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Premiado em Paulínia e Berlim, Daniel Ribeiro prepara filme sobre descoberta da sexualidade

31/07/2010 10h26
por Heitor Augusto
Eu Não Quero Voltar Sozinho


















Em cerca de três anos, Daniel Ribeiro construiu uma promissora carreira como diretor que é marcada por filmes que apostam no diálogo. Os protagonistas são gays, mas seus dilemas são trabalhados como qualquer outro ser humano. A sexualidade está presente, porém apresentada com naturalidade, sem alarde, com calma.

Com esse tom de direção, Ribeiro dirigiu dois curtas-metragens, Café com Leite (que acumula diversos prêmios, entre os quais o Urso de Cristal no Festival de Berlim), e Eu Não Quero Voltar Sozinho, que acaba de ser premiado como Melhor Filme no Festival de Paulínia.

Agora, o paulistano prepara seu primeiro longa-metragem, Todas as Coisas Mais Simples. “Todo mundo fala que o título é parecido com o da Laís Bodanzky, por possuir em comum a palavra ‘coisas’”, brinca Ribeiro, que conversou com o Cineclick sobre o novo projeto.

O longa vai desenvolver alguns personagens já trabalhados em Eu Não Quero Voltar Sozinho. A trama vai se concentrar em três adolescentes: Leonardo (Ghilherme Lobo), cego, Giovana (Tess Amorim), sua melhor amiga, e Gabriel (Fabio Audi), garoto que acaba de chegar ao colégio.

“No longa, Leonardo possui questões maiores. Ele deseja fazer intercâmbio, meio que querendo fugir da superproteção da sua mãe. Tem a avó que é uma figura próxima a Leo, com quem ele se identifica. É neste momento em que ele tem vontade de ir embora que surge Gabriel, um personagem mais misterioso”, explica Ribeiro.

O diretor revela que o “grande foco de Todas as Coisas Mais Simples mesmo é como alguém que não enxerga descobre sua sexualidade. Como alguém que nunca viu um menino ou uma menina se sente atraído por outra pessoa?”.

O projeto já está em fase avançada e, “se tudo der certo”, nas palavras do diretor, deve ser filmado já em julho de 2011. O roteiro foi discutido tanto no Projeto de Jovens Realizadores do Festival de Biarritz e no Script Station do Talent Campus do Festival de Berlim. O longa, coprodução entre a Lacuna Filmes e a Mixer, também ganhou o edital da prefeitura de São Paulo de Desenvolvimento de Projeto. “Minha produtora, Diana Almeida, levou o projeto pra Cannes deste ano atrás de possíveis co-produtores internacionais. Então agora vamos começar a captação propriamente dita”. O filme deve concorrer aos editais da Petrobras, BNDES, Paulínia, Oi Futuro, ProAC e Prefeitura de São Paulo.

Tirando todo esse papo burocrático – chato para quem lê, mas fundamental para quem produz um filme –, Todas as Coisas Mais Simples deve refletir o tom dos filmes anteriores de Ribeiro: fazer a ponte da temática homossexual para um público mais amplo. “É entrando neste mundo íntimo [dos personagens] que eu tento mostrar para o mundo real (que não é colorido) como algo que é visto com tanto preconceito é natural, universal e de possível identificação. Um cego tem as mesmas dúvidas e desejos de quem enxerga. O preconceito existe por ignorância e é entrando no mundo dos outros que se acaba com ele”.

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