orgânica.

Para Morris, a Pixar tenta sempre olhar para mundos diferentes, fazendo filmes que de alguma forma lidam com coisas (quase) possíveis. Para ele, é legal imaginar que sim, podem ter monstros atrás da porta, ou os brinquedos ganharem vida na nossa ausência, ou os insetos que conversam entre si, são brincadeiras que coexistem com a nossa própria realidade.

"Fazemos filmes para todas as idades, filmes que nós mesmos e nossas famílias gostariam de ver. Quando é feito com o coração, todo mundo vai querer ver", finaliza.

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