Planeta dos Macacos: Entenda a cronologia da franquia distópica

Série dos símios começou nos anos 60, entenda a relação entre os filmes

18/07/2014 16h39 (Atualizado em 12/02/2018 15h10)

Por Daniel Reininger

Planeta Dos Macacos é um sucesso, afinal a clássica franquia ganhou força novamente com os filmes focados em César (Andy Serkis), então é hora de tentar entender a cronologia dessa distopia que atrai tanta gente. Tudo começou mais de meio século atrás com La Planète des Singes, livro francês de Pierre Boulle sobre astronautas que pousam num planeta dominado por macacos inteligentes. A série, famosa pelas questões políticas e sociais, voltou com tudo em 2011 com A Origem.

+ Confira nossa entrevista com Andy Serkis, o César

O reboot muda algumas coisas da linha do tempo da franquia e tenta criar um mundo coeso, afinal existem muitos buracos deixados pelos longas dos anos 60 e 70. Como o próprio diretor Matt Reeves disse ao site IO9 que a série pretende chegar no futuro visto no longa de 68, vamos tentar entender melhor a ordem dos filmes e a relação entre eles:

Os clássicos

Planeta dos Macacos (1968)

No cinema, tudo começou em 1968 com o lançamento do filme estrelado por Charlton Heston no papel do astronauta George que aterrisa em um planeta governado por macacos. Eventualmente ele percebe que está na Terra em um futuro muito distante, no qual os símios governam o planeta após a destruição da humanidade. O homem faz amizade com os cientistas Zira e Cornelius, que chamam o protagonista de "olhos brilhantes" enquanto o mantém como cobaia de laboratório. Na trama, ele deixa a Terra em 1972 e pousa em 3978. Sabemos disso graças às informações presentes em sua nave espacial, a Ícaro – lembre desse nome.


De Volta ao Planeta dos Macacos (1970)

Na primeira sequência do Planeta dos Macacos, um grupo de resgate vai atrás da nave Ícaro. No mundo dos símios, os astronautas descobrem um pequeno grupo de super-humanos com poderes psíquicos que vivem no subsolo e adoram uma ogiva nuclear. Eventualmente, há uma enorme batalha entre macacos e humanos do subterrâneo e isso resulta na destruição do mundo (de novo). O filme aparentemente se passa logo depois do original, mas o ano é 3955 – o que pode ser simplesmente um erro de continuidade.


Fuga do Planeta dos Macacos (1971)

Na nova sequência, Fuga Do Planeta Dos Macacos, Zira e Cornelius, do primeiro filme, escapam do apocalipse nuclear e usam a nave espacial Ícaro (de novo) para viajar de volta no tempo até 1973. Os macacos falantes tornaram-se celebridades, mas logo são capturados e torturados para fornecerem informações sobre o futuro. Eles têm um filho chamado César, que é escondido para crescer em segurança. A partir daí, a linha do tempo da franquia muda bastante. Não que houvesse de fato uma lógica respeitada pelos roteiristas, mas as coisas ficam ainda mais estranhas.


A Conquista do Planeta dos Macacos (1972)

Nessa nova linha do tempo, acompanhamos a vida de César vinte anos após a morte de seus pais. Após um vírus dizimar a maioria dos cães e gatos na Terra, macacos são adotados como bichos de estimação pelos humanos. Rapidamente os macacos deixam de ser amigos e passam a ser usados como escravos. César, eventualmente, lidera uma rebelião e liberta sua raça.


A Batalha do Planeta dos Macacos (1973)

A Batalha do Planeta Dos Macacos é outra continuação do filme de 1968 e se passa 10 anos após os acontecimentos de A Conquista Do Planeta Dos Macacos, embora comece 600 anos no futuro com um macaco sábio contando a história dos eventos que definiram seu mundo. Esse mundo é claramente diferente do filme original estrelado por Heston, afinal seres humanos e símios vivem em relativa harmonia. Na trama, vimos o surgimento da civilização de macacos e como César ensina seus seguidores a não escravizar e brutalizar humanos. É um futuro alternativo em relação àquele dos pais de César, no qual os macacos dominavam o mundo e os seres humanos eram reduzidos a animais.


Série de TV (1974)

A série não faz muito sentido com os filmes, mas os eventos do programa televisivo provavelmente (reparem no provavelmente) antecedem o filme original de 1968 e, ao mesmo tempo, seguem os eventos de Fuga do Planeta dos Macacos, de 1971. Ambientada em 3085, astronautas caem na Terra futurista, da mesma forma que no longa original, só que 900 anos antes do personagem de Charlton Heston. O motivo para isso nunca fica claro, mas pode ser devido às mudanças da linha do tempo, o que explicaria as alterações significativas no planeta e as diferenças de datas.


O remake

 Planeta dos Macacos (Remake de Tim Burton) (2001)

Estrelado por Mark Wahlberg (Transformers 4: A Era Da Extinção), este é um remake direto do original de 68. Desta vez, o astronauta sai da Terra em 2029 e viaja até o ano 5021 e, fora isso, não existem muitas surpresas. No final, o protagonista retorna à Terra de 2001 e descobre que ela está dominada por macacos, algo semelhante ao que acontece no romance francês. O longa acrescenta pouco e na verdade é melhor esquecer que ele existe, diferente do ótimo reboot de 2011, sobre o qual falamos a seguir. Leia a crítica.


O reboot

O Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

Esse filme reimagina a franquia e cria uma linha de tempo completamente nova. Embora tenha semelhanças com A Conquista do Planeta dos Macacos (1972), não pode ser chamado de remake, afinal tudo é muito diferente, inclusive a ascensão dos macacos no presente. César e seus seguidores têm a capacidade cognitva aumentada por um um vírus usado como terapia genética e começam uma revolução para conseguirem a liberdade. Outra grande mudança é que o César deste filme tem uma relação melhor com humanos e até evita matá-los. Leia a crítica.


Planeta dos Macacos: O Confronto (2014)

O Confronto se passa dez anos após A Origem. Ele continua a acompanhar César, mas as coisas estão ainda mais sombrias. De certa forma, o longa pode ser comparado a A Batalha do Planeta dos Macacos, pois mostra as duas raças coexistindo. Novamente as diferenças são tantas que não permitem chamá-lo de remake. Na trama, um vírus acabou com a humanidade. Os macacos inteligentes seguidores de César vivem nas florestas próximas a São Francisco e viram a humanidade se extinguir aos poucos. As coisas se complicam quando sobreviventes encontram os símios e desentendimentos banais podem gerar guerra entre as raças. Leia a crítica.

 

Planeta dos Macacos: A Guerra (2017)

As ações de Koba iniciaram a guerra entre símios e humanos e César se torna um líder em tempo de guerra. Dois anos se passam desde Planeta Dos Macacos: O Confronto e a guerra é terrível para ambos os lados. César quer acabar com a matança, mas um coronel desequilibrado quer exterminar os símios a todo custo. Sem entrar em detalhes para evitar spoilers, esse filme tenta direcionar ainda mais a linha do tempo para o que conhecemos do filme de 1968. Leia a crítica.

 

Afinal, existe uma linha do tempo coesa?

Apesar dos filmes recentes se preocuparem em criar uma mitologia coesa entre si, a verdade é que não existe uma linha do tempo clara se levarmos em conta os longas clássicos. Tanto é verdade que O Confronto amplia apenas o mundo apresentado em A Origem e reimagina questões como, por exemplo, a ascensão dos macacos como raça dominante. Embora o diretor Matt Reeves queira chegar ao futuro visto no filme de 68, não fica claro como isso será feito, apesar de A Guerra terminar com alguns elementos que aproximam a trilogia do clássico. 

Além disso, ainda não foram introduzidos elementos de Viagem no Tempo, tão comuns à franquia. Em A Origem o espectador fica sabendo, por meio de programas de TV, que a nave Ícaro (lembra dela?) de fato existe e se perdeu. Entretanto, essa nova fase da história só deve acontecer depois do encerramento do arco do líder símio César, interpretado por meio de captura de movimento pelo ótimo Andy Serkis.

Enquanto não sabemos como será o próximo passo da franquia após o novo filme, vale curtir o ótimo trailer final de Planeta Dos Macacos: A Guerra:

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus