Quero fazer um filme solar, diz Selton Mello sobre segundo trabalho como diretor

15/03/2010 19h04

Que fique muito claro: apesar de o circo não mais ocupar o posto de protagonista, O Palhaço, segundo longa-metragem de Selton Mello (A Mulher Invisível) como diretor, não vai tratar o picadeiro com nostalgia.

Quem faz questão de pontuar essa diferença é o ator Paulo José, ou melhor, Puro Sangue, pai de Selton, ou Pangaré, no filme que fala sobre palhaço em crise de riso. “Está muito claro que não queremos questionar a decadência do circo, pois ele é um espetáculo popular vivo, das periferias e do interior do Brasil. Como significação universal da arte universal, o circo é cada vez mais incorporado por quem faz teatro”, defendeu o ator nesta segunda-feira (15/03), dia de folga no cronograma de filmagens, em Paulínia, interior de São Paulo.

Já se foram treze dias de filmagens, restando mais cerca de três semanas. Porém, na cabeça tanto do diretor/ ator e de seu principal parceiro de elenco, não há muita dúvida sobre o tom do filme que chegará aos cinemas em março de 2011.

“Quero que O Palhaço seja solar, um filme bom de se ver”, ilustra Selton. Se as ideias que surgiram para o diretor durante o período de crise forem transpostas para a tela, o longa terá alguns “credores”.

“Gostaria que ele falasse com o público que gostou de Lisbela e o Prisioneiro e O Auto da Compadecida. Vai ter Emir Kusturica [Maradona], Oscarito, Fellini, Didi Mocó, Bye Bye Brasil, Mazzaropi”.

Em tempos cínicos e pragmáticos, momento para o qual o cinema às vezes se esconde, O Palhaço quer trazer o onírico como bola da vez. “Vai ser um filme sonhador. Nos dias cínicos que vivemos, o mais louco agora é fazer algo sonhador e com ternura”. No entendimento de Paulo José, “sem fúria”.

Antes de começarem de fato as filmagens, o trabalho de pré-produção foi a todo vapor. No caminho, surgiram pessoas fundamentais para Selton e o co-roteirista Marcelo Vindicatto criarem o clima do filme. Entre elas, Alessandra Abranches, que mapeou grande parte dos palhaços no Brasil, e Cochicho.

“Foi ele que nos ensinou as gags de um palhaço, a mise-en-scène”, diz Selton. Não contente com as palavras, Paulo José, como o autêntico palhaço que faz rir para se proteger, levanta-se do sofá e, frente a trinta jornalistas, tenta empurrar uma pesada mala imaginária. Com a juventude de quem tem 72 anos – e 45 de cinema –, cai de costas e leva todos ao riso.

Se depender desse clima, O Palhaço trará gargalhadas, oposto à sisudez de Feliz Natal, filme anterior de Selton como diretor.

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