Presidente do BAFTA 2018 fala sobre a falta de mulheres indicadas à Melhor Direção

"É um reflexo da indústria e devemos fazer algo a respeito"

10/01/2018 19h01

Por Thamires Viana

BAFTA, premiação britânica que antecipa o Oscar, divulgou essa semana a lista completa de indicados ao prêmio. Nos nomes da categoria de Melhor Diretor há uma ausência notável e incômoda: Nenhuma mulher. Como aconteceu no Globo de Ouro, diretoras como Greta Gerwig e Patty Jenkins - que trazem longas de sucesso como Lady Bird e Mulher-maravilha - não foram lembradas. Desde 2013, o BAFTA não indica mulheres para a categoria. 

A presidente do BAFTA, Jane Lush, disse em uma coletiva de imprensa que a falta de nomeações de mulheres para a categoria foi o resultado de um problema sistêmico. "É claro que queremos ver mulheres na categoria de Melhor Diretor. É um reflexo da indústria e devemos fazer algo a respeito. Para isso temos o BAFTA Elevate", disse ela se referindo a um programa destinado a promover a carreira de diretoras femininas. "Não se trata de culpar as pessoas. É sobre o que podemos fazer para tornar a premiação diferente."

Ela afirma que apenas 16% das inscrições na categoria eram mulheres. Desde 1968, as mulheres foram nomeadas na categoria apenas sete vezes, e duas delas foram para Kathryn Bigelow em 2010 por dirigir Guerra Ao Terror, no qual ela saiu vencedora.

"É um problema muito maior do que o BAFTA ou os Globos de Ouro", disse Kate Kinnimont, diretora-chefe da Women in Film & TV. "É mais sobre a cultura em que vivemos do que um festival ou organização particular. Se houver apenas 7% das mulheres dirigindo filmes, as chances de nomeações são escassas. É realmente sobre como as mulheres são percebidas no lado comercial".

A solução seria então expandir o número de indicações em várias categorias, mas de acordo com os membros do BAFTA, a cerimônia de premiação se tornaria difícil com oito ou nove indicações.

Durante a apresentação dos indicados no Globo de Ouro que aconteceu no último dia (07), a atriz Natalie Portman não poupou palavras ao críticar a ausência de nomes femininos, gerando comentários contra e a favor à sua opinião.

 

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