Entenda porque Bad Boys Para Sempre funciona sem Michael Bay

Longa agradou ao público

25/02/2020 17h29

Por Gui Pereira

Quando dois astros da comédia se transformam em também atores de blockbusters de ação, o resultado seria nada menos que um sucesso. Desde o primeiro lançamento, há 25 anos atrás, as sequências faturaram mais de 400 milhões de dólares e alavancaram não só a carreira de Will Smith e Martin Lawrence, mas do diretor Michael Bay, que virou referência do gênero. Agora, 17 anos depois, a terceira parte dessa história chega aos cinemas do Brasil já como líder de bilheteria pela segunda semana seguida nos Estados Unidos.

Ainda no estilo 'buddy cops', sucesso dos filmes policiais dos anos 70, e com muito carisma e sintonia entre os velhos parceiros Mike Lowery (Smith) e Marcus Burnett (Lawrence), o longa traz uma dose equilibrada de drama que não se via nos outros filmes da saga. Sem o comando de Michael Bay, a trama, que coincidentemente continua carregada de exageros, piadas clichês, consagra o fenômeno nas mãos do diretores belgas Adil El Arbi e Bilall Fallah, que conseguem criar uma atmosfera inovadora para o que parecia ser 'mais do mesmo'. Fugindo da obsessão por cenas explosivas, efeitos especiais, a história construída por trás das limitadas cenas de perseguição é surpreendentemente interessante.

Enquanto nos primeiros filmes a dupla de policiais enfrentava as crises típicas dos trintões, agora, na casa dos 50, os dilemas são outros. Burnett está prestes a se aposentar, tem um neto, e Lowrey é solteirão e sofre um atentado que o deixa à beira da morte. Na contradição entre a busca por vingança de um e a tentativa de reduzir a agitação do outro, uma nova e mais jovem equipe chega ao departamento de polícia, formada pela tenente Rita (Paola Núnez), a especialista em invasões Kelly (Vanessa Hudgens), o nerd musculoso Dorn (Alexander Ludwig) e o hacker e atirador de elite Rafe (Charles Melton). Os contrapontos e atritos com a nova geração trazem à tona discussões importantes sobre violência e a dinâmica entre eles é mais um ponto alto do longa, apesar da falta de conexões sentimentais.

No fim das contas, os roteiros orquestrados por Bay foram consagrados para os anos 90, mas o resultado trazido pelos belgas agrada muito mais do que toda confusão explosiva e rasa dos primeiros filmes. Este terceiro foi anunciado pela primeira vez em 2003, logo após o sucesso do primeiro longa. Desde então a produção passou por diversas fases de desenvolvimento, mas nunca chegou a ver a luz do dia. Em 2008, Michael Bay anunciou seu retorno à direção, mas, o projeto demorou muito em sua pré produção. Apesar de não dirigir, Bay tem uma participação especial no filme. O quarto capítulo da franquia foi anunciado logo no início das filmagens do terceiro e, depois do sucesso de estreia nos EUA, o filme foi enfim oficializado e Michael Bay está cotado para voltar a cadeira de diretor.

Bad Boys Para Sempre está em cartaz nos cinemas.


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