Rever Dona Flor e Seus Dois Maridos deve ser exercício obrigatório

24/06/2009 13h04

Nem foi tanta surpresa a acolhida entusiasmada que Ouro Preto deu a Dona Flor e Seus Dois Maridos, o sucesso de Bruno Barreto (Última Parada 174) lançado em 1976.

O filme ainda se provou capaz de seduzir um grande público pelo que tem de cômico, e pela inteligente utilização do imaginário religioso brasileiro, já presente na obra original de Jorge Amado.

Incrível como Barreto se apoia em uma narrativa sofisticada, sem fazer a menor questão de ser didático para o espectador. A sucessão de imagens não obedece a pobreza que podemos ver em coisas como Divã e A Mulher Invisível, e o filme teve mais de 10 milhões de ingressos vendidos.

Para os padrões de hoje, é lento, confuso - já que cada vez se pensa menos na sala de cinema, para não perder a atenção com a pipoca - e incrivelmente artístico, sem a carga negativa que o adjetivo pode ter. Rever Dona Flor e Seus Dois Maridos deveria ser obrigatório para os engravatados que aprovam projetos em editais ou nas grandes distribuidoras, para ver como já se ganhou dinheiro sem subestimar a inteligência do espectador. É bem verdade que Sônia Braga nua é um fator importante no processo, além do desempenho impecável de José Wilker. Mas o filme não resistiria no boca-a-boca se o público rejeitasse a sofisticação da narrativa.

Ou seja: é preciso reeducar o público, e isso já me parece muito mais utópico.

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